Van Gog com Guerra Junqueiro

Continuo aqui a série Oração ao Pão, que será composta de vários postais, com partes do belo poema de Guerra Junqueiro, o qual publicarei por inteiro, no final.  Alguns pensarão que é um poema afectado, ultrapassado no tempo. Mas ele não está atrasado, mas adiantado. A sua poesia presta-se para uma leitura anagógica. Dedicarei alguns postais ao pão e aos aditivos altamente prejudiciais na comida, ao longo dos dias.

Esta série e eventualmente outra que lhe está ligada e se lhe segue, é em resposta a uma discussão no Blasfémias, no postal intitulado

O valor da liberdade individual o qual vai, neste momento, em 372 comentários, e tem continuação numa conversa deliciosa e com muito humor, no Aerosoles já!

Entretanto, entremos nas águas docemente silenciosas da poesia (doces, por comparação – e as salgadas fazem, por ora,  muito mal!)

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O semeador,  de Van Gogh.  de 1888                                              –                The  Swoer  by van Gogh
Ando a tirar as imagens de um local que não traz indicações nenhumas. Se bem me lembro, este é o maravilhoso “Semeador” que está em Paris no museu de Orsay – um dos mais bonitos semeadores! Não é preciso ir à Holanda para ver Van Gogh… pois alguns dos seus melhores trabalhos, é lá no Orsay que estão. Este quadro tem umas dimensões pequenas, mas é de-li-ci-o-so, de uma técnica perfeita – em que, muito contrariamente aos impressionistas que o rodeiam lá no museu, as cores continuam vivíssimas, vibrantes. Parece que vive, – e vive, sem dúvida!
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Oração ao Pão por Guerra Junqueiro

*…

A Humanidade é seara imensa de um chão de areia,
Que Deus recolhe e Deus semeia.

E cada homem, quer o rei, quer o mendigo,
É na seara de Deus um grão de trigo.

E a toda a hora, a todo o instante, há milhões d’anos,
Searas sem fim de espíritos humanos

Brotam, florescem, crescem, são cortadas,
E entre as mós do destino trituradas.

E eis a farinha ideal, o frumento de dor,
Que alimenta a Verdade, a Beleza, e o Amor!

De maneira que vós, homens pigmeus,
Na terra sois o pão de Deus!

A vossa alma é a claridade
Que ilumina a Verdade.

É a hóstia de luz, no mundo acesa
Pela Beleza.

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