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A ILHA DOS AMORES – I

Mês

Dezembro 2007

Janelas para o Futuro – na Noite…

Mosteiro da Batalha

É na pesada e escura terra que brotam as sementes.

É na negra Noite, em todo o corpo de Nut ( Nout, Noite) que nascem as estrelas….

EXOTERICA-MENTE

 

Há qualquer coisa de esfinge em tudo isto…

Se espera com angústia que dói

e se finge a sobrevivência temporal

desta encarnação

jogando a roleta das personificações elementares

pois tarda

o apóstolo da luminescência,

aquele que é também o portador

das divinas vibrações,

o oculto

o encoberto

o envolvido

o silencioso

o secreto.

Só os destruidores-de-barreiras saberão

a hora cósmica da sua chegada;

eles estarão à espera, protegidos

de força psíquica, a única que suporta a

irradiação do sagrado.

Virá carregado de Ambrósia e sei

que muito poucos dela comerão.

Após o banquete não regressará só.

 

Ângelo Rodrigues

 

 

Despeço-me do Velho Ano…

 

 

Com uma referência muito especial e grata ao Paulo Cunha Porto, do Afinidades Efectivas, que me tem honrado com múltiplas referências, qual delas a mais deliciosa e atenta.

Com agradecimentos babadinhos, também pelas referências e diálogos, (com destaque para Chagall, Artaud* e Klee – um dos meus favoritos), de José Adelino Maltez, no (ler!) Sobre o tempo que passa, e as da Isabel no A Room of One’s Own (e suas palavras de ouro), e as do Claudio Tellez no C.T. Relações Internacionais, Cultura e Atualidades, outro tesouro no meu horizonte. O mesmo agradecimento para as do Mário, da Voz Portalegrense, e claro está, as do João Marchante no Eternas Saudades do Futuro.

Bem hajam os novos amigos e amigas! Bem hajam algumas fascinantes pessoas, cujo pensamento profundo tive a honra de poder ler e o luxo de poder contactar os autores, e a possibilidade de ter trocado ou – o mais importante – vir ainda a trocar impressões.

Qual projecto poderia ser melhor… Xantipa, X.,Isabel, Ana Paula, que um solstício da amizade?

Um beijo ao Paulo do excelente Valquírias, à Euterpe-minha-mana-muito-mais-nova que de repente nasceu…, Goldluc do Broto…tanto ainda por paartilhar!…ao Vítor do Ser Cristão, à T. dos Dias Que Voam…, à bem disposta Mad do Juro que tenho mais que fazer, à Maria do Só-Maria, saúdo-vos!

Saúdo as pessoas que se associaram para participar na Nova Águia! Que tenha frutos o diálogo, e uma Nova Árvore de acção, e apoio, aos projectos mais cruciais, neste tempo de extrema urgência.

Com os melhores votos para todos vós, e aos que subiram aqui, a esta nau em travessia, e que têm a santa paciência de ler os meus diários, ou de me encorajar, n’A Ilha, ou outros sítios; com os melhores votos para Portugal. Desejo-vos e -nos, grandes progressos na longa viajem rumo à Ilha dos Amores. Ou a Casa. Ou a vós Próprios. Ou ao Consolador. Que saibamos encontrar, descobrir e redefinir os nossos objectivos e Destino.

 

Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos.

Fernando Pessoa ??

 

PS – Muito sinceramente, eu, depois de publicar, até estou a duvidar bastante da autenticidade desta frase atribuída a Pessoa! O contraste com um outro texto totalmente falso a ele atribuído, e a verdade desta frase, entusiasmou-me…

… para a frase ter alguma verdade, é necessário considerarmos as roupas mesmo como metáfora. É que a mudança do ”hábito” é muitas vezes a forma de se ficar igual por de baixo das roupas. As roupas não só precisam ser mudadas, como…. despidas….

 

* Cujas ligações não consegui encontrar – os enlaces permanentes que me foram feitos, desapareceram… 😦 do meu blogue, do Google ou outros motores de busca. Não no technorati, no entanto.

 

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E o ”West”, continua

 a crescer. O deles, claro.

«Metade dos restaurantes e cafés em risco de fechar».

Ai se tivessem escutado Cassandra há 15 anos atrás – meus caros senhores, já ela sabia isto até aos mínimos detalhes, já ela avisava… Mas vocês sabem como é com Cassandra.

E agora é a mesma coisa… não sei se estão a ver.…  …:)

A ASAE-DGS como desculpa para coisas boas

Eu no outro dia, levei com um abraço estrafegante (parece que era…) do Lança-Chamas. 🙂 E eu quero, eu quero eu tenho que abraçar aquele homem – perdão, ”Lança-Chamas” – um dia!

Ler: É aquilo sem tirar nem pôr. 

Caramba, outra crise para mim. Se soubessem como eu queria ter tempo para escrever mais posts…tanto que há para dizer e contar. Mas leiam o Lança-Chamas.

Finalmente, graças à ASAE, vamos fazer o nosso povo acordar? Até já vejo um leitor a comentar ”qualquer dia estamos a comer como os nórdicos”. Ah, fogo, demorou 30 anos a mais, mas vão começar a entender ??

Qualquer dia escrevemos como os nórdicos, lemos como os nórdicos, aprendemos como… Não. Não é bem isso. E a diferença até é importante: qualquer dia comemos o que os nórdicos querem, que é aquilo que eles vendem e lhes tráz lucro, lemos os que os nórdico querem, que é aquilo que eles vendem e lhes tráz lucro, falamos como os nórdicos querem, e que é só a tradução da menos de metade de conceitos e vivência daquela que somos capazes (de exprimir) – resumindo, FAZEMOS TUDO e só, o que os nórdicos querem. Eles lá para eles, têm a sua agenda secreta, hehehe, ou pensam que eles são parvos? …

Eu um dia até me avancei num comentário que dizia isto mesmo, a propósito das bolas de berlim da praia, no Insurgente – hahaha. Mas lá, devem ter achado que era uma teoria de conspiração…

Mas… qualquer dia? Quem diz que é qualquer dia?

A ilha dos Amores foi criada pela deusa da criatividade

Foi ela que fez aquilo e depois veio falar aos portugueses. Falar de quê?
Falar de Futuro! …”

Agostinho da Silva, A última conversa.

O João Marchante do Eternas Saudades do Futuro, revelou (a completa doce loucura) de ser A Ilha dos Amores (que hehehe, mais ”em obras” oferece do que obras, juntamente com o – esse sim, merecedor – A Room of One’s Own), um espaço onde busca leitura diária?!

 

Erudita, não sou, caro João: sim a Zazie, e o seu Cocanha…, a Isabel, .eu sou apenas perdida no meio da confusão em busca do caminho para casa. 🙂

Mas, grata por tanta amizade, lá vai, um dos pontos de união:

…Camões, inclusivamente, ensinou, na ilha dos Amores, que a pessoa só está presa no tempo e no espaço quando não é criador, e nós sabemos isso através da nossa própria experiência: quando estamos muito entusiasmados com uma coisa, dizemos muitas vezes: olha como o tempo passou!? Já nem sabia que estava aqui com vocês. Pronto! E porquê? Porque a ilha dos Amores foi criada pela deusa da criatividade. Foi ela que fez aquilo e depois veio falar aos portugueses. Falar de quê?
Falar de Futuro! …

Agostinho da Silva, A última conversa.

 

Mas ”a deusa da criatividade” não cria as coisas sozinha. A Divina Bondade está à espera que criemos a Ilha dos Amores. Pois para tal nos criou. Para essa suprema felicidade. E a essa capacidade e Graça necessárias, que nos vem inspirar quando começarmos, totalmente, Agostinho chamou ”a deusa da criatividade”.

Quanto cansa a espera!!! Quanta dor por esse grande mundo fora, cria esta espera! Já cansa esta espera! É a Hora de começar a unir alguns homens de boa-vontade… e de escutarem o que a deusa (da criatividade), sabe do Futuro, e começá-lo, no Presente.

A cada um a sua pequenina parte, e é suficiente…

Não achas?

Obrigada pela tua confiança, João.

 

citação de Agostinho, daqui.

 

PS – Estou perfeitamente consciente da série de associações um bocado problemáticas que este postal provoca. Mas justamente: é por causa de todos esses ”julgamentos de quem tem uma trave no olho” que estamos assim, sem poder ter feito nada, sem ter feito nada.

 

 

 

 

 

 

A noite Escura de São João da Cruz

pleiades-star-cluster.jpg

A noite Escura

Em uma noite escura
De amor em vivas ânsias inflamada
Oh! Ditosa ventura!
Saí sem ser notada,
´stando já minha casa sossegada.

Na escuridão, segura,
Pela secreta escada, disfarçada,
Oh! Ditosa ventura!
Na escuridão, velada,
´stando já minha casa sossegada.

Em noite tão ditosa,
E num segredo em que ninguém me via,
Nem eu olhava coisa alguma,
Sem outra luz nem guia
Além da que no coração me ardia.

Essa luz me guiava,
Com mais clareza que a do meio-dia
Aonde me esperava
Quem eu bem conhecia,
Em lugar onde ninguém aparecia.

Oh! noite, que me guiaste,
Oh! noite, amável mais do que a alvorada
Oh! noite, que juntaste
Amado com amada,
Amada no amado transformada!

Em meu peito florido
Que, inteiro, para ele só guardava,
Quedou-se adormecido,
E eu, terna o regalava,
E dos cedros o leque o refrescava.

Da ameia a brisa amena,
Quando eu os seus cabelos afagava,
Com sua mão serena
Em meu colo soprava,
E meus sentidos todos transportava.

Esquecida, quedei-me,
O rosto reclinado sobre o Amado;
Tudo cessou. Deixei-me,
Largando meu cuidado
Por entre as açucenas olvidado.

S. João da Cruz

 

 

 


:)) Viagem ao Fim da Noite

Agradecida ao Lança-Chamas

E é isto!

E é que é mesmo isto:
…Deus não se acredita, nem se calcula: celebra-se. Respira-se. Vive-se.  …
Desenganemo-nos: a questão fundamental não é se eu acredito em Deus, mas, isso sim, se Deus ainda acredita em mim. Se eu, reles e mísero humano, cada vez mais longe do meu coração, cada vez mais afastado e disperso da minha própria raiz e da minha Palavra, ainda sou digno de crédito. Se ando perdido na confusão à procura do caminho para casa; ou se, viciado e embrutecido no caos, me tornei habitante dele. Se ainda procuro alguma verdade, ou se, pura e simplesmente, me tornei toxicodependente da mentira.
Partilho da visão que acima cito, com gratidão, por esta chama,  no deserto in-v(f)-ernal da (minha) alma.

Mensagem de Natal 5

Sumi Jo – Caccini – Ave Maria 04:00

Sumi Jo, está não só a cantar bem, está a rezar.



A Madonna e o Menino (séc. XV ), Fillippo Lippi Palazzo Vecchio, Florença. 

”Na ampliação pode-se notar que o objeto faz parte do contexto da tela. Observe a luminosidade representada pelo autor. Note também que uma pessoa observa o objeto cobrindo o rosto com as mãos, devido à luminosidade do mesmo. Ao lado da testemunha está um cachorro em posição de alerta.”

(5) Jesus said, “Recognize what is in your sight, and that which is hidden from you will become plain to you . For there is nothing hidden which will not become manifest.”

Feliz Natal !

Mensagem de Natal 4


Jesse Norman – Ave MariaJesse Norman at Notre Dame. A Christmas Concert. Charles Gounoud. Orchestr

e de L’Opera de Lyon. Music Director – Chefdirigent – Diredtion musicale Kent Nagano

Um dia Jessie Norman chegou a uma capital, e o teatro onde ia cantar estava em obras, pelo que ela deveria entrar no Teatro por uma entrada lateral, e não pela entrada principal, com tapete vermelho…

Ela recusou-se. 🙂

 

 

 

 

 

 

 

A Anunciação (1486), de Antônio Crivelli

Virgem iluminada pelo Espírito Santo. O raio de luz parte de um objeto de formato discoidal suspenso no céu e passa pela Pomba

 

 

 

A melhor Mensagem de Natal da Internet

ATENÇÃO: o meu elogio foi feito a uma mensagem de Natal de 2007, de um outro blog, cujo link já não funciona.

Entretanto aqui ficam NOVOS links para            MELHORES  MENSAGEM DE Natal           UM

Fique atento pois vou escrever mais.

.

.

ENTRADA ORIGINAL, de 2007,

Não é minha, claro! É esta!, no Só Maria

Ora vão lá ver, e vejam se não se prova que podem confiar em mim!?? :))

Depois destes 3 factos – o do Conteúdo da Mensagem. O de ela ser a melhor mensagem de Natal da internet, e o de ficar provado que podem confiar em mim, ficou obviamente, tudo dito. 🙂

Solstício de Inverno

Mensagem de Natal 3

Caros e excelentíssimos leitores e amigos,
em primeiro lugar, quero pedir desculpa pela interrupção. Mas, as últimas mensagens que compus deram-me …muito trabalho, e voltas, relacionadas com o destino e vida d’A Ilha dos Amores, e portanto pensei que o mais atento para com as pessoas era ”guardá-la” das vistas, enquanto nessas andanças.
Acabei de me lembrar que as pessoas que encontram A Ilha dos Amores fechada, poderão pensar que pode ser para elas que está fechada. Mas não é o caso, nem será. Informo desde já a todos que se acaso voltar a acontecer, é por razão de obras
Mais uma vez, desculpas pelo incómodo causado.
A Ilha dos Amores é e permanecerá um Blog aberto a todos os visitantes!
O template que tenho agora é dedicado a este período do Natal.
Tenho para vós, várias Mensagens de Natal, ainda, que se vão seguindo.
Nas mensagem que a partir de agora vêem, reuni uma escolha de música, em conjunto com umas extraordinárias imagens.
Informação mais detalhada sobre estas imagens, como seria de desejar, não consegui encontrar. De onde as retirei, nada mais tinham do que isto, nem acrescentavam algo. Deixei as legendas mais ou menos como as encontrei. Não são minhas.
Convido-vos a que ouçam pelo menos alguma da música… antes de ver as imagens…
(clicar nas imagens – algumas têm um pouco de ampliação)

(Natália costuma usar as mãos enquanto ensaia)


Nas cavernas de Altamira, em Santillana del mar, em Santander, Espanha, foram encontradas pinturas de 20 mil anos de idade, mostrando objetos voadores de formatos lenticulares e até discoidais.

(Nota minha: as visitas a Altamira são há muitos anos impossibilitadas! … talvez …quem sabe…a razão…)

 

 

Pintura medieval. Moisés e os Dez Mandamentos. Note a existência de estranhos objetos no céu.

Tapeçaria do século XV (Vatican Library) representando a vida cotidiana de duas mulheres tendo ao fundo dois castelos.

Tapeçarias do século XIV
Estas tapeçarias do século XIV retratam cenas da vida de Maria. Nota-se que no fundo da imagem existe um objeto suspenso no céu. Esta tapeçaria encontra-se na Basílica Francesa Notre Dame de Beaune, em Burgandy, França.

Mensagem de Natal 2

fresco02.jpgmaravilhoso fresco de umas catacumbas romanas


O essencial é saber ver,
Saber ver sem estar a pensar,
Saber ver quando se vê,
E nem pensar quando se vê,
Nem ver quando se pensa.

Mas isso (tristes de nós, que trazemos a alma vestida!),

Isso exige um estudo profundo,

Uma aprendizagem de desaprender.

Alberto Caeiro,
num dos meus poemas de eleição,
que me acompanhou desde miúda,
por estas palavras para mim essenciais,
parte de O Guardador de Rebanhos



E mais, é esta mensagem, que aqui repito:

do evangelho de S. Tomás ou S. Tomé

(minha tradução da edição em inglês de James Robinson)


22 – Jesus viu bébés a serem amamentadas; disse aos seus discípulos:

– Estas criancinhas a mamar são como aqueles que entram no reino.


(O resto, por traduzir):

(37)  His disciples said, “When will you become revealed to us and when shall we see you?”
Jesus said,

“When you disrobe without being ashamed and take up your garments and place them under your feet like little children and tread on them, then will you see the son of the living one, and you will not be afraid”

.

.

Dos músculos da poesia que exsudam até à morte o néctar da esperança…

Ó vós, homens sem sol, que vos dizeis os Puros
E em cujos olhos queima um lento fogo frio
Vós de nervos de nylon e de músculos duros
Capazes de não rir durante anos a fio.

Ó vós, homens sem sal, em cujos corpos tensos
Corre um sangue incolor, da cor alva dos lírios
Vós que almejais na carne o estigma dos martírios
E desejais ser fuzilados sem o lenço.

Ó vós, homens ilumidados a néon
Seres extraordinariamente rarefeitos
Vós que vos bem amais e vos julgais perfeitos
E vos ciliciais à idéia do que é bom.

Ó vós, a quem os bons amam chamar de os Puros
E vos julgais os portadores da verdade
Quando nada mais sois, à luz da realidade,
Que os súcubos dos sentimentos mais escuros.

Ó vós que só viveis nos vórtices da morte
E vos enclausurais no instinto que vos ceva
Vós que vedes na luz o antônimo da treva
E acreditais que o amor é o túmulo do forte.

Ó vós que pedis pouco à vida que dá muito
E erigis a esperança em bandeira aguerrida
Sem saber que a esperança é um simples dom da vida
E tanto mais porque é um dom público e gratuito.

Ó vós que vos negais à escuridão dos bares
Onde o homem que ama oculta o seu segredo
Vós que viveis a mastigar os maxilares
E temeis a mulher e a noite, e dormis cedo.

Ó vós, os curiais; ó vós, os ressentidos
Que tudo equacionais em termos de conflito
E não sabeis pedir sem ter recurso ao grito
E não sabeis vencer se não houver vencidos.

Ó vós que vos comprais com a esmola feita aos pobres
Que vos dão Deus de graça em troca de alguns restos
E maiusculizais os sentimentos nobres
E gostais de dizer que sois homens honestos.

Ó vós, falsos Catões, chichibéus de mulheres
Que só articulais para emitir conceitos
E pensais que o credor tem todos os direitos
E o pobre devedor tem todos os deveres.

Ó vós que desprezais a mulher e o poeta
Em nome de vossa vã sabedoria
Vós que tudo comeis mas viveis de dieta
E achais que o homem alheio é a melhor iguaria.

Ó vós, homens da sigla; ó vós, homens da cifra
Falsos chimangos, calabares, sinecuros
Tende cuidado porque a Esfinge vos decifra…
E eis que é chegada a vez dos verdadeiros puros.

José Adelino Maltez, Sobre o Tempo que Passa

Mensagem de Natal 1

Uma mensagem de Natal

 

A Maria do Mar . alguém de quem gosto muito, escreveu uma resposta numa discussão do forum, a qual escolho como uma mensagem de Natal:

Eu dou já aqui a minha opinião : os males do mundo não vêm do racismo, da religião, da ciência. Vêm da nossa própria natureza ! Vêm do modo como todos nós nos relacionamos com os outros ! É essa deficiência na nossa estrutura psicológica que faz com que o “bom” seja transformado em “mau”. O Mal e o Bem existem como entidades absolutas ?

Racismo – quando ouvimos falar nesta palavra pensamos sempre na discriminação do negro pelo branco. E a discriminação do branco pelo negro, que chega a ser ainda mais vincada ?
Assim, a emoção do racismo não é privilégio do branco. É uma má característica da espécie humana.

Religião – o que é que, verdadeiramente, estraga uma religião ? É a crença ? Não ! É a incapacidade de aceitar os outros ! Isto é característico do Cristianismo, ou do Islamismo ? Nem por sombras ! É característico da espécie humana. A emoção do fanatismo religioso é comum a toda a espécie humana.

Ciência – porque é que a Ciência não traz o bem-estar que prometeu ? Falha dela ? Não ! Falha da espécie humana que a usa para fins destrutivos. Falta de ética e moral.

Junte-se a isto tudo a desenfreada necessidade de poder e dinheiro…e teremos uma Humanidade sentada num barril de pólvora ! É o que somos !

Assim, se se quer mudar o Mundo, isso não passa por eliminar a Religião, a Ciência ou mesmo a Política. Passa, isso sim, por modificar os comportamentos e as atitudes.

Maria do Mar

É que há muitos a bradar, mas quem quer realmente mudar de comportamentos e atitudes? Reflectir sobre o que é que cria e forma os comportamentos e atitudes? Reflectir sobre os caminhos andados ao longo de séculos – e ver: onde fomos dar? O que está errado?

Mas não: viramo-nos para um lado – e que bramam? Fora os ecologistas! Sem essa cambada de criminosos… estávamos mal, mas estávamos bem – como até aqui (desde que eu possa fumar… a vida vai-se vivendo). Acabou-se a liberdade! Dizem, espantados. Para logo a seguir desatarem a ajudar os mesmos que dão essas ordens, por interesses que não a saúde, e a morder na mão dos que lutam por liberdade…

Viramo-nos para outro lado – e que bramam? Fora os de esquerda! Sem essa cambada de criminosos… estávamos muito menos mal – quase bem….

Viramo-nos para outro lado – e que bramam? (Esta é a maioria) Fora as religiões! Sem essa cambada de cretinos…. não havia nada de mal neste mundo: nem guerras, nem lutas, nem nada. (É de alto nível, o rigor científico destas afirmações. Fora! A Religião é a causa das guerras e Deus a história da carochinha dos cobardes e atrasados (mentais).

Viramo-nos para os protestantes – e que bramam? (Ano 2001!) Fora os Católicos! Cambada de ladrões corruptos que não conhecem Deus! Roma – oh a Roma que nos reprime! Que nos oprime – tudo tudo é por culpa desses Romanos! Desde há 2000 anos! (estas coisas não costumam chegar aos ouvidos dos ”romanos”) – Fora o horroroso mundo clássico! (- a Renascença – blá !- fora!) E todos os problemas serão resolvidos. (a diferença com estes, – é que não bramam: fazem e ganham dinheiro)
Viramo-nos para os católicos – e que bramam? Fora os gnósticos, e mais a Nova Era!! Cambada de ignorantes – fora com eles e estaremos bem – estaremos ao menos como sempre estivemos. (esconde aí o Nag Hammadi mais o resto). Fora, fora, fora, tudo o que escondemos há dois mil anos tão bem guardado, aliás, porque deixàmos de perceber fosse o que fosse – e se deixares entrar quem se dedicou a tal, é a nossa morte. Fora! Fora!
… a lista é longa… mas no entanto, é monótona, sempre igual – e, em vez de a terminar, não será um caminho mais curto perguntar, finalmente:

mas afinal, o que sabemos nós do que está dentro?

___________

E tinha eu acabado de alinhavar estas pobres palavras, quando encontrei isto, no Otorgal

O mais além é sabermos e sentirmos que por dentro das coisas é que as coisas são.

José Adelino Maltez, Sobre o Tempo que Passa

 

____________

 

Assim, se se quer mudar o Mundo, isso não passa por eliminar a Religião, a Ciência ou mesmo a Política. Passa, isso sim, por modificar os comportamentos e as atitudes.

Looker .

 

Será que esse sentirmos por dentro e o dentro, é que é o princípio de modificarmos os comportamentos e as atitudes?

 

 

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