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A ILHA DOS AMORES – I

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PENSAMENTOS

Toda a Arte

“É melhor escrever para si mesmo e não ter público do que escrever para o público e não se ter a si mesmo”. “

“Cyril Connolly: de Antonio Fernando Borges,


É melhor pintar, dançar, cantar, esculturar para si mesmo e não ter público do que fazê-lo para o público e não se ter a si mesmo.



Invasão

A coisa mais difícil deve ser conseguir continuar a escrever da mesma forma. Como se falando connosco próprios ou como escrevendo para nós próprios. Ou como um diário. Francamente, até me admira não ouvir mais reflexões sobre esta relação muita complexa entre o íntimo, e o público.

Ele há tantas coisas…

Mesmo na intimidade de um círculo de potenciais amigos, a coisas já é complexa… mas aceitável…

Agora, para mim, tudo se complicou. Estou grata pelas amigas que fiz. E amigos. Não só grata, mas muito feliz também. Quero dar de mim quanto a essas amizades. Sem dúvida. Conhecemo-nos graças a este meio, mas isso ainda nada é. Agora é preciso cuidar da flor… Há pessoas preciosas, que contactei, e cujo contacto, para mim, está aguardando! Não posso fazer tudo ao mesmo tempo.
Por de certo que saber manter um blog, não é, na maioria das vezes deixando-o ser muito pessoal e íntimo. A intimidade não é uma coisa que possa ser sacada pela Google e guardada algures anónima e incógnita para qualquer um.

Foi isto que me aconteceu e estou um pouco em estado de choque. Desde a publicação da entrada ”relações entre o humor e o terror”, que tudo mudou no meu blog Bloqueado, ”hot-linked”, e mais não sei o quê. A google tem estado a tirar TODAS as imagens do meu blog, uma a uma. Parece que isso é normal. Mas eu sinto-me muito invadida. Gosto do uso decente das imagens, na melhor qualidade possível, e com respeito. Tenho-me dado a grandes trabalhos para tentar aprender e chegar a qualidade de imagem e de leitura – daí esta mudança de templates, à procura de algo que me satisfaça minimamente: é o artista em mim!!

Mas vir o Google aos blogs pessoais tirar imagens para as colocar num gigantesco acervo das mesmas imagen, sem qualquer relação e contexto, não: acho horrível. Tinha aqui um Almada Negreiros, e um outro pintor português que é desconhecido até para a maioria dos portuguese, quanto mais os estrangeiros. Então agora qualquer pessoa pode ir buscar essas imagens lá algures nas ”imagens do Google” para ilustrarem uma coisa que nada tenha a ver, e sem qualquer respeito por arte, ou pelo artista? Como uma grande fábrica de ”imagens”, em que não há qualquer distinção entre a porcaria mais reles, e um quadro de um artista?? Isto não é horrível?

Estou chocada.

Não gosto. Não me parece bem. A que propósito é que o Google, uma organização tão grande, tem o direito de vir retirar dos blogs pessoais todas as coisas dos seus contextos? Isso é algo muito diferente de alguém que navegando o google encontre um link que lhe parece interessante, e visitar esse blog. Ou de alguém que busca determinado tema, e encontra o nosso blog. Isso, é lindo. Mas o que o Google faz destas maneira, é o oposto.

Todas as imagens uma a uma, foram isoladas. A minha lista de visitantes e referências, assim como as palavras de busca que aqui vêm ter, desapareceram, subsituidas por esses google.images. Quando as pessos procuram o contexto daquela imagem, inclusivamente, nem registam a entrada no meu post referente.  Nem o link delas nem a palavra de busca: fica registado. Eu estava a ter mais entre os 300 e 400 visitantes diários. Desapareceu a maioria de um dia para o outro, assim como os registo dos posts que eram mais visitados. A alguém mais aconteceu isto??

Ainda o explorar

Meditando no fenómeno da exploração e suas consequências, observe-se a diferença das funções que cabem a empresários estrangeiros, ou a empresários portugueses. Os estrangeiros, podem, ao provocar o nosso arrasamento, estar a servir interesses do seu próprio País. Poderá vir a ser posto em causa a sua moralidade ou justiça, sem dúvida, mas será até certo ponto absolvido por estar a servir outros interesses que não só o seu pessoal. Isso dá-lhe força psicológica, emocional. Um espanhol do El Corte Inglês, um inglês que lucre no Porto ou no Madeira, não são contrafeitos por escrúpulos. Estão a fazer algo de bom, lá para eles. Um empresário português, não. Ao servir objectivos errados, está sempre, a destruir-se a si próprio. Embora não seja suficientemente esperto para o ver. Embora pareça que ”se safa”. Mais tarde ou mais cedo, a verdade virá ao de cima. E é feio. A traição é sempre feia, e ainda nunca na vida fez seja quem for, feliz. Tudo isto, portanto, retira forças, orgulho nacional, creatividade, poder de organização. Até porque todas as traições têem que ser feitas às escuras, subrrepticiamente…

Esperto esperto é quem vê muito ao longe e de perto.

Explorar o solo, a região, a floresta…o País…

Explorar. Não falo da exploração no sentido carregado de orientações políticas ou de slogan. Falo de explorar, simplesmente. O sentido de querer algo para tirar de lá qualquer coisa. Tirar. Retirar. Levar.

O que seria de uma orquestra, se os seus elementos tocassem ‘‘explorando-se” uns aos outros, para conseguirem os seus próprios objectivos de brio pessoal? O que seria da Música, se cada elemento da orquestra, reduzisse a um único objectivo, o do recebimento de ordenado, a criação do compositor?, a ânsia de elevação, a tragédia e esforço humano presentes nas vidas dos outros músicos, o espírito da obra, a beleza e maravilha da arte, o talento?

Qualquer orquestra, composta de tais elementos, se destrói a si mesma em pouco tempo, ninguém a quererá ouvir; será incapaz de produzir arte ou música – destruindo a realizão do seu próprio objectivo de sobrevivência.

O mesmo se passa nos outros campos e meios da vida em que se explora.

Mar Alto

Isto ele há cada uma! Não é que (neste Mar Alto picado de muitas ondas,) fui parar ao postal ”pecaminoso”, no Cozinha, através das Eternas Saudades! Pois só podia ser mesmo!

Quanta Eterna Saudade eu tenho passado!…do presente, passado e Futuro – todas! (Condenada por esse fogo do tudo ou nada.) E sobretudo naquela terra que, inocente, refere o Gastrónomo.

Mas caro João, mesmo com as espias, sou das que a ”Esperança de novas alegrias” não abandona. Nem é (só) esperança, é mais uma certeza. O Futuro o há, isso é certo. Não no futuro, mas no Eterno sempre presente. E, se não no Mar, no Alto será. Mas porque esse é certo, nos compete ser com-batentes, mesmo no incerto, que não há outra razão de este mar navegarmos.

E se as Musas o brindaram com essa dádiva já de nascença… que maravilha! (Que sorte! Ou há-de uma boa alma o ter merecido…). No entanto, para quem fica atrás de vós, para quem só aí pelos 30 e tal mergulha num entendimento mais integral da linguagem arcaica da lírica do Poeta, há uma consolação. (O que rouba quem não sabe ensinar! E em casa, Ah em casa! – isso nem se pode nomear). …A consolação é que, no caso desse florir mais tardio, a altura e beleza camoniana penetram mais fundo – dão uma Alegria redobrada ao entendimento iluminado por prazeres menos efémeros.

Mas cuidado com esse ”de todo”, que aí é que está o segredo …- tanto da felicididade como da infelicidade. 🙂

Ouvi falar – Caderno1 – II

Autistas – 1986
Técnica mista sobre papel mista –
170×98 cm

Isabel de Sá


Ouvi falar o doutor que de Portugal ser pobre dizia

e do meu dizer que antes ele é rico, saber, o doutor não queria.

Coitado de Portual que do Universo rei verdadeiro, quer ser

quando na verdade, nem sua cegueira consegue ver!

Mas se cuidasse o Deus, das palavras em mim para aos homens dizer

quem cuidaria do coração que em tanto meigo homem habita

Para um dia a Humanidade, Criança, de novo, Ser –

como Deus, do início dos tempos, dita?

Ah fosse eu rei! – pelo saber-fazer do que agora não sei –

homem! – para poder o que só eles podem –

medíocre! Ou outra coisa qualquer!

Desta Angústia, como outros, eu não sofreria!

Incomodar-me-ia apenas, ligeira, como o faz há sete mil anos a mulher

quando já a meio, a guerra, a perda, o horror, irreversível, se anuncia.

”Eternas Saudades do Futuro”

Obrigatório visitar

BIBLIOGRAFIA OBRIGATÓRIA

Se, citando mais uma vez Fernando Pessoa, (…) Uma nação que habitualmente pense mal de si mesma acabará por merecer o conceito de si que anteformou. Envenena-se mentalmente —, então há que procurar os indícios de veneno mental que, no pensamento como na literatura, sob os alibis da crítica social, do racionalismo e do progressismo, tem vindo a deitar por terra a nossa identidade nacional, a nossa personalidade colectica, a nossa independência política.
A Ideia de Portugal na Literatura Portuguesa dos Últimos Cem Anos
, António Quadros, edição Fundação Lusíada, colecção Lusíada – Ensaios, n.º 1, Lisboa, 1989.

 

Menos só, me pensei, porque me alegrei de saber de quem partilhe desta visão.

 

Reconhecida ao autor do Eternas Saudades.

 

”internacionalismo centralista e ávido de comparação e seguidismo em face do Alheio”

” Só ao vitimar-nos o internacionalismo centralista e ávido de comparação e seguidismo em face do Alheio é que a Referência Sebástica deixou de ser estímulo do esforço para se transformar na nostalgia lunática que artificialmente permitia abstrair da decadência que entrava pelos olhos dentro.” Em Afinidades Efectivas.

Concordo tanto.
E não é este ”internacionalismo centralista e ávido de comparação e seguidismo em face do Alheio” consequência inevitável daquele despeito, desconfiança, menosprezo, de que falou o Paulo uma outra vez? E não é este menosprezo provocado pela falta de (re)conhecimento das forças, possibilidades, qualidades e destino próprio? Enfim, quero dizer, das reais, não dos sonhos irrealistas: desde as amêndoas e pinhões aos grandes poetas, e a Marinho. Desde os artesanatos, a pessoas de talento, à Natureza plena de riquezas cobiçadas, desejadas e necessitadas pelos outros povos?

Lembro-me de uma vez, estava eu na presença de um ”Professor-Doutor” que falando para um grande grupo de jovens sequiosos de conhecimento – e era suposto ele ter qualquer coisa de especial a dizer – declarou: ”o nosso País não tem riquezas Naturais; não podemos investir em nada a não ser em mandar jovens para o estrangeiro para se formarem melhor”.

Suponho que precisamos dos tais ”jovens formados no estrangeiro” que venham para cá e que digam: O nosso País é riquíssimo!? É pobre é em organização, e no reconhecimento da sua riqueza, em si mesmo, e especificamente em relação com os outros Países?

Não será que é como na educação da criança? Criada quase exclusivamente com ”mensagens negativas” – não se consegue desenvolver, está atolhida, atrofiada, e debate-se com os problemas inevitáveis de quem não recebe o apoio de que precisa para crescer e aprender; de quem ouve contínuas comparações com ”os outros, que fazem tudo bem – ela tudo mal” ; exemplos, ainda por cima, que nada têem a ver com o que é a natureza e peculiaridade dessa criança realizar?

Fernando Pessoa disse algures:

Enquanto continuarmos a dizer a frase ”Isto neste País!” não vamos mudar para melhor.

Até ele ficaria espantado, julgo eu, se voltasse cá, e ouvisse que é a frase mais dita em Portugal, diáriamente.

Tão espantado como eu fico por ouvir essa lenga-lenga repetida em todos os cantos, vezes sem conta, por tudo e por nada, e por ter lido que já Pessoa de tal se queixava!

Reparar que não me refiro justamente a quem procura soluções e mudanças.

Anotações, alinhavando ”Da Aflição” – 1

A primeira coisa que as mulheres aprendem num curso especializado de defesa, é a não gritar ”Socorro!” ou ”Ajudem-me”, etc.. mas sim ”Fogo!”.

Pessoa escreveu qualquer coisa como: ”Quem tem família e uma casa, não passa por verdadeira aflição – pessoal” (Isto tem, óbviamente um contexto perfeitamente esclarecedor – tenho que procurar).

À reflexão de Pessoa, opoem-se a reacção humana (desumana) mais comum de, ao ser-se confrontado com alguém em aflição,  se pensar imediatamente, na própria.

Callas e Ashkenazy- palavras e insegurança

A insegurança dos grandes. Quanto mais sensíveis à grandiosidade do mundo indizível e inteligível, mais mudo se fica? E desageitado…

Claro que não é sempre assim… mas não será assim muitas vezes? E além disso, uma fase necessária.

Interessante também o comentário no youtube ao video do Ashkenazy: o jovem em questão menciona que o entrevistador é um dos ”altos QIs do seu país”… (!) e não acha que o grande artista seja tímido ou modesto, mas sim que ele toma uma atitude de arrogância e despeito perante o entrevistador. O sério é que o comentador já nem consegue conceber a inocência ou genuinidade da insegurança, (a não ser que se assuma essa com claras palavras…); já não conssegue nem conceber as desageitadas palavras da timidez de alguém que se entrega à percepção directa e no momento, da presença grandiosa do que o pensamento pragmático e discursivo não exprime: a alma e o coração.

Maria Callas Interview. first interview with Bernard Gavoty , Paris 14 June 1964. Time: 10:26

Vladimir Ashkenazy interview and piano demonstration part 1
10:00

 


Maria Callas Interview.

Paris 1965 , Maria Callas interview with Bernard Gavoty. Time: 10:50

 

 

Da rapidez III

A verdade espalha-se milhares de vezes mais devagar do que a mentira.

Da rapidez II

Algures, salvo erro no ”O Idiota”, Dostoievsky fala de ”gerações e milhares de russos que viveram e morreram”, para que finalmente seja possível determinada pessoa, capaz de determinada obra, nascer e florir.

O aparentemente rapidíssimo e precoce desenvolvimento do génio… não será portanto apenas uma ilusão para quem não vê mais além?
Tudo na sociedade cada vez mais se orienta pelo princípio da rapidez….

(Por terminar)

Da rapidez

As árvores mais preciosas, são as mais lentas no crescimento.

Pessoas anómalas | Abnormal people

Para memorizar:

Devemos olhar para as pessoas anómalas do ponto de vista de um artista. Não devemos agir como num tribunal e julgá-las. Nunca deveríamos querer apresentar as suas fraquezas. Devíamos mostrá-las como exemplos de pessoas que não receberam o cuidado adequado ou atempado. Apesar de todas as leis feitas para a protecção das pessoas desprovidas, elas foram de algum modo deixadas desamparadas e começaram a usar a sua imaginação numa altura em que já não havia qualquer lugar para usar a imaginação – que então inevitavelmente se vira para si própria.

Abbas Kiarostami, in bright lights

Desta entrevista:

«A maior parte das suas personagens parece viver numa terra de ninguém entre a realidade e a ilusão. O que talvez explique o porquê de os objectivos que atribuem a si próprias estarem fora do seu alcance […]

KIAROSTAMI – Alguém me disse uma vez que a razão pela qual eu era atraído por estas personagens era a de elas serem todas anómalas. E eu acho que as pessoas anómalas, que se esforçam bastante e quebram as barreiras e passam os limites, nos oferecem algo.Devemos olhar para as pessoas anómalas do ponto de vista de um artista. Não devemos agir como num tribunal e julgá-las. Nunca deveríamos querer apresentar as suas fraquezas. Devíamos mostrá-las como exemplos de pessoas que não receberam o cuidado adequado ou atempado. Apesar de todas as leis feitas para a protecção das pessoas desprovidas, elas foram de algum modo deixadas desamparadas e começaram a usar a sua imaginação numa altura em que já não havia qualquer lugar para usar a imaginação – que então inevitavelmente se vira para si própria.»

Lido aqui

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