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A ILHA DOS AMORES – I

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PESSOAL

Eu, a Poesia e os Lusíadas

Apesar de já nessa altura, ser uma apaioxanada pela poesia,  não gostei dos poucos Lusíadas que estudamos na escola. Sentia uma aversão íntima e expontânea (nada que me fosse ensinado)  à maneira como os indígenas eram referidos, no seu total.

Em segundo lugar, também não gostava do poema ”construído” à força. Das voltas completamente visíveis à frase e ao verso, para encaixar num efeito pretendido, exterior à ideia ou sentimento.  Detestava praticamente toda a poesia em rima! Achava-a retorcida, forçada, falsa. Um fingimento. E eu não acreditava que o poeta fosse um fingidor…
Apesar de desde os 13 a poesia ser a minha maior companhia, só muito tardiamente me interessei pela poesia rimada….

Tenho bastante admiração e curiosidade por pessoas que tiveram um trajecto diferente.

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Invasão

A coisa mais difícil deve ser conseguir continuar a escrever da mesma forma. Como se falando connosco próprios ou como escrevendo para nós próprios. Ou como um diário. Francamente, até me admira não ouvir mais reflexões sobre esta relação muita complexa entre o íntimo, e o público.

Ele há tantas coisas…

Mesmo na intimidade de um círculo de potenciais amigos, a coisas já é complexa… mas aceitável…

Agora, para mim, tudo se complicou. Estou grata pelas amigas que fiz. E amigos. Não só grata, mas muito feliz também. Quero dar de mim quanto a essas amizades. Sem dúvida. Conhecemo-nos graças a este meio, mas isso ainda nada é. Agora é preciso cuidar da flor… Há pessoas preciosas, que contactei, e cujo contacto, para mim, está aguardando! Não posso fazer tudo ao mesmo tempo.
Por de certo que saber manter um blog, não é, na maioria das vezes deixando-o ser muito pessoal e íntimo. A intimidade não é uma coisa que possa ser sacada pela Google e guardada algures anónima e incógnita para qualquer um.

Foi isto que me aconteceu e estou um pouco em estado de choque. Desde a publicação da entrada ”relações entre o humor e o terror”, que tudo mudou no meu blog Bloqueado, ”hot-linked”, e mais não sei o quê. A google tem estado a tirar TODAS as imagens do meu blog, uma a uma. Parece que isso é normal. Mas eu sinto-me muito invadida. Gosto do uso decente das imagens, na melhor qualidade possível, e com respeito. Tenho-me dado a grandes trabalhos para tentar aprender e chegar a qualidade de imagem e de leitura – daí esta mudança de templates, à procura de algo que me satisfaça minimamente: é o artista em mim!!

Mas vir o Google aos blogs pessoais tirar imagens para as colocar num gigantesco acervo das mesmas imagen, sem qualquer relação e contexto, não: acho horrível. Tinha aqui um Almada Negreiros, e um outro pintor português que é desconhecido até para a maioria dos portuguese, quanto mais os estrangeiros. Então agora qualquer pessoa pode ir buscar essas imagens lá algures nas ”imagens do Google” para ilustrarem uma coisa que nada tenha a ver, e sem qualquer respeito por arte, ou pelo artista? Como uma grande fábrica de ”imagens”, em que não há qualquer distinção entre a porcaria mais reles, e um quadro de um artista?? Isto não é horrível?

Estou chocada.

Não gosto. Não me parece bem. A que propósito é que o Google, uma organização tão grande, tem o direito de vir retirar dos blogs pessoais todas as coisas dos seus contextos? Isso é algo muito diferente de alguém que navegando o google encontre um link que lhe parece interessante, e visitar esse blog. Ou de alguém que busca determinado tema, e encontra o nosso blog. Isso, é lindo. Mas o que o Google faz destas maneira, é o oposto.

Todas as imagens uma a uma, foram isoladas. A minha lista de visitantes e referências, assim como as palavras de busca que aqui vêm ter, desapareceram, subsituidas por esses google.images. Quando as pessos procuram o contexto daquela imagem, inclusivamente, nem registam a entrada no meu post referente.  Nem o link delas nem a palavra de busca: fica registado. Eu estava a ter mais entre os 300 e 400 visitantes diários. Desapareceu a maioria de um dia para o outro, assim como os registo dos posts que eram mais visitados. A alguém mais aconteceu isto??

Filosofia em Leiden

Acabei de fazer uns 15 km de bicibleta, da Faculdade em Leiden até Haia. Isto depois de 3 horas de Filosofia da Mente. E 3 horas de ”Filosofia na Antiguidade” (”Filosofia Antiga” literalmente, mas duvido que isso se deva dizer assim em Português. ).

Sinto uma vontade enorme de trabalhar – quero dizer, estudar. Sinto-me incrivelmente feliz com o estudo. Infelizmente não pude estar bem preparada para o começo! Tinha esperança de poder ir aumentando o ritmo aos poucos. De estudar mais, mais tarde, de poder ir arranjando a minha vida, ir tratando de tudo o que tenho a tratar – montar uma vida do nada, de novo. Reconstruir uma vida que tenho a reconstruir – mas isso sim!: o ritmo do Curso é vertiginoso! A quatidade de matéria e de trabalho de casa, estonteante! Todos os dias. Não há maneira de conseguir recuperar seja o que for que haja de atraso! Sobretudo para mim.

Sim porque para mim, tudo é diferente de para os meus colegas. Estudar filosofia em holandês, é uma loucura. É uma complicação de línguas e o que se passa no meu cérebro… só eu sei – ou nem eu sei.

O curso de Filosofia em Leiden pertence aos cursos mais difíceis e pesados. Somos muitos alunos – enquanto que a faculdade não está preparada para um grupo tão grande.

Ainda não tive um momento de prazer no sentido em que desde o princípio que não me pude dedicar ainda a estudar. Tenho andado sempre a correr a tratar de outras coisas. Todas as outras pessoas, que são holandesas dizem que não poderiam recuperar. Portanto eu tenho que fazer possível uma espécie de milagre. 🙂

O facto de eu ter estado para aqui a ”blogar” demoradamente nos últimos dois fins de semana – praticamente, pois em risco todo o meu estudo. Devia ter estado a estudar que nem uma doida… (devido ao necessário atraso que tive). Este atraso possivelmente continuará a perseguir-me….

O mínimo que é preciso completar, é muito puxado – se não se conseguir, é-se posto na rua. E não se pode voltar ao mesmo Curso!!! :((( Todo o TPC (as montanhas de TPC) são obrigatórias, assim como a presença nas aulas. Tenho aulas todos os dias da semana, tenho 6 cadeiras, com aulas de 3 horas puxadíssimas cada. Há disciplinas que é impossível eu seguir ( :)) – mas sigo à mesma. Há disciplinas que os colegas (já se vê, todos holandeses) se queixam da velocidade impossível de seguir do discurso dos professores – que entram em black-out – que não conseguem seguir nada!! Agora imaginem a pobre da Terpsichore no meio daquilo!

O pior é que a velocidade aumenta cada semana. Como se eles pudessem cada vez falar mais depressa! Que loucura! Há um que é absolutamente …lírico! Ele fica tão entusiasmado, tão apaixonado, tão inspirado…aquilo vai tudo como um poema de um folgo inteiro sem pausa…. até ao fim….

Com excepção de um professor, são todos muito entusiastas, apaixonados pela matéria…e bons professores, acho eu (por enquanto :)) !

Um Diário: no blog ou no meu livro azul?

I – Um diário

Perguntas – Respostas – Explicações

Neste momento, à parte outras razões da vida pessoal, custa-me escrever aqui, também porque não tenho um computador decente, nem o software minimamente organizado de forma a fazer disso algo mais ”próximo de mim”, mais intuitivo e menos dificultado por razões estéticas.

Ontem encontrei uns livrinhos em branco muito lindos que me dão vontade de lá escrever, a tinta azul permanente, uma espécie de diário, muito pessoal e específico. Vou fazer isso? Ou vou escrever aqui – e até eventualmente deixar o blog só reservado para uma parte do público? Tudo coisas que não sei.

Dir-se-á que posso tentar as duas coisas – mas isso é que não sei – deve demorar um tempo que não tenho. Se escrevo no papel, não o vou copira para aqui.

Alguns criaram uma espécie de indentidade ”bloguista”, personagens que depois se podem encerrar de um dia para o outro, personalidades fictícias. Não é nada disso que quero, por muito valor que tal possa ter. Neste momento não tenho tempo para nada disso. Só o tal diário é estritamente necessário e imprescendível. Um diário mesmo a sério.

Faz-se isso em público? A dúvida continua a ser a mesma.

II – Quais as razões deste diário público?

Porque será melhor para mim escrever aqui um diário, em vez de no meu livrinho privado? Deve haver várias e não vou dizê-las todas.

Uma das razões será o diálogo. Diálogo com certos portugueses.

Trabalhar para que um diálogo seja possível mais tarde, (quando eu me formar), querer aprender de pensadores presentes na internet, quebrar o meu isolamento supremo, comunicar a minha verdadeira Odisseia, partilhar o meu longo caminho de aprendizagem – isso não será trivialidade. Se isso não for possível, pararei. Se for possível, parece-me válido. E não esqueçam: estou exilada, e tenho vivido exilada quase toda a vida, e podem ajudar-me a aprender e exercitar o português, de uma forma que só é possível no diálogo com outros portugueses.

Arriscado é. Porque não sou nenhuma personagem pública. Aqui é que está a complicação e paradoxo. No fundo, desejo manter privada a minha vida privada – e ao mesmo tempo, vou dizer coisas que revelam algo da minha vida privada… Talvez a particularidade da minha vida me obrigue a tal. Talvez seja esta a forma de a resolver parcialmente.

(Ui! Cuidado! Os portugueses não são pessoas que gostem de pessoas que resolvam coisas. Pois não? Ou gostam? Só gostam depois, não é, quando alguém se tornou famoso coisa e tal – aí é tudo graxinha. Mas quem está a passar pelas brasas – deixa-se assar vivo, que ”se não querias assar, deixavas-te estar como estavas, que estavas melhor”.)

A forma como quero usar este blog, é talvez um pouco diferente de como é usado por algumas outras pessoas. Na verdade, não o quero público mas sim como um contacto e troca de ideias com algumas pessoas e pensadores, amigos, professores, como se trocássemos mails entre nós. Dado a falta de tempo, é uma tentativa de este diálogo poder ser mais como um ”jantar” entre alguns amigos. Penso até na possibilidade de às vezes me poder dirigir privadamente a certas pessoas. Nada impede nomeadamente que não haja mails privados pelo meio.

III – A selecção do que escrevo, e a pressa

Escrevo com pressa. Tenho que me cingir e deixar muita coisa. Às vezes, tenho que deixar também coisas por responder. Mas isso não implica que eu não tenha escutado bem os comentários ou respostas de pessoas com quem mais quero dialogar: pelo contrário. Podem crer que todos os comentários escritos com o coração, ressoam no meu e cá se multiplicam.

Sou também assim na realidade: introvertida por natureza, há muita coisa, na maioria das vezes o que tem mais valor, que prefiro guardar no coração, ou falar ‘silenciosamente’, em vez de responder com alguma trivialdade. Prefiro agradecer ”em acto”.

Ainda há dias, creio que foi o Jansenista que afirmou que um blog nos obriga a abordar questões só superficialmente. Escrever trivialidades, nada me interessa.

É preciso um esforço contínuo para voltar a esse ”diário”, de introspecção e reflexão que justamente procuro.

No entanto, o diálogo é a razão deste blog.

IV – O esforço por Portugal e pela Língua

O meu desejo é dar a minha pequena contribuição, razão crucial e principal para manter este esforço ”público”.

Sou pessoa em aprendizagem. Correções e ensino, são bem vindos. Mas sem diálogo com portugeses, todo o Português que nos últimos tempos consegui recuperar, recuará de novo.

Quero manter-me ocupada com as questões portuguesas.

Apesar deste povo e País ter sido para mim como um carrasco. Repetidamente.

V – O que é o meu mundo e o que procuro?

O mundo exige:

– mostra-me quem és. – Mas o fundo do Oceano não se pode mostrar à Superfície. Não é possível virá-lo do avesso, e trazê-lo ao de cima: para conhecer o fundo do Oceano e seus misteriosos tesouros, é preciso mergulhar nele, aprender um outro ritmo, e respirar num outro elemento.

Espinoza diz no princípio da sua Ética que o leitor só quando chegar ao fim do livro, o pode compreender, não antes. Assim estou eu. Seja o meu caderno escrito a caneta de tinta permanente, seja o meu blog, este é o Oceano, o tal das tormentas de que falo no sub-título do blog.

Não me admira nada que os Portugueses tivessem recebido impulsos de fora para realizarem as suas travessias de Mar: o português é dado a viajar só na vertical. É atraído pela ausência de acção e movimento, porque é atraído pela paragem do Tempo. Porque é a Eternidade que lhe interessa. É nisto que o Português é mais Oriental que Ocidental.

A nova missão é esta: a Navegação Vertical, que é a Libertação. Elevarmo-nos implica primeiro mergulhar na profundidade.

VI

Razões estritamente privadas e cruciais fazem com que eu por enquanto não deva nem possa quebrar o anonimato. Essas razões são graves, de profundo sofrimento pessoal, de foro familiar – e quem goze com isso, ou pense desprezar por isso, está a ser idiota.

VII

Se os meus outros blogs estão de momento parados, isso deve-se portanto às razões acima indicadas: a falta de um computador, sotware e conhecimento com o qual seja agradável e mais rápido ”postar” o que eu gostaria – e sobretudo, a total falta de tempo.

VIII 

Porquê que ler 8 posts pequenos ou médios, não custa nada, e ler um grande parece um grande esforço?

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