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A ILHA DOS AMORES – I

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ART

Faleceu Pina Bausch

Mais um tributo à coreógrafa e bailarina alemã Pina Baush que faleceu.

Mas que tributo?

Só o facto de ter provado que um grande bailarino pode ser grande bailarino até alta idade, já é algo para reconhecidamente lhe agradecer.

Uma famosa soprano disse que só cantava determinado papel operático depois de ser avó!

É que, como grande artista, depois de se ter vivido e sofrido, estou convencida, tem-se a dizer o que não se pode dizer nem saber antes.

No caso da dança moderna e contemporânea, que se propaga como libertadora de espartilhos; que diz proporcionar menos prisão à forma fixa das posições e dos passos do ballet clássico; e mais incidência na expressão, no interior, no expontâneo, no real, nem sempre se justifica o mesmo tipo de exigência puramente física, de competição mortal e de tirania que por vezes imperou no mundo da dança. Pode haver menos capacidade atlética a partir de certa idade, mas se a alma e a consciência cresceram em contrapartida… então essa fará possível uma outra dança, que falta tem feito à humanidade e que vai além do palco e das grandes estrelas.

Le Sacre du Printemps

Orphée et Eurydice, é muito bonito. Podem ver esse bailado no                  Valquírio

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Oração ao Pão 5, Guerra Junqueiro e van Gogh

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Campos com trigo ceifado van Gogh, 1890

Oração ao Pão, Guerra Junqueiro

…Pelo malho batido, num terreiro.
um dia inteiro!

E um dia inteiro, sem piedade,
coitadinho! rodado pela grade!

Moinho do Poucochinho - Barranco dos Pisões - Monchique

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..

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Depois a tulha celular,
a escuridão sem ar!

Depois, depois, oh negra sorte!
entre rochedos triturado até à morte!

O Moinho do Poucochinho

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Moinho do Poucochinho - Barranco dos Pisões - Monchique

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Ó pedras dos moinhos, mal sabeis
o que fazeis!

Quantos milhões de crimes, por minuto,
pedras de coração ferrenho e bruto!

E as águas da levada também canta,
e ri a água, e ri o sol, e ri a planta!…

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Ary dos Santos: Coragem de correr contra a ternura

Poema de Ary, que aqui nesta entrada dedico à memória e em honra de grandes mulheres que, dedicadas a causas maiores para a humanidade, sofreram ignóbilmente na solidão e na obscuridade, como Camille Claudel e Meliva Maric, recebendo, em resposta ao cuidado e dedicação, ao amor e carinho, à grandeza de espírito e ao árduo trabalho – nem reconhecimento, nem uma mão amiga, nem subsistência, nem às vezes, sequer um lar.

Este o poema de amor e gratidão que elas mereciam ter ouvido de seus amantes, de seus maridos …

Quem concorda comigo? E não é grande e belo este poema?
***

Minha laranja amarga e doce
meu poema
feito de gomos de saudade
minha pena
pesada e leve
secreta e pura
minha passagem para o breve breve
instante da loucura.

Minha ousadia
meu galope
minha rédea
meu potro doido
minha chama
minha réstia
de luz intensa
de voz aberta
minha denúncia do que pensa
do que sente a gente certa.

Em ti respiro
em ti eu provo
por ti consigo
esta força que de novo
em ti persigo
em ti percorro
cavalo à solta
pela margem do teu corpo.

em ti persigo
em ti percorro
cavalo à solta
pela margem do teu corpo.

Minha alegria
minha amargura
minha coragem de correr contra a ternura.

Por isso digo
canção castigo
amêndoa travo corpo alma amante amigo
por isso canto
por isso digo
alpendre casa cama arca do meu trigo.

Meu desafio
minha aventura
minha coragem de correr contra a ternura.

José Carlos Ary dos Santos

Women Running on Beach - Pablo Picasso

Pablo Picasso. Mulheres Correndo na Praia. 1922. Oleó sobre madeira. Museu Picasso, Paris, França


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