Statua di Federico Garc�a Lorca a Madrid. Scultura realizzata da Julio López Hernández

Statua di Federico García Lorca a Madrid. Scultura realizzata da Julio López Hernández

 

Poemas de Andaluzas

Adelina de passeio
O mar não tem laranjas,
nem Sevilha tem amor.
Morena, que luz de fogo.
Empresta-me teu guarda-sol.
…..Ficarei com a cara verde
— sumo de lima e limão —,
tuas palavras — peixinhos —
nadarão em redor.
…..O mar não tem laranjas.
Ai, amor.
Nem Sevilha tem amor!
Tarde
(Estava a minha Lúcia
com os pés no arroio?)
TRÊS alámos imensos
e uma estrela.
…..O silêncio mordido
pelas rãs se assemelha
a uma gaze pintada
com pintinhas verdes.
…..No rio,
uma árvore seca
floresceu em círculos
concêntricos.
…..E sonhei sobre as águas
com a moreninha de Granada.
É verdade
AI, quanto trabalho me dá
querer-te como eu quero!
…..Por teu amor me dói o ar,
o coração
e o chapéu.
…..Quem compraria de mim
este cinteiro que tenho
e esta tristeza de fio
branco, para fazer lenços?
…..Ai, quanto trabalho me dá
querer-te como eu quero!
[Arvoré arvoré]
ARVORÉ arvoré
seca e verdé.
…..A menina de belo rosto
está colhendo azeitona.
O vento, galã de torres,
prende-a pela cintura.
Passam quatro ginetes,
em éguas andaluzas,
com trajes de azul e verde,
com longas capas escuras.
“Vem a Granada, menina.”
A menina não os escuta.
Passam três toureirinhos
de cintura fina,
com trajes cor de laranja
e espada de prata antiga.
“Vem a Sevilha, menina.”
A menina não os escuta.
Quando a tarde ficou
morada, com luz difusa,
passou um jovem que levava
rosa e mirtos de lua.
“Vem a Granada, menina.”
E a menina não o escuta.
A menina do belo rosto
continua colhendo azeitona,
com o braço gris do vento
cingido pela cintura.
…..Arvoré arvoré
seca e verdé.
Tradução de William Agel de Mello


 

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