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A ILHA DOS AMORES – I

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Dança

Faleceu Pina Bausch

Mais um tributo à coreógrafa e bailarina alemã Pina Baush que faleceu.

Mas que tributo?

Só o facto de ter provado que um grande bailarino pode ser grande bailarino até alta idade, já é algo para reconhecidamente lhe agradecer.

Uma famosa soprano disse que só cantava determinado papel operático depois de ser avó!

É que, como grande artista, depois de se ter vivido e sofrido, estou convencida, tem-se a dizer o que não se pode dizer nem saber antes.

No caso da dança moderna e contemporânea, que se propaga como libertadora de espartilhos; que diz proporcionar menos prisão à forma fixa das posições e dos passos do ballet clássico; e mais incidência na expressão, no interior, no expontâneo, no real, nem sempre se justifica o mesmo tipo de exigência puramente física, de competição mortal e de tirania que por vezes imperou no mundo da dança. Pode haver menos capacidade atlética a partir de certa idade, mas se a alma e a consciência cresceram em contrapartida… então essa fará possível uma outra dança, que falta tem feito à humanidade e que vai além do palco e das grandes estrelas.

Le Sacre du Printemps

Orphée et Eurydice, é muito bonito. Podem ver esse bailado no                  Valquírio

O caminho dos Contos de Fadas para a Sabedoria

Em vez de ingénuos e irreais, pelo contrário, contentores de segredos? Assim penso. Falo dos contos de fadas.

O mal foi que, incompreendidos, foram pervertidos, mal interpretados – enfim, são uma fonte de saber e riqueza a descobrir.

Grande parte da sabedoria que os contos de fadas podem semear no coração e entendimento de uma criança, está esquecida. Os contos de fadas existiam já numa era em que ainda não se compreendia a existência de um inconsciente, ou da crucialidade do amor para o crescimento emocional – e substituiam uma parte dessa incompreensão.

Surpreendeu-me, não ter encontrado tanto no Ballet como na Ópera, interpretações da Gata Borralheira um pouco mais próxima daquilo que o conto trata; os contos de fadas são muito reais – embora óbviamente, sejam formados de símbolos. Mas o que fazem deles, sim, é irreal, e estraga tudo.

Com tanta falta de compreensão dos contos de fadas, com repetido cinismo sobre os ”príncipes inexistentes”, e ”a mulher passiva que fica à espera” (e não devia ficar – como se a resistência à maldade e ao mau-trato não fosse já o grande trabalho e victória que dela se exige), com as versões comerciais Walt Disney, mais as desgraças televisivas que substituiem os contos, na nossa infância, não admira os desertos emocionais, confusões e tristezas em que vivemos, num século que prometia a libertação, aliviar o sofrimento psicológico. No fundo os Contos formavam um contexto para uma linguagem e cultura da emoção e do amor, dando estabilidade mínima nesse mundo escorregadio.

Não admira que os contos de Fadas fossem sobre o amor, príncipes e princesas, e que acabassem com o ”casaram-se e viveram muito felizes”. Porque eles eram uma linguagem do crescimento (ou sobrevivência, para alguns) psicológico e espiritual, e dos primeiros passos da conquista de si próprio, para a conquista do amor e do bem.

Este querer encontrar dificuldades que é bom vencer, é tão diferente do desejar encontrar tudo já pronto, imediato, exactamente como nós queremos; isto é, no seu estádio final. O mundo dos contos é pleno de transformações – constituindo praticamente um ensinamento interior, profundo. A recompensa do belo e da felicidade não se apresenta logo acessível, mas é a coroa de uma série de passos e processos, em que está sempre presente as coisas não serem aquilo que aparentam por fora, o engano da exterioridade das coisas, que revelam outras, por vezes opostas, se não se desiste face ao que ao egoísmo desagrada, passando assim a merecê-las. Na verdade que maior força do que essa tensão entre o desejo amoroso por simples egoísmo – querer algo intensamente para a satisfação directa de suas pulsões, (como se algo de nobre houvesse nisso!) ou a força do amor que vence esse egoísmo, querendo antes dar e construir em conjunto, descobrindo assim verdadeira satisfação e prazer que não se desfaz?

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(E no entanto, tenho que dizer tudo isto de uma outra maneira… isto é tudo…remendos, miseráveis, medidas de urgência aos pés do acidente, mais nada. E, mal feitas, reconheço. Trapos! Isto é como lufadas de respiração boca à boca. Tentativas por entre os escombros. Desageitos que faço enquanto caminho o abismo. Como se nada fosse. Como se nada fosse.

Mas não é só isto. São os meus defeitos terríveis com que me debato. Visto tão facilmente minha alma de novo… de Esperança…

Ah como me cansa este adiar, eterno adiar. De tudo.

A perfeição está sempre escondida, é interna às coisas, não é sua roupa.

Ah! Repara: nos filmes, quanto pior a qualidade, mais a mulher ao passar situações de desgraça, que exigiriam o contrário, fica igualmente composta e maquillada… impecável para o perpétuo consumo.

Mas nele, como eu. Também eu, se conquistasse a felicidade, perdia-me. Não sou forte ainda. É preciso saber permanecer nu na felicidade. É preciso o impossível. Não estou pronta para ela. Antes infeliz, clamando o desespero do que prisioneira em caverna enfeitada.

Quando tiver tempo, talvez seja necessário dividir este ”texto”. Assim, por enquanto – é da maneira que quase ninguém o lerá… 🙂 e assim deve ser. É um pouco como o poeta verde: escrevia as suas palavras de sangue – ao mesmo tempo, contraditóriamente desejava que ninguém o lesse, cair no esquecimento! que desaparecessem os vestígios que tanto se esforçava por deixar!

Adeus. Agora vou mesmo ”trabalhar”, bordar o meu rendado das dificuldades supremas. Não sei se volto. A fuligem é muita.)

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Em baixo, a Gata Borralheira no Ballet:

Ambas as cenas são do princípio do bailado, em que a Gata Borralheira imagina encontrar o seu par. Na segunda versão, de coreografia mais contemporânea, trata-se, julgo eu, de um ensaio no estúdio, e inclui as irmãs más, cómicas de ver.

No entanto, embora o ballet e a ópera (esta está por enquanto no Lira de Terpsichore) sejam belos de ver, não será que, na vida, onde tudo aparenta ser o oposto, as irmãs em vez de feias, são as mais bonitas por fora, e a Gata Borralheira está coberta de fuligem, e as suas mãos rasgadas seguram amarguras…?

Não admira que os príncipes andem todos confusos, e procurem e desposem tanta mulher bonita que a vida errada, e ânsia, transforma em feia, (vi ontem fotografias de muitas jovens portuguesas, seus rostos sulcados por dores aprisionadas e trabalho demasiado) – em vez de encontrarem ”borralheiras” amarguradas, – talvez – ou até ”mortas” que se transformam na própria beleza que é felicidade, Alegria.

Nada como alguém que conheceu a mais profunda infelicidade, o Poço, para conhecer o caminho para a felicidade, para o reconhecimento do essencial. Aliás, um dos significados destes contos! – por isso estas infelizes, as mal amadas, sempre, é que se destinavam à felicidade!

Que longo ”postal”! Talvez, como o caminho para esse Encontro!…

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Alina Cojocaru as Cinderella (2003), dancing with the Broom
04:10

“Cinderella” Staatsballett Berlin 1
04:27 Polina Semionova dances.
Malakhov’s “Cinderella”
Staatsballett(Berlin Staatsoper Ballet)

Ballet e Música; e as duas Musas

Estreei há pouco tempo uma ”morada” especial para postar (é assim que se diz?) sobre música ou dança; na maioria das vezes, é a propósito dos videos youtube que encontro, com música e músicos de que gosto muito, ou de ballets e bailarinos fantásticos:

Essa morada é

LIRA DE TERPSICHORE

Visualizar

Nada que possas ter te dará satisfação, se não o puderes partilhar com alguém.

disse Séneca

Terpsichore é a Musa da dança, e da música feita e cantada em grupo; dos coros que acompanhavam a dança, etc., da música de lira e de harpa. Em contrapartida com a música de flauta, por exemplo, cuja musa é Euterpe. Porquê? Porque no primeiro caso a música é produzida por várias cordas que têem que soar em Harmonia. Enquanto que a flauta é um instrumento melódico

Assim a música de coro, ou um coro de dança, ou um grupo de bailarinos, tinham o mesmo significado que a lira ou a harpa.
PS – Terpsichore é também considerada a Deusa Mãe das Sereias, igualmente famosas pelo seu canto.

PPS – Os videos da Sylvie Guillem dançando o Manon de Massenet, são há meses dos posts mais procurados aqui na Ilha.

Da loucura dos grandes: Nijinsky, em pausas em movimento

Como esta homenagem a Nijinsky:

Nijinsky 1990 – dançado por Jorge Donn
02:43

Ballet de Maurice Béjart

22 – Jesus viu bébés a serem amamentadas; disse aos seus discípulos:

Estas criancinhas a mamar são como aqueles que entram no reino.

22 do evangelho de Tomás (minha tradução da edição em inglês de James Robinson)

(O resto, por traduzir):

(37) His disciples said, “When will you become revealed to us and when shall we see you?”
Jesus said,

“When you disrobe without being ashamed and take up your garments and place them under your feet like little children and tread on them, then will you see the son of the living one, and you will not be afraid”

Zorba, o Grego em pausas em movimento

 

Zorba’s Dance, Including The Barbecue Party 04:41

A man needs a little madness, or else he doesn’t dare to cut the rope and be free.

 

Zorba The Greek, the Greek Dance, and Greek Pride 02:42

Tenho uma cassette, daquelas muito velhas, de caixa embaciada, riscada, com este diálogo e música, que já correu mundo comigo…

 

Sylvie Guillem: Evidentia, e Willem Forsythe – Pausas em movimento

video

Sylvie Guillem – Evidentia (Evidence)
05:57

Sylvie Guillem num velho documentário, ensaiando com o coreógrafo Willem Forsythe.

Sylvie Guillem, no Manon, com música de Massenet

Voltam as ”pausas em movimento à Ilha dos Amores”, com o maravilhoso ballet de Kenneth MacMillan: “Manon.”


Sylvie Guillem and Zoltan Solymosi dançam o pas de deux no quarto 05:16

Verdadeiramente apaixonante.


Sylvie Guillem and Jonathan Cope dancçam o pas de deux final do “Manon.” 04:40

Paixão no ”Com paixão”

Um blog da cor do vinho: Com Paixão! – Dança e música bem-fadada, por Fada Oriana.

Bailarinos e músicos apaixonados por arte, e apaixonantes, uma selecção por Fada Oriana, d’A Ilha dos Amores.
www.compaixão.wordpress.com

 

 

 

 

Sylvie Guillem dança

Sylvie Guillem 01:02

Este video às vezes fica cortado. Se completo, vê-la-á saltar no final. Sylvie faz com as pernas e os pés aquilo que outras bailarinas clássicas fizeram ou tentaram fazer com os braços e as mãos.

Como ela se suspende no ar, e depois aquele momento em que sobe em meias-pontas do pé-esquerdo…. vê? É tão bonito que até a nossa respiração para.

Toda ela é força, pujança.

 

 

Sylvie Guillem, rehearsal 04:00

4 artes presentes, em pleno ofício.

 

Pauzas em movimento

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