Quatro Baladas Amarelas

I
No alto daquele monte
há uma arvorezinha verde.

…..Pastor que vais,
…..pastor que vens.

…..Olivais sonolentos
baixam à planície quente.

…..Pastor que vais,
…..pastor que vens.

…..Nem ovelhas brancas nem cachorro
nem cajado nem amor tens.

…..Pastor que vais.

…..Como uma sombra de ouro,
no trigal te dissolves.

…..Pastor que vens.


II

…..A terra estava
amarela.

…..Ourinho, ourinho,
…..pastorzinho.

…..Nem lua branca
nem estrela luziam.

…..Ourinho, ourinho,
…..pastorzinho.

…..Vindimadora morena
corta o pranto da vinha.

…..Ourinho, ourinho,
…..pastorzinho.


III

…..Dois bois vermelhos
…..no campo de ouro.

…..Os bois têm ritmo
de sinos antigos
e olhos de pássaros.
São para as manhãs
de névoa, e sem embargo
perfumam a laranja
do ar, no verão.
Velhos desde que nascem
não têm amo
e recordam as asas
de seus costados.
Os bois
sempre vão suspirando
pelos campos de Ruth
em busca do vau,
do eterno vau,
ébrios de luzeiros
a ruminar seus prantos.

…..Dois bois vermelhos
…..no campo de ouro.


IV

…..Sobre o céu
…..das margaridas ando.

…..Nesta tarde imagino
que sou santo.
Puseram-me a lua
nas mãos.
Eu a pus outra vez
no espaço
e o Senhor me premiou
com a rosa e o halo.

…..Sobre o céu
…..das margaridas ando.

…..E agora vou
por este campo
a livrar as meninas
dos galãs maus
e dar moedas de ouro
a todos os rapazes.

…..Sobre o céu
…..das margaridas ando

Os três poemas daqui