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A ILHA DOS AMORES – I

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A Ilha dos Amores

Carta a Ti

Ilha dos Amores, 11 de Agosto de 2008

Carta a Ti

Foi ainda em 2007 a minha última visita – oh maravilhosa Ilha!

Depois de todos estes meses sem computador (…estragou-se o meu por completo…),aqui estou; aqui chego eu à Tua maravilhosa Ilha!
Azafamada e carregada de tralhas e bagagens, ferramentas e coisas – úteis muitas, outras destinadas a serem enterradas…
Tristezas, aprendizagens…e novos projectos por planear. Venho assim, para logo partir de novo, azafamada ainda, soterrada, quase, sob questões que exigem de mim, tudo… toda eu!

Ah não me perguntes se vou voltar, voltar amanhã já, coisa assim, não…
Nem para passar uns dias de Verão aqui debaixo dos teus arvoredos eu venho.
Mas apenas trazer-te qualquer coisa. Depositar aqui -única casa que tenho- algumas caixas…

Dizer-te algo dos meus afazeres, se possível.

Mas o que me dói mais… são as minhas amigas…que ficaram assim à minha espera!… será que ainda posso recomeçar?

Tua,

Terpsichore

PS: É tarde, e desde há meses, creio, que devo dormir não mais do que 4 horas por noite, em média… e chegou a noite de novo. As noites… que tenho passado a trabalhar; vou-me deitar.


A Mystica de frei Agostinho e a Ilha dos Amores

Sol de Inverno (Sobre a «Ilha dos Amores»)
por António Feijó

Poeta por necessidade de temperamento e por fatalidade de herança, Antonio Feijó sabe impôr, a quem o lê, a contestada mas suprema fidalguia do verso. Emotivo e delicado como os velhos bysantinos, amoroso e enternecido como todo o meridional, a sua bella constituição de lyrico assegura-lhe um logar inteiramente á parte entre os technicos portugueses. Sendo um religioso da côr, Feijó desadora as tintas impetuosas e agressivas, e, numa preciosa doçura, dá-nos a branco e oiro as suas figuras de mulher. O ar contemplativo, o ar extatico das suas lyricas, veio-lhe no sangue. Numa remota ascendencia lá está frei Agostinho da Cruz a assegurar-lhe a fatalidade da herança.

Não é esteril a intervenção da hereditariedade na comprehensão moral d’um poeta. O incomparavel mistico da Arrabida renasce espiritualmente na alta uncção lyrica e nos piedosos enternecimentos de Antonio Feijó.

Tenho aqui, sobre a minha mesa, esses dois bellos livros — a Mystica de frei Agostinho e a Ilha dos Amores, — tão proximos pelos laços de familia e tão afastados pelo poder do tempo. O epilogo da Ilha dos Amores, essa piedosa aspiração a uma vida mais simples, a um ruralismo honesto e socegado, o que é elle, senão a affirmação d’um mysticismo profundo, obliquado pela acção dissolvente do meio e pela orientação revoltosa do tempo? E tinhas Deus, para te consolar, — diz dolorosamente o poeta, no pungente isolamento a que o condemnou a sua propria superioridade cerebral. O mesmo enlevo mystico d’aquelle, que

Nas pedras do deserto achou brandura, Nas serpentes da serra piedade E nas pelles das feras cobertura.

Lendo um e outro, o velho Agostinho Pimenta e o novo Antonio Feijó, vejo a affirmação de dois grandes poetas e a imposição de duas grandes almas. Entre o profundo amigo do duque de Aveiro e o louro diplomata, as differenças apparentes fundem-se numa grande semelhança intima. O primeiro, victima da sua emotividade excessiva, fugiu do amor da terra para o amor do ceu; o outro, galante e vivo, deixou-se ficar pelo amor da terra, e em grande verdade, ficou melhor. Mas quando a evocação da mulher domina os espiritos d’um e de outro, quando o sentimento da côr lhes illumina os olhos, então as apparições da Ilha dos Amores teem a mesma luz que a apparição de Magdalena e de Santa Clara aos olhos pisados do frade. Vejamos se as figuras que passam na insula encantada, vestidas de oiro e de sonho, as não poderia ter evocado o cerebro d’um mystico como Juan de la Cruz, Jacopone de Todi ou Lourenço de Medicis? Uma voluptuosa de si mesma; outra, a lyrica Ignez, duas vezes virgem, aquella, toda de sol vestida e de astros coroada; aquell’outra ainda, santa illuminada a oiro, no esplendor d’uma Assumpção, — o que mostram todas ellas, senão que o erotismo e o mysterio não são mais que dois ramos da mesma arvore ou duas flôres do mesmo ramo? O mysticismo de Agostinho Pimenta e o erotismo de Antonio Feijó, o que são elles, senão uma e a mesma coisa?

Disse eu, que o poeta da Ilha dos Amores tinha um logar aparte entre os technicos portugueses. A sua technica, sendo nalguns pontos decadente, é, por assim dizer, classica e impeccavel no seu decadismo. Feijó afastou-se da discutivel rigidez do classico absoluto, e fez um classico seu, de cujas formulas se não aparta. As liberdades da sua technica chegam a ser mais difficeis do que as difficuldades da technica parnasiana. É um caso esporádico nos annaes da nossa lyrica. Seja como fôr, Feijó tem no seu passado, como demonstração clara da sua impeccavel métrica, dois livros modelares. Nas proprias paginas do Auto do meu affecto, conserva-se um parnasiano puro. O mesmo nos sonetos da Alma Triste. A Ilha dos Amores veio apenas mostrar uma face nova do seu grande poder de realização. O proprio Francisco Manoel de Mello teve delirios metricos, como Feijó nalgumas das suas lyricas. E não é, por isso, menos poeta.

Deus queira que António Feijó nos traga um novo livro quando voltar, — um livro todo de branco e oiro, em que o travor das suas nostalgias seja, como neste ultimo, uma bem deliciosa nota. Até lá, envio-lhe, com as saudades d’este ceu azul, o mais enternecido abraço.

Novidades, 20 de Julho de 1897.

Julio Dantas.

Camões: A ilha dos Amores

Ler CANTO IX, A ILHA DOS AMORES, d’ Os Lusíadas:Infelizmente, ainda sem anotações ou ilustrações, mas nuzinho, lá está. Já é alguma coisa…

Significados da Ilha dos Amores

A Ilha é, assim, o restabelecimento da Harmonia, de modo que a consagração e a transfiguração mítica dos heróis, que na ilha e pela ilha se opera, são, também e sobretudo, a recolocação do Amor, do verdadeiro Amor, como centro da Harmonia e do Mundo. A Ilha é uma catarse total, não apenas de todos os recalcamentos, mas das misérias da própria História, e das misérias da vida no tempo de Camões e fora dele. É a reconciliação, a transcendência. (SENA, 1980: 76)

 

 

 

 

 

Ler: Imaginário da salvação na ilha dos amores camoniana
José Santiago Naud

...Isso nos impõe a razão da missão terrestre: preparar a Parusia, no exercício fraterno….

 

Ler: O SONHO DO QUINTO IMPÉRIO – MÁRIO MÁXIMO

A filosofia portuguesa não existe sem a poesia. É uma espécie de herança que não admite renúncia nem utilitarismo. As riquezas de tal herança são frugais. Ou melhor, são faustas e imensas, mas no plano da libertação interior. No plano espiritual e metafísico. Talvez no plano místico. Ao nível do profano são mesmo frugais, tais riquezas. Os impérios da filosofia portuguesa não abarcam sujeições. Talvez por isso o efectivo poder político-económico português tenha sido assumido de forma tão efémera e apenas num passado longínquo. Ou seja, que tarda em repetir-se.


Em Muita Letra – Letras à moda do Porto

Estudei, como muitas gerações de portugueses, a obra de Camões na escola preparatória e vem daí a minha aversão por ela. A professora utilizava os versos rebuscados para ensinar gramática aos alunos, obrigando-nos a dividir e identificar as várias orações de cada estrofe. Estava o caldo entornado…

A continuar…

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