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A Esfinge

Para Teixeira de Pascoaes

Até quando? Até quando iremos enganados,
A caminho do impossível horizonte,
Com um sinal de cinza sobre a fronte,
Inutilmente sensíveis e alados?
 
Até quando libaremos pelas taças dos mundos
Toda a maré de horror dum subterrâneo mar;
E entornaremos flores no cadáver do luar,
Cadenciados e jucundos?
 
Até quando teremos, como prémio, o castigo
Dos loiros triunfais, do ceptro de comando,
Num país que não vemos? Até quando? Até quando?
 
Mas a Esfinge é divina e o segredo é consigo.

 

António Couto Viana

1 de Dezembro de 1950

 

Dedicado ao Paulo