cena hilariante.  Charlie Chaplin – The Great Dictator – in a plane


Chagall,  não sei o nome da pintura.                              Deve ser óleo sobre tela

Charles Chaplin do filme “O Grande Ditador”:

“O caminho da vida pode ser o da liberdade e da beleza, porém nos extraviamos. A cobiça envenenou a alma dos homens… levantou no mundo as muralhas do ódio… e tem-nos feito marchar a passo de ganso para a miséria e os morticínios. Criamos a época da velocidade, mas nos sentimos enclausurados dentro dela. A máquina, que produz abundância, tem-nos deixado em penúria. Nossos conhecimentos fizeram-nos céticos; nossa inteligência, empedernidos e cruéis. Pensamos em demasia e sentimos bem pouco. Mais do que de máquinas, precisamos de humanidade. Mais do que de inteligência, precisamos de afeição e doçura. Sem essas virtudes, a vida será de violência e tudo será perdido.”

O que é engraçado é que embora os grandes homens e mulheres, continuem a repetir o mesmo, em geral, as pessoas continuam a dar à formação académica  e a outros poderes, o valor que estes grandes seres humanos dizem que é a afeição e doçura que tem.

Eu estou aqui, eu fiz a Ilha dos Amores, por isso mesmo, para poder falar dessas coisas, baseando-me não num conhecimento académico, mas num outro vivido…..    num mundo de uma outra experiência… sobretudo, experiência do que são esses países que Portugal, quase em peso, pensa serem mais avançados. E estão, de facto, mais avançados, muito mais, em terem perdido toda a poesia, toda a doçura, e toda a afeição.

E é isso que nos acontecerá se pensarmos que esse é o avanço de que precisamos. Não é verdade. Vêm dinheiro, e regulações, mas não vêm o que está por de trás e por dentro dessas regulações. E eu posso garantir que toda a afeição e toda a capacidade de doçura que ainda vive em potencialidade dentro dos corações, vale mais do que toda a riqueza que vêm. Posso também dizer que estão enganados em tudo o que pensam que em Portugal é que funciona mal. Em muitos mais países europeus podem acontecer as mesmas coisas. Como as longas esperas para consultas ou operações urgentes. Mas isso é só para dar um exemplo, pois são infinitos os exemplos que poderia dar.

E eu posso dizer que as pessoas são profundamente infelizes… como nós seriamos se um dia deixassemos de saber o que é poesia. E ternura. E carinho. E a nossa típica delicadeza – a qual, ao mesmo tempo nos prende e algema demais, é verdade…

As soluções para Portugal são tão simples, tão simples, que ninguém quer saber delas. Só querem saber do que é complexo. Mas simples, não é fácil. Simples, nunca é instantâneo, nem óbvio. A simplicidade requer transformação para vermos isso que normalmente nunca vemos.