Expulsão do Paraíso, Chagall

…Distinguem-se  portanto a superstição da religião. As ideias falsa das “sãs noções acerca da Divindade”. E conclui-se que a religião, como a astronomia – e bem longe da superstição – é uma busca do real e de verdade, como o será a astronomia, zona de conhecimento humano que não nos passaria pela cabeça querer eliminar. É como uma mãe sábia, no seio da qual podemos encontrar sabedoria e investigar. Talvez não tanto a constituição física dos espaços externos, como a astronomia – mas sim a constituição espiritual dos espaços internos da alma e do ser humano!?

É interessante verificar como, sendo a guerra, a chacina e inconcebível tortura e perversão, consumada à custa do uso do “avanço” da técnica e da ciência (ou são, meus caros, as bombas e os demais instrumentos de chacina, fabricados pelos padres, eclesiásticos e outros religiosos perversos, em laboratórios secretos?) – é interessante verificar como ninguém clama – vai-te, arreda-te oh técnica! Mataste e matarás milhões de crianças. Não.

Porque será, meus caros, que tal como se não quer eliminar a astronomia – nem mesmo agora que ameaçamos espalhar no silêncio do Espaço a praga da cólera e ignorância humana – tal como se não quer eliminar a física, depois de tanto horror seguindo-se a Hiroshima, porque se compreende que o defeito não está na mesma, mas sim no mau uso dela; porque será que da mesma forma, não raciocinamos a respeito da religião?

E porque não compreendemos que superstição, isso sim, é nós acharmos que aquilo que não é senão fruto da nossa ignorância sobre as mais básicas verdades interiores, aquilo que não é senão para o que, às vezes, as verdades mais essenciais da religião nos apontam e avisam; aquilo que não compreendemos e que não evoluímos, aquilo que é fruto da nossa cegueira, isso sim, é a causa dos males que acusamos na religião. E é a causa da perversão da religião. Da ignorância, na religião.

Será que essas sementes de cólera existem não devido à religião – mas muito pelo contrário, por ela ter sido agrilhoada e pervertida, e mantida nas mãos da incompetência, da maldade e da ignorância humana – tal como durante séculos e séculos a ciência se manteve agrilhoada na nossa superstição e ignorância?

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