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A ILHA DOS AMORES – I

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YouTube – Gorecki Symphony No. 3 “Sorrowful Songs” – Lento e Largo

YouTube – Gorecki Symphony No. 3 “Sorrowful Songs” – Lento e Largo.

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YouTube – Veni Veni Emmanuel

YouTube – Veni Veni Emmanuel.

Veni, veni Emmanuel;
Captivum solve Israel,
Qui gemit in exilio,
Privatus Dei Filio
Gaude! Gaude! Emmanuel,
Nascetur pro te, Israel!

Veni, veni, O Oriens;
Solare nos adveniens,
Noctis depelle nebulas,
Dirasque noctis tenebras
Gaude! Gaude! Emmanuel,
Nascetur pro te, Israel!

Veni, Clavis Davidica!
Regna reclude caelica;
Fac iter tutum superum,
Et claude vias inferum
Gaude! Gaude! Emmanuel,
Nascetur pro te, Israel!

Veni, veni Adonai!
Qui populo in Sinai,
Legem dedisti vertice,
In maiestate gloriae
Gaude! Gaude! Emmanuel,
Nascetur pro te, Israel!

ver tradução no comentário

“Obstat sexus” (“o sexo impede”)

Os tempos ainda não estavam maduros para se declarar Doutora da Igreja a uma mulher. De fato, o Papa Pio XI havia respondido negativamente a solicitação que os Carmelitas haviam apresentado para que Santa Teresa de Jesus, “Madre de los Espirituales”, fosse declarada Doutora. A proposta era rechaçada pelo fato de ser uma mulher. “Obstat sexus” (“o sexo impede”), disse o Papa;Com a declaração de Teresa de Jesus e Catarina de Sena como Doutoras da Igreja, em 1970, foi derrubado defini­tivamente o obstáculo que impedia nomear como Doutora, uma mulher. Perante este fato, novamente se apresentou a possibilidade de que Teresa de Lisieux, nossa irmã, pudesse ser declarada Doutora da Igreja. Em 1973, ano do Centenário de seu nascimento, D. Garrone suscitou novamente a questão: “Um dia Santa Teresa de Lisieux poderá ser Doutora da Igreja? Respondo que sim, sem hesitação, estimulado pelo que sucedeu com a grande Santa Teresa e com Santa Catarina de Sena”. Em ocasiões sucessivas os Carmelitas levantaram a questão. Em 1981, o Cardeal Roger Etchegaray, a pedido do Carmelo Teresiano e, após consulta ao Conselho Permanente do Episcopado francês, enviou uma carta oficial ao Papa João Paulo II solicitando que Teresa de Lisieux fosse declarada Doutora da Igreja. Em diversas ocasiões, a postulação geral da Ordem e o bispo de Lisieux, D. Pican escreveram cartas oficiais neste sentido. O Capítulo Geral do Carmelo Teresiano, em 1991, e o Carmelo da Antiga Obser­vância, em 1995, fizeram outro tanto. No mesmo sentido se pronunciaram mais de 30 conferencias episcopais e milhares de cristãos: sacerdotes, religiosos e leigos de 107 países.….Deus suscitou na Igreja a consciência da necessidade de uma nova evangelização para responder a este tempo especial de graça e renovar a fé, a esperança e o amor centrados em Jesus, único Salvador e centro da história. Ele nos revela o verdadeiro rosto de Deus e nos mostra a presença e ação do Espírito nas pessoas e no mundo.

“Não posso compreender porque as mulheres são tão facilmente, excomungadas na Itália; a cada instante diziam-nos: “Não entreis aqui… Não entreis ali, ficareis excomungadas!… ”Ah! pobres mulheres, como são desprezadas!… Entretanto, elas amam a Deus em maior número do que os homens e, durante a Paixão de Nosso Senhor, as mulheres tiveram mais coragem do que os apóstolos, pois enfrentaram os insultos dos soldados e ousaram enxugar a Face adorável de Jesus… ”

Sua condição de mulher, que expressa com o frescor e a sinceridade de uma pessoa livre, a conduz a uma reflexão evangélica: esta marginalização da mulher faz com que ela participe mais intimamente do desprezo de que Jesus foi objeto em sua paixão. As mulheres tiveram o valor de terem enxugado o rosto de Cristo.

“Sem dúvida, é por isso que ele permite que o desprezo seja sua quota sobre a terra, pois o escolheu para Si mesmo… No céu, ele saberá mostrar que seus pensamentos não são os dos homens, pois então as últimas serão as primeiras

No evangelho de Lucas, Jesus, repleto gozo no Espírito Santo, proclama a lógica divina, tão diferente da nossa: “Eu te louvo, Pai, Senhor do céu e da terra, por teres ocultado isto aos sábios e aos inteligentes, e por tê-lo revelado aos pequeninos.” (Lc 10,21).

Roma, 01 de outubro de 1997


Extractos de Fr. Camilo Maccise, OCD Fr. Joseph Chalmers, O. Carm.

Nunca tentei ser perfeita… Sou incapaz de sê-lo, sou demasiado pequena… Apenas quero ser santa… A santidade é gratuita, não pertence às nossas forças… Basta deixar que Deus actue…

Jesus não pede grandes acções, mas apenas abandono e gratidão.

A santidade… é uma disposição do coração que nos torna humildes e pequenos nos braços de Deus, conscientes da nossa fraqueza e confiantes até à audácia na sua bondade de Pai.

Teresa de Lisieux

A Poesia visita-nos uma vez na vida. O Amor visita-nos algumas vezes na vida. Mas a Santidade visita-nos todos os dias.

Sophia de Mello Breyner (cito de memória)

Liberdade

Porque me tornei rebelde:

A liberdade não é uma concessão do príncipe ou da revolução, é uma conquista do homem revoltado contra a servidão voluntária. Ler em Sobre o tempo que passa

Mas servidão a quem, a quê?

Basta que não tenhamos medo, conforme o projecto de Étienne la Boétie: ”n’ayez pas peur, na servitude volontaire o grande ou pequeno tirano apenas têm o poder que se lhe dá, um poder que vem da volonté de servir das multidões que ficam fascinadas e seduzidas por um só”.

Mas essa fascinação e sedução, é a maior benção: O que tem é que tornar-se Fascinação e Sedução, pelo Eterno…

 

Andrea Mantegna, “Camera degli Sposi”

Aliás, todos os que se tornaram servidores do Eterno, foram radicalmente rebeldes. Rebeldes até contra si próprios. Rebeldes, contra a prisão do príncipe deste Mundo, que é acima de tudo o príncipe da Mentira.

Ele nunca funciona pelo mal visivel. No entanto gastamos nosso tempo reagindo contra esses sintomas. Ele está sempre escondido. Ele nunca assusta, ele seduz. Ele não é pavoroso. Ele aparenta ser maravilhoso. Ele não é feio. Ele aparenta ser belo. Ele não afasta. Ele atrai a si os que estão perto de realizar algo especialmente Bom, criando situações de forma genial e complexa, para que esse Bem não possa acontecer. Ele subrreticiamente cerca e enche de obstáculos o caminho que leva à Liberdade.

É por ele que o caminho para o Monte Abiegno é tão penoso, difícil e raro. É por ele que é preciso tanto Amor para que alguns lá possam chegar…

A Mystica de frei Agostinho e a Ilha dos Amores

Sol de Inverno (Sobre a «Ilha dos Amores»)
por António Feijó

Poeta por necessidade de temperamento e por fatalidade de herança, Antonio Feijó sabe impôr, a quem o lê, a contestada mas suprema fidalguia do verso. Emotivo e delicado como os velhos bysantinos, amoroso e enternecido como todo o meridional, a sua bella constituição de lyrico assegura-lhe um logar inteiramente á parte entre os technicos portugueses. Sendo um religioso da côr, Feijó desadora as tintas impetuosas e agressivas, e, numa preciosa doçura, dá-nos a branco e oiro as suas figuras de mulher. O ar contemplativo, o ar extatico das suas lyricas, veio-lhe no sangue. Numa remota ascendencia lá está frei Agostinho da Cruz a assegurar-lhe a fatalidade da herança.

Não é esteril a intervenção da hereditariedade na comprehensão moral d’um poeta. O incomparavel mistico da Arrabida renasce espiritualmente na alta uncção lyrica e nos piedosos enternecimentos de Antonio Feijó.

Tenho aqui, sobre a minha mesa, esses dois bellos livros — a Mystica de frei Agostinho e a Ilha dos Amores, — tão proximos pelos laços de familia e tão afastados pelo poder do tempo. O epilogo da Ilha dos Amores, essa piedosa aspiração a uma vida mais simples, a um ruralismo honesto e socegado, o que é elle, senão a affirmação d’um mysticismo profundo, obliquado pela acção dissolvente do meio e pela orientação revoltosa do tempo? E tinhas Deus, para te consolar, — diz dolorosamente o poeta, no pungente isolamento a que o condemnou a sua propria superioridade cerebral. O mesmo enlevo mystico d’aquelle, que

Nas pedras do deserto achou brandura, Nas serpentes da serra piedade E nas pelles das feras cobertura.

Lendo um e outro, o velho Agostinho Pimenta e o novo Antonio Feijó, vejo a affirmação de dois grandes poetas e a imposição de duas grandes almas. Entre o profundo amigo do duque de Aveiro e o louro diplomata, as differenças apparentes fundem-se numa grande semelhança intima. O primeiro, victima da sua emotividade excessiva, fugiu do amor da terra para o amor do ceu; o outro, galante e vivo, deixou-se ficar pelo amor da terra, e em grande verdade, ficou melhor. Mas quando a evocação da mulher domina os espiritos d’um e de outro, quando o sentimento da côr lhes illumina os olhos, então as apparições da Ilha dos Amores teem a mesma luz que a apparição de Magdalena e de Santa Clara aos olhos pisados do frade. Vejamos se as figuras que passam na insula encantada, vestidas de oiro e de sonho, as não poderia ter evocado o cerebro d’um mystico como Juan de la Cruz, Jacopone de Todi ou Lourenço de Medicis? Uma voluptuosa de si mesma; outra, a lyrica Ignez, duas vezes virgem, aquella, toda de sol vestida e de astros coroada; aquell’outra ainda, santa illuminada a oiro, no esplendor d’uma Assumpção, — o que mostram todas ellas, senão que o erotismo e o mysterio não são mais que dois ramos da mesma arvore ou duas flôres do mesmo ramo? O mysticismo de Agostinho Pimenta e o erotismo de Antonio Feijó, o que são elles, senão uma e a mesma coisa?

Disse eu, que o poeta da Ilha dos Amores tinha um logar aparte entre os technicos portugueses. A sua technica, sendo nalguns pontos decadente, é, por assim dizer, classica e impeccavel no seu decadismo. Feijó afastou-se da discutivel rigidez do classico absoluto, e fez um classico seu, de cujas formulas se não aparta. As liberdades da sua technica chegam a ser mais difficeis do que as difficuldades da technica parnasiana. É um caso esporádico nos annaes da nossa lyrica. Seja como fôr, Feijó tem no seu passado, como demonstração clara da sua impeccavel métrica, dois livros modelares. Nas proprias paginas do Auto do meu affecto, conserva-se um parnasiano puro. O mesmo nos sonetos da Alma Triste. A Ilha dos Amores veio apenas mostrar uma face nova do seu grande poder de realização. O proprio Francisco Manoel de Mello teve delirios metricos, como Feijó nalgumas das suas lyricas. E não é, por isso, menos poeta.

Deus queira que António Feijó nos traga um novo livro quando voltar, — um livro todo de branco e oiro, em que o travor das suas nostalgias seja, como neste ultimo, uma bem deliciosa nota. Até lá, envio-lhe, com as saudades d’este ceu azul, o mais enternecido abraço.

Novidades, 20 de Julho de 1897.

Julio Dantas.

Católicos e protestantes

Queridos amigos

É com muita emoção que hoje tenho uma comunicação linda a fazer. Não consigo, não posso explicar todas as razões porque é tão bonita, mas é.

Encontrei isto num blog americano:

The Protestant and Orthodox worlds responded rabidly to the seeming red meat thrown our way this week by the Bishop of Rome. In essence, the statement really said nothing new, i.e. there is one church, the Roman Catholic church, and that the rest of us are Christians but not churches because we lack apostolic succession and other permanent elements of the one Church. It’s just a restatement of Catholic doctrine by the Catholic Church…big deal.

The Catholic Catechism tells us that “All who have been justified by faith in Baptism are incorporated into Christ; they therefore have a right to be called Christians, and with good reason are accepted as brothers in the Lord by the children of the Catholic Church” and that’s all I need to know.

I love Pope Benedict and I believe that the Church is one. Whether you realize it or not, ALL the baptized are in one body. That means Benedict is your Bishop and mine, and so are all other rightfully ordained Bishops. It’s not “their problem” because we are all one. There are barriers to this oneness, but they will be worked out over time by the Holy Spirit. I am fine with being considered a separated brother by Catholics, we have much in common.

Turning to Pope Benedict, here is a look at his endorsement of the Latin Mass from First Things. I love the Latin Mass. I’ve only been part of it once, but it was very moving. Kudos to him for allowing the ancient practice of the church to flourish. And look at this interesting statement that he made at the start of his Papacy about the Magisterium of the Church and the infallibility of the Pope:

This power of teaching frightens many people in and outside the Church. They wonder whether freedom of conscience is threatened or whether it is a presumption opposed to freedom of thought. It is not like this. The power that Christ conferred upon Peter and his Successors is, in an absolute sense, a mandate to serve. The power of teaching in the Church involves a commitment to the service of obedience to the faith. The Pope is not an absolute monarch whose thoughts and desires are law. On the contrary: the Pope’s ministry is a guarantee of obedience to Christ and to his Word. He must not proclaim his own ideas, but rather constantly bind himself and the Church to obedience to God’s Word, in the face of every attempt to adapt it or water it down, and every form of opportunism.

Benedict sees his role as binding himself and the Church to obedience to God’s Word – period. That’s a pretty cool statement, almost Protestant in emphasis. Of course we disagree about what God’s Word says, but I probably disagree more with Baptists than with him, and it will get worked out. I don’t want to hear about idolatry from people who put the flag of our secular Empire proudly on the stage of their church and don’t think twice about it.

Esta atitude assumida de amizade, e de alegria acompanhando a concepção de sermos todos cristãos, todos de Cristo, da parte de um protestante, é linda – raramente me cruzei com ela.

Do

A Living Text, em

Did Christ establish one church?

”A Nossa Senhora” – I

Há muito que queria colocar aqui no meu blog, o sublime poema ”A Nossa Senhora”, uma obra prima de António Nobre, e um dos meus favoritos absolutos – assim como estes ”Ave Maria”, fosse aqui, fosse na Lira de Terpsichore.

Espero que tirem o tempo para ouvir.

Sumi Jo – Caccini – Ave Maria 04:00

Ave MariaSumi Jo, está não só a cantar bem, está a rezar.


Jessie Norman – Ave Maria

Jessie Norman at Notre Dame. A Christmas Concert. Charles Gounoud. Orchestre de L’Opera de Lyon. Music Director – Chefdirigent – Diredtion musicale Kent Nagano

Time: 03:57

Sublime, a oração de Gounod.

Segue-se agora aquele que é, por agora, o Poema à Mãe Divina, mais bonito da Terra…

(A este respeito, relembra-se também o livro de Herman Hesse, Narciso e Goldmund… um, que por sua vez, não ”está aqui ao pé de mim…”)

A Nossa Senhora
Ó mística mulher, nascida na Judeia,
Fantasma espiritual da legenda cristã!
Imperatriz do Céu, que para além se alteia,
A Nação de que a Terra é uma pequena aldeia,
E simples lugarejo a Estrela-da-manhã!
Morena aldeã dos arredores de Belém!
Mãe admirável! Mãe do Sofrimento humano!
Mãe das campinas! Mãe da Lua! Mãe do Oceano!
Ó Mãe de todos nós! Ó Mãe de minha Mãe!
Vela do Altar! Casa de Oiro! Arca da Aliança!
Rede do Pescador! Lanterna do ceguinho!
Ó meu primeiro amor! Minha última Esperança!
Amparo de quem vai pela existência, e cansa!
Oblação pura! Silva de ais! Vela de Moínho!
Meu Sete Estrelo! Mar de leite! Meu Tesoiro!
Palácio de David! Ó Torre de Marfim!
Anjo da Perfeição! cujo cabelo loiro,
Caído para trás, lembra uma vinha de oiro,
Que eu desejara ver aos cachos sobre mim…
Grão das searas! Sol d’Abril! Luar de Janeiro!
Luar que ruge os cravos, sol que faz corar a vide…
Alimento dos Bons! Farinha do moleiro!
Auxílio dos cristãos! Vela do marinheiro!
Portas do Céu! Glória da casa de David!
Sol dos dóis! Ãncora ebúrnea! Águia do Imenso!
Vinho de unção! Pão de luz! Trigo dos Eleitos!
Ideal, por quem, a esta hora, em todo o Mundo, eu penso,
No Ar se ergue, em espirais, um nevoeiro de incenso,
E desgraçados, aos milhões, batem nos peitos…
Ó Fonte de Bondade! Ó Fonte de meus dias!
Vaso de insigne Devoção! Onda do Mar!
Coroa do Universo! Asa das cotovias!
Ogiva ideal! Causa das nossas alegrias!
Ó Choupo santo! Ó Flor do linho! Ó nuvem do Ar.
Carne, de Cristo! Cidadela de altos muros!
Santuário da Fé. Lancha de Salvação!
Alma do Mundo! Avó dos séculos futuros!
Fortaleza da Paz! Via-Láctea dos Puros!
Monte de Jaspe! Rosa Mística! Alvo Pão!
Sangue do leal Jesus! Cadeira da Verdade!
Vime celeste! Água do Mar! Pérola Única!
Mulher com vinte séculos de idade
E sempre linda mocidade
Pelas ruas do céu, passas, cingindo a túnica…
Cesto de Flores, Advogada Nossa!
Alvéu de espuma! Cotovia dos Amantes!
Escada de Jacob! Sol da Sabedoria!
Rainha dos Mundos! Pão nosso de cada dia!
Ó véu das noivas! Ó Farol dos navegantes!
Ó Leme da Arca-Santa! Ó Cruz dos sítios ermos!
Toalha de linho! Hóstia de luz! Cálice da Missa!
Modelo da Pureza! Espelho da Justiça!
Estrela da Manhã! Saúde dos enfermos!
Ó Virgem Poderosa! Ó Virgem Clementíssima!
Ó Virgem Sofredora! Óh Virgem Protectora!
Óh Virgem Piedosa! Ó Virgem perfeitíssima!
Virgem das Virgens! Minha Mãe! Nossa Senhora!

(A. Nobre, Coimbra,1889)

Jóia de Agustina Bessa Luis

A poesia, entre os árabes cultos, foi julgada como um poder de comunicação capaz de produzir o encantamento do ouvinte e uma estética de compreensão. Ela exigia um estado de inteligência que prescinde do pensamento Agustina Bessa Luís

Roubadinho da CigarraJazz, a quem penso poder aconselhar a todos os muitos apreciadores de Jazz – que eu, nem sou.

Mas quanto ao tema do postal, é pano para mangas! Eis um dos grandes empasses . Isto era só para os ”árabes cultos”? Em que forma é que esta estética da compreensão, e compreensão de que há um estado de inteligência que prescinde do pensamento, está e esteve presente ”no Ocidente”?

Esta mesma compreensão tão procurada no Oriente, são milhares, milhões de pessoas, inclusivamente de jovens que perdem muitoe anos suas vidas aos pés de gurus que mais tarde se revelam pervertidos – em grande parte por causa da ignorância entre nós do que se relaciona com esta questão.

Questão estética, filosófica e religiosa crucial, onde é que se encontra uma sabedoria a este respeito, no ”Ocidente”? Está perdida? Apenas escondida por entra confusão e muito fumo?

E, por entre os muitos autores que me vêem à mente, menciono, com grande respeito, a belíssima e grande Simone Weil que descreve como num processo de interiorização ela costumava dizer um certo poema muita concentrada e lentamente, e que assim aconteceu receber uma revelação…

Ah que saudades tem minha alma disto, do que é mais importante, crucial!

E esta perdição é que é a perdição de Portugal.

48, Tomás

Jesus disse:

– Se nesta casa dois fizerem as pazes um com o outro, eles dirão à montanha ”afasta-te”, e ela afastar-se-á.

O Evangelho de Tomás: 48., (JMRobinson revised defenetive new translation:

(48) Jesus said, ”If two make peace with each other in this one house, they will say to the mountain, ‘Move away’, and it will move away.”

Com paixão contagiante – quem é Augusto F. Castilho?

Falando de fúria sagrada; de discurso inspirado; de falar que respira:

SERMÃO DA CARIDADE

Pregado na 5.ª dominga da Quaresma de 1839 na Sé de Lisboa pelo Cónego Arcipreste da mesma Sé, o Doutor de capelo em Cânones Augusto Frederico de Castilho

Deus, para tornar as virtudes caras, e acessíveis até aos mais faltos de discurso, não criou a caridade, senão que a tirou de suas próprias entranhas, e orvalhando-a sobre a terra, lhe deu por bênção que de todas as mais virtudes fosse ela semente e fruto, seiva interior e graciosa florescência; e ela aí nos ficou independente de qualquer reflexão, afecto inato, instinto (porque o não diremos?), instinto moral. Ainda mais, senhores: não só a tornou o mais profundo, mas também o mais extenso de todos os afectos, para que, sobre encher-nos o coração de virtude, ela no-lo pudesse ocupar; sobre constituir-nos felicidade, no-la pudesse tornar permanente. Oh! que maravilhosa não é esta caridade, que em todas as idades, e em todas as circunstâncias da vida e do mundo, sempre acha alimento, sempre lhe renascem objectos, e infinita como o Céu, donde procede, cobre, como ele, toda a Natureza criada, passa dos homens aos animais brutos, destes aos próprios entes insensíveis, adivinha infortúnios, inventa e persuade socorros, até para entes que os não sabem agradecer, que os não requerem, que os não precisam!

Tem a caridade, como as demais paixões, os seus excessos; momentos em que se não sabe conter, nem governar; suspiros, lágrimas, e desalentos; entusiasmos, ímpetos, e arrojos heróicos; mas, como tudo lhe nasce do amor e compaixão, tudo é terno, tudo é mavioso e consolador. Virtude de virtudes, virtude única onde não há excessos. Pela caridade principalmente nos podemos dizer imagens de Deus, e obras-primas da criação. Ler

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