5. Viver de Amor, é dar sem medida
Sem reclamar salário aqui na terra
Ah! Sem contar eu dou-me bem segura
De que, quando se ama, não se conta!…
Ao Coração Divino, transbordante de ternura
Dei tudo… ligeiramente eu corro
Nada tenho senão a minha única riqueza
Viver de Amor.

6. Viver de Amor, é dissipar o medo
Afastar a lembrança das faltas do passado.
Dos meus pecados não encontro vestígios,
Num breve instante o amor queimou tudo…
Chama divina, ó dulcíssima Fornalha!
No teu centro fixo a minha morada
É no teu fogo que eu canto alegremente:
“Vivo de Amor!…”


Historia de un alma (autobiografía) 410Kb
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Juan Pablo II la proclamó Doctora de la Iglesia en 1997. ¿En qué “universidad” había estudiado Teresa? En la “universidad” del Espíritu Santo, en esa enseñanza que Dios da a la gente sencilla.

Vai-te ranço!

Observo que alguns relatos que se fazem e coisas que se escrevem sobre Teresa, estão cheios de ranço religioso. Teresa não era, nunca foi mártir – mas esses escritos, essas pessoas ”religiosas” entendem que se ela não for mártir, então vale menos…e a cada coisa que escrevem tentam criar a ideia de uma mártir.

Teresa foi uma menina feliz, no e do seio de uma família por demais amorosa e unida. Teresa viveu no convento em conjunto com uma ou mais das suas irmão igualmente freiras no mesmo convento. Vinha de boa família e não sofreu maus tratos ou desprezo ou abandono. O seu caminho religioso, o seu processo de entrada no convento, foi livre. Isto é, os conflitos internos que tenha tido, eram dentro de si, e em absoluta ausência de coação exterior. Desde o princípio, cada um dos dias do ano ou festa religiosa, Teresa compreendia o significado, e exigia essa compreensão. Não era nenhum deserto de desumanidade. A direcção do convento era por demais inteligente. Não havia destruição da individualidade e da inteligência. Teresa interpretava vividamente as coisas, escrevia tudo, e vivia uma vida afectiva muito rica, tanto em relação à família, por carta, como sobretudo em relação às irmãs no convento. A expressão de devoção, do afecto e da amizade, era permitida, o que faz a inteligência ficar viva, aumenta a claridade, e a devoção. Qualquer pequenina coisa ela encontrava maneira de a relacionar com o caminho da alma. Dá ideia de que a família teve uma grande influência em tudo isto. Há até coisas que me parecem suspeitas, como se já de antemão estivessem a tratá-la como Santa, e já estivessem as coisas planeadas.

Mas não me importo muito: o caminho espiritual de muitas mulheres, prontas à renúncia, e no caminho do coração, deveria ser assim mesmo, cheio da alegria do que no caminho alegre é, e cheio de afecto. A tentativa de impor e inculcar sofrimento externa e propositadamente, é resultado da perversão de uma miríade de verdades a respeito do caminho religioso. Além disso a miríade dessas perversões que é provocada pelo facto de a ”espiritualidade” dos homens ser imposta às mulheres… é incontável. A essência e a base do caminho espiritual é o dar ouvidos a Deus em vez de ao egoísmo, e o coração tem o seu próprio atalho para esse caminho… e é o homem quem mais frequentemente tem que apreender isso de uma mulher – de uma dada espécie de mulher – não ao contrário.

(& )

Ponho a hipótese de os pais de Teresa terem sido devotos e terem sonhado com a dádiva de filhas entregues a Deus (não terão sido eles dos principais sustentáculos financeiros daquele pequeno Carmelo?). Terão sido estes factos a repeito dos pais, que terão permitido que a Teresa fosse permitida toda a expressão da sua femimilidade e espiritualidade – entregue a Deus, em vez de suprimida e esmagada? Ou será que isso até é algo que acontece mais vezes do que pensamos?

Teresa era muito bonita, e vê-se em todas as suas fotografias, mesmo com o hábito, que está consciente dos detalhes a esse respeito: não combateu a sua própria beleza, mas sim dedicou-a conscientemente …em Deus.

Se isto for um facto a respeito dos pais, isso daria ainda uma terceira dimensão a certas ”crises” de Teresa – evidentemente períodos de luta consigo própria, com a parte de si que quereria outras coisas, e mais. Dar ouvidos a um chamamento e caminho de renúncia que já foi planeado ou desejado por outros, tem também o seu lado incómodo no processo interior de assentimento a esse caminho – diferentes daquele que é inteira e livremente descoberto dentro de si próprio. Cada um terá as suas dificuldades próprias.

O mea culpa, mea culpa, mea culpa: o pecado e o martírio – ou a alegria?

Dos meus pecados não encontro vestígios,
Num breve instante o amor queimou tudo…

A vida espiritual pode ser assim. Embora seja muito difícil atravessar o processo, o qual João da Cruz descreve, ele não é sempre um suplício de lutas macabras com horrível supressão e perseguição de demónios. Naturalmente que há muitos esforços e a luta é só ganha por quem a ela se dedica, naturalmente que tudo o que custa se tenta fazer à mesma – mas quando o caminho é o do coração, ele é um caminho também pleno de alerias. Não só alegrias, mas também muitas e profundas alegrias.

Teresa, não foi mártir por coisas tais como suportar o frio no convento, naquele tempo. Teresa estava na sua terra natal, e não suportaria mais frio do que todas as irmãs e a grande maioria dos seus conterrâneos daquele tempo. Sim, claro, ela inevitavelmente faria aqueles sacrifícios – ofertas – que fazem ser possível praticar a ascese – mas ser-se mártir, é sempre pelo menos, o passar horrores involuntariamente, e por imposição de outros que nos querem mal ou maltratam. Será possível provocar o martírio de frio, forçando alguém cujo corpo não esteja habituado e em condições de tal suportar. Mas Teresa não era abusada no seu Carmelo. Muito pelo contrário.

Além disto, esta frase de Teresa, é uma afirmação de carácter teológico: um testemunho de alegria e leveza, que conscientemente combate a negatividade e miséria que os fariseus do cristianismo, costumam focar e perversamente impor, impedindo a espiritualidade, e colocando seus corpos e sua carne, entre a luz e os seres humanos que por ela anseiam.

O santo Indiano Ramakrishna, mencionou esse problema dizendo a religiosos cristãos ”- no caminho espiritual, não fiquem obcecados por pecados, pecados e mais pecados”.

Dessa forma, não se pode avançar espiritualmente. Infelizmente, para os homens, quantas vezes se demonstrou, na desgraça da queda, uma grande caução ser necessária! Sim, tanto no homem como na mulher, embora de formas diferentes. Mas, quando o caminho certo foi o percorrido, e, no caso mais frequente da mulher, a partir do momento que conseguiu entregar-se nas mãos de Deus, sobretudo se há a ajuda e protecção de uma família espiritual, de um hambiente de vida certo, então é preciso avançar com essa confiança e audácia de que fala Teresa.

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PS – A reescrever, melhor… bem sei. Mas não queria deixar Teresa à espera.
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