Pesquisar

A ILHA DOS AMORES – I

Mês

Novembro 2007

Intervalo: relações entre humor e terror

 

Uma pausa para Símbolos mais Terrenos… mais…terra-à-terra!

 

 

 

 

Anúncios

Catch the Bull by it’s Horns – Symbols of Eternity


Knossos, Horns of Consecration
L’INGRESSO NORD DEL PALAZZO DI CNOSSO
(XIV SEC. A.C.)

Truth is Omnipresent. Not our capacity to catch it.


(slide by:
http://rishida.net/photos/sets/slides.php?set=0606-crete1&slide=26)

Subir a Encosta, o Céu e Georgia O’keeffe

[ladder+to+the+moon+georgia+O'keeffe.jpg]

Ladder to The Moon(1958)Georgia O’Keeffeno A Room of One’s Own

Amiga, Ouve:

Quando subimos ( o A. ) uma montanha, só consideramos um lado da encosta, aquele que está debaixo dos nossos pés.

É esta a situação da Humanidade! Tem passado a vida neste entretenimento. A de considerar somente o caminho que tem debaixo dos seus pés, e querendo desconsiderar os outros lados, ou considerá-los o mal, ou até mesmo eliminá-los, sem entender que as linhas verticais, e que as escadas de um só lado não se seguram de pé!! Uma colina, um monte, tem no mínimo, quatro lados… e tudo muda se se percepcionar isso enquanto se escala.

Este tema da Escada para o Céu, é um dos meus antigos e predilectos! No entanto, hoje de manhã, mesmo à bocado, estive reflectindo sobre esse assunto. Foi esta acima a reflexão – estava ainda na janela aberta do meu blog, quando fui ter ao teu postal, Isabel… Estive mesmo com essa imagem do Ladder to The Moon da Georgia O’keeffe na mente, ao mesmo tempo que tu, aí, do outro lado do Globo, compunhas Ready for An Hour. 🙂

E é tão rico, o tema. Não terminam aqui as reflexões…

(Há um outro trabalho da ”Escada para o Céu” – como eu lhe chamo – que quero também publicar, mas não encontrei agora.)

Não é incrível? Estamos ligadas pela nosso caminho para o Céu!…

Os Senhores nada sabem do Espírito

The Horus name of a king, with the falcon of Horus surmounting a serekhO Professor José Adelino Maltez

Deliniando-se contra o cobalto azul do Céu português, os escritos que este senhor partilha, para além do seu trabalho regular, são, para mim, como altos voos de um falcão. E ao olhar assim os céus, arrepiada, constato que ele do alto mira a terra, em vez dos céus, porque entregue à missão de a libertar de ratazanas e serpentes.

Aqui registo o extracto de um desses voos:

A missiva data de 1925. A autoria cabe a um tal Antonin Artaud:

Senhores Reitores,

Na estreita cisterna que os Srs. chamam de “Pensamento”, os raios espirituais apodrecem como palha. Chega de jogos da linguagem, de artifícios da sintaxe, de prestidigitações com fórmulas, agora é preciso encontrar a grande Lei do coração, a Lei que não seja uma lei, uma prisão, mas um guia para o Espírito perdido no seu próprio labirinto.

Além daquilo que a ciência jamais conseguirá alcançar, lá onde os feixes da razão se partem contra as nuvens, existe esse labirinto, núcleo central para o qual convergem todas as forças do ser, as nervuras últimas do Espírito. Nesse dédalo de muralhas móveis e sempre removidas, fora de todas as formas conhecidas do pensamento, nosso Espírito se agita, espreitando seus movimentos mais secretos e espontâneos, aqueles com um caráter de revelação, essa ária vinda de longe, caída do céu.

Mas a raça dos profetas extinguiu-se. A Europa cristaliza-se, mumifica-se lentamente sob as ataduras das suas fronteiras, das suas fábricas, dos seus tribunais, das suas universidades. O Espírito congelado racha entre lâminas minerais que se estreitam ao seu redor. A culpa é dos vossos sistemas embolorados, vossa lógica de 2 mais 2 fazem 4; a culpa é vossa, Reitores presos no laço dos silogismos. Os Srs. fabricam engenheiros, magistrados, médicos aos quais escapam os verdadeiros mistérios do corpo, as leis cósmicas do ser, falsos sábios, cegos para o além-terra, filósofos com a pretensão de reconstituir o Espírito. O menor acto de criação espontânea é um mundo mais complexo e revelador que qualquer metafísica. Deixem-nos pois, os Senhores nada mais são que usurpadores. Com que direito pretendem canalizar a inteligência, dar diplomas ao Espírito?

Os Senhores nada sabem do Espírito, ignoram suas ramificações mais ocultas e essenciais, essas pegadas fósseis tão próximas das nossas próprias origens, rastros que às vezes conseguimos reconstituir sobre as mais obscuras jazidas dos nossos cérebros.

Ler José A. Maltez

Portugal, a Descoberta de si Próprio

 

 

 

Agostinho da Silva (Entrevista 1ª Parte – 1990)
09:30 

 

 

 

Agostinho da Silva (Entrevista 2ª Parte – 1990)
05:04

Amizade 1-na Arena


forcados de Vila Franca
01:42

Video para ver, mesmo que não se goste de touradas. Sobretudo se não se gosta de touradas…

O video foi visto na Mad

Mutilação Genital Feminina

”I always admired the strength of women like Therese of Lisieux and Teresa of Avila.
When I read Teresa of Avila’s “The Interior Castle”, I remember thinking of the impact her writings must have had in the women of those of times and of the strength she must have had to stay true to her spiritual reality.
I like Sophia de Mello Breyner’s quote, and looking back at all women have suffered because of their sex, I ask… Isn’t it there also sanctity in the simple fact of being a Woman?”

(Comentário da Isabel à recente entrada ”O sexo impede”.)

Ler por favor este artigo no Marquesa, da Drª Cristina. Também guardei eu própria uns excertos, aqui:

Depois seguem-se os meus comentários:

Há muitas mulheres (não mutiladas, no mundo ocidental) que dizem que o pior do parto, foi a episitomia, e as complicações e dores que ela frequentemente provoca a seguir ao parto. A episitomia continua a ser feita em série, nos hospitais, sem qualquer necessidade, e apesar do sofrimento que provoca. Tem imensa influência na capacidade da mãe para um bom começo da maternidade e relação com a criança. No entanto, repito, continua a praticar-se em série (provavelmente menos em Portugal do que nos Paízes ”avançados”), como se o corpo da mulher, um bocado de carne fosse.

Voltando à questão da mutilação genital feminina, se a episitomia já é prejudicial e dolorosa, imagine-se o que é viver com as feridas e dores das mutilações nesses orgãos mais sensíveis do corpo.

No entanto, este crime é apenas uma pequena parte, – apesar da sua imensidade -, do sofrimento infligido às mulheres, graças ao conceito milenar de que a mulher é o mal, e o pecado. Eles são tantos assim, e outros ainda mais graves.

Um tribunal saudita condenou hoje a 200 chibatadas e seis meses de prisão uma mulher que foi vítima de violação em grupo, por infringir as leis de segregação por sexo do país.
A mulher, 19 anos, membro da comunidade xiita, foi violada 14 vezes durante o ataque de um gangue na região leste do país. Inicialmente foi condenada a 90 chibatadas por violar as leis sauditas, que proíbem qualquer forma de associação entre homens e mulheres não relacionados entre si. Ler aqui

”looking back at all women have suffered because of their sex, I ask… Isn’t it there also sanctity in the simple fact of being a Woman?” – (Isabel)

Os ”Bradadores” no Deserto

Ainda existe gente com visão.

”Projeto de lei proíbe produção e comercialização de transgênicos em Cuiabá”

Várzea Grande, 07/11/2007 – 16:40.

O plantio, cultivo, armazenamento, comercialização e a industrialização de produtos transgênicos, organismos geneticamente modificados, devem ser proibidos nos limites do município de Cuiabá. É o que defende o vereador Lúdio Cabral (PT) em um projeto de lei proposto na Câmara Municipal.

Mas é real a proibição?

Ou, como no resto do mundo, é o crime ignóbil, que tem sido até aqui: é proibidíssimo por lei mas não há ele outra coisa à venda!

PS – Isto é uma ninharia sem qualquer importância.

”Sintra”, e a lógica do mercado informático

”Sintra”, o título da entrada que por erro foi ”publicada” ontem, é o texto que está na página ”Raízes”. Ver o cabeçalho.

O meu novo template, de que gosto mais do que os anteriores, está cheio de limitações. Que posso eu fazer? Nada: mudar para melhor, quando possível. Entretanto, este está a fazer as seguintes maluqueiras:

  1. Põe as páginas numa ordem sem qualquer lógica.
  2. Embirra com a maternidade: recusa-se a publicar a página ”M”, que agora está como ”Mater.” ou ”Maternidade”. Sim, já tentei fazê-la de novo, mudar o nome,etc. mas temos um template que ”odeia” a maternidade… isso prova a razão dos cientistas e filósofos que defendem que os computadores têem ”consciência”! Hahaha.
  3. Não está a fazer as ligações aos blogs de quem comenta.
  4. Vi que ao fazer uma busca, as palavras das páginas, não aparecem. Ao procurar ”Sintra”, deveria aparecer a página ”Raízes”, mas não. Não sei se isso é típico deste template, ou defeito geral.

Enfim, a coisa das queridas páginas – com que já ando em flirt desde o princípio – os tipos não devem querer deixar vingar, porque os blogs competiriam demais com os sítios.

Se as páginas (no cabeçalho) tivessem um directório decente, eu criava a página ”Filósofos”, ou ”F” e ao clicar nela aparecia a lista de cada um dos filósofos. Mas qual! Não deixam. Já tentei isto no meu ”A Arte e Kalokagathia”, e desisti, poque o template que tal permite, ficava confuso e ilegível. O Kalokagathia está agora sóbrio – até melhor solução – e só se vê uma entrada de cada vez.

Aqui na Ilha dos Amores se eu colocar os nomes descriminados dos filósofos no cabeçalho, à mão de semear…. terei que mudar, quando tiver acesso à possibilidade que descrevi.

Dá trabalho, o caminho das descobertas…

D.Manuel II

 

 

 


D. Manuel II, O Exilado

05:19

Sem saber de nada, tinha eu desde há dois dias este video em ”post privado”, o qual estava para publicar brevemente (na wordpress podem-se ter posts privados, os quais ninguém vê) quando li, ao passar pelo Afinidades, que a data de nascimento de D.Manuel era 15 de Novembro. Estranha coincidência.

No artigo do Portal da História, aparece uma outra data de nascimento(?).

D. Manuel, infante, aos doze anos de idade

Manuel II de Portugal

Armas Reais PortuguesasRei de Portugal

 

D. Manuel II, Rei de Portugal

Ordem: 36.º Rei de Portugal
Cognome(s): O Patriota ou O Desventurado
Início do Reinado: 1 de Fevereiro de 1908
Término do Reinado: 5 de Outubro de 1910
Aclamação: Palácio de São Bento, Câmara dos Deputados,6 de Maio de 1908
Predecessor: D. Carlos I
Sucessor: República(Na Casa Real foi sucedido por D. Duarte Nuno de Bragança)
Pai: D. Carlos I
Mãe: D. Amélia de Orleães
Data de Nascimento: 15 de Novembro de 1889
Local de Nascimento: Palácio de Belém, Lisboa, Portugal
Data de Falecimento: 2 de Julho de 1932
Local de Falecimento: Fulwell Park, Twickenham, Inglaterra
Local de Enterro: Panteão dos Braganças, Mosteiro de São Vicente de Fora, Lisboa
Consorte(s): D. Augusta Vitória de Hohenzollern-Sigmarigen
Príncipe Herdeiro: D. Afonso Henriques de Bragança, Duque do Porto (tio)
Dinastia: Bragança

D. Manuel II (15 de Novembro de 18892 de Julho de 1932), de seu nome completo Manuel Maria Filipe Carlos Amélio Luís Miguel Rafael Gonzaga Xavier Francisco de Assis Eugénio de Bragança, foi o trigésimo-sexto Rei de Portugal. D. Manuel II sucedeu ao seu pai, o rei D. Carlos I, depois do assassinato brutal deste e do seu irmão mais velho, o Príncipe Real D. Luís Filipe, a 1 de Fevereiro de 1908. Antes da sua ascensão ao trono, D. Manuel foi duque de Beja e Infante de Portugal.

D. MANUEL II


 
D. Manuel II

D. Manuel II


Nasceu em Lisboa e morreu em Inglaterra. Foi o último monarca de Portugal tendo governado de 1908 a 1910.

Filho de D. Carlos e de D. Amélia de Orleães. Devido ao regicídio e morte violenta do príncipe real D. Luís Filipe, começou a reinar (1-2-1908).

Reunido o Conselho de Estado, nomeou-se um governo de concentração partidária, com excepção dos partidários do anterior ditador Franco. Na política interna, teve que enfrentar dois problemas, que puseram em descrédito a política governamental: a questão Hilton, provocada pelo súbdito inglês, residente na Madeira, que reclamava uma indemnização do Estado Português, em virtude de uma pretensa revogação do monopólio do açúcar e do álcool da ilha da Madeira, e também a do Crédito Predial, provocada pelo desfalque naquela instituição.

D. Manuel II procurou ir ao encontro das reivindicações operárias, chamando Léon Poinsard para estudar as possibilidades duma reforma das condições económicas e sociais do país. Duplicou o número de deputados republicanos por Lisboa no ano de 1910. Com efeito nas eleições municipais de Lisboa de 1908, os Republicanos elegeram uma câmara municipal de 100% sua e nas eleições de 1910 os Republicanos ganharam em Lisboa e em vários círculos. D. Manuel constituiu assim um governo caracterizado pela transigência e brandura para os Republicanos.

Em política externa procurou estabelecer boas relações com a Espanha e a Inglaterra. No dia 3 de Outubro de 1910 rebentou uma revolta republicana em Lisboa que triunfou em 5 de Outubro, e D. Manuel decide-se por Plymouth. No exílio manteve-se interessado pela política de Portugal, advogando a entrada do nosso país ao lado dos aliados na primeira guerra mundial. Por volta de 1914 os Monárquicos, aproveitando o governo mais tolerante de Bernardino Machado, formaram a causa Monárquica, que aspirava a estabelecer novamente o regime deposto. Gozava de toda a confiança e apoio do rei D. Manuel II, que nomeou um lugar-tenente (Azevedo Coutinho, Aires de Ornelas, etc.).

Ficha genealógica:

D. Manuel II nasceu. no Palácio de Belém, a 19 de Março de 1889; recebendo o nome de Manuel Maria Filipe Carlos Amélio Luís Miguel Rafael Gonzaga Xavier Francisco de Assis Eugénio, e morreu em Twickenham, Inglaterra, a 2 de Julho de 1932, tendo sido sepultado no Panteão Real de S. Vicente de Fora. Casou em 4 de Setembro de 1913 com a princesa Augusta Vitória (n. em Potsdam, a 19 de Julho de 1890; f. em data posterior a 1955), filha do príncipe Guilherme de Hohenzollern e de sua primeira mulher, Maria Teresa, princesa de Bourbon-Sicilias. O consórcio não teve descendência. Por morte de D. Manuel II, a viúva casou em segundas núpcias, no ano de 1939, com o nobre escocês Dr. Roberto Douglas, que faleceu em 25 de Agosto de 19552.


Integralmente copiado do Portal da História , e da Wikipédia.

Estas duas fontes têem duas diferentes datas de nascimento: 19 de Março, e 15 de Novembro.

Interrogo-me também sobre o ”retrato” de D. Manuel II adulto, da wikipédia, em cima à direita. Na wikipedia não dizem a origem desse retrato

Religião sem ranço – Teresa de Lisieux

5. Viver de Amor, é dar sem medida
Sem reclamar salário aqui na terra
Ah! Sem contar eu dou-me bem segura
De que, quando se ama, não se conta!…
Ao Coração Divino, transbordante de ternura
Dei tudo… ligeiramente eu corro
Nada tenho senão a minha única riqueza
Viver de Amor.

6. Viver de Amor, é dissipar o medo
Afastar a lembrança das faltas do passado.
Dos meus pecados não encontro vestígios,
Num breve instante o amor queimou tudo…
Chama divina, ó dulcíssima Fornalha!
No teu centro fixo a minha morada
É no teu fogo que eu canto alegremente:
“Vivo de Amor!…”


Historia de un alma (autobiografía) 410Kb
Poemas 203Kb
Oraciones 71Kb
Cartas 600Kb
Escritos Varios 100Kb
Ultimas Conversaciones 350Kb

Juan Pablo II la proclamó Doctora de la Iglesia en 1997. ¿En qué “universidad” había estudiado Teresa? En la “universidad” del Espíritu Santo, en esa enseñanza que Dios da a la gente sencilla.

Vai-te ranço!

Observo que alguns relatos que se fazem e coisas que se escrevem sobre Teresa, estão cheios de ranço religioso. Teresa não era, nunca foi mártir – mas esses escritos, essas pessoas ”religiosas” entendem que se ela não for mártir, então vale menos…e a cada coisa que escrevem tentam criar a ideia de uma mártir.

Teresa foi uma menina feliz, no e do seio de uma família por demais amorosa e unida. Teresa viveu no convento em conjunto com uma ou mais das suas irmão igualmente freiras no mesmo convento. Vinha de boa família e não sofreu maus tratos ou desprezo ou abandono. O seu caminho religioso, o seu processo de entrada no convento, foi livre. Isto é, os conflitos internos que tenha tido, eram dentro de si, e em absoluta ausência de coação exterior. Desde o princípio, cada um dos dias do ano ou festa religiosa, Teresa compreendia o significado, e exigia essa compreensão. Não era nenhum deserto de desumanidade. A direcção do convento era por demais inteligente. Não havia destruição da individualidade e da inteligência. Teresa interpretava vividamente as coisas, escrevia tudo, e vivia uma vida afectiva muito rica, tanto em relação à família, por carta, como sobretudo em relação às irmãs no convento. A expressão de devoção, do afecto e da amizade, era permitida, o que faz a inteligência ficar viva, aumenta a claridade, e a devoção. Qualquer pequenina coisa ela encontrava maneira de a relacionar com o caminho da alma. Dá ideia de que a família teve uma grande influência em tudo isto. Há até coisas que me parecem suspeitas, como se já de antemão estivessem a tratá-la como Santa, e já estivessem as coisas planeadas.

Mas não me importo muito: o caminho espiritual de muitas mulheres, prontas à renúncia, e no caminho do coração, deveria ser assim mesmo, cheio da alegria do que no caminho alegre é, e cheio de afecto. A tentativa de impor e inculcar sofrimento externa e propositadamente, é resultado da perversão de uma miríade de verdades a respeito do caminho religioso. Além disso a miríade dessas perversões que é provocada pelo facto de a ”espiritualidade” dos homens ser imposta às mulheres… é incontável. A essência e a base do caminho espiritual é o dar ouvidos a Deus em vez de ao egoísmo, e o coração tem o seu próprio atalho para esse caminho… e é o homem quem mais frequentemente tem que apreender isso de uma mulher – de uma dada espécie de mulher – não ao contrário.

(& )

Ponho a hipótese de os pais de Teresa terem sido devotos e terem sonhado com a dádiva de filhas entregues a Deus (não terão sido eles dos principais sustentáculos financeiros daquele pequeno Carmelo?). Terão sido estes factos a repeito dos pais, que terão permitido que a Teresa fosse permitida toda a expressão da sua femimilidade e espiritualidade – entregue a Deus, em vez de suprimida e esmagada? Ou será que isso até é algo que acontece mais vezes do que pensamos?

Teresa era muito bonita, e vê-se em todas as suas fotografias, mesmo com o hábito, que está consciente dos detalhes a esse respeito: não combateu a sua própria beleza, mas sim dedicou-a conscientemente …em Deus.

Se isto for um facto a respeito dos pais, isso daria ainda uma terceira dimensão a certas ”crises” de Teresa – evidentemente períodos de luta consigo própria, com a parte de si que quereria outras coisas, e mais. Dar ouvidos a um chamamento e caminho de renúncia que já foi planeado ou desejado por outros, tem também o seu lado incómodo no processo interior de assentimento a esse caminho – diferentes daquele que é inteira e livremente descoberto dentro de si próprio. Cada um terá as suas dificuldades próprias.

O mea culpa, mea culpa, mea culpa: o pecado e o martírio – ou a alegria?

Dos meus pecados não encontro vestígios,
Num breve instante o amor queimou tudo…

A vida espiritual pode ser assim. Embora seja muito difícil atravessar o processo, o qual João da Cruz descreve, ele não é sempre um suplício de lutas macabras com horrível supressão e perseguição de demónios. Naturalmente que há muitos esforços e a luta é só ganha por quem a ela se dedica, naturalmente que tudo o que custa se tenta fazer à mesma – mas quando o caminho é o do coração, ele é um caminho também pleno de alerias. Não só alegrias, mas também muitas e profundas alegrias.

Teresa, não foi mártir por coisas tais como suportar o frio no convento, naquele tempo. Teresa estava na sua terra natal, e não suportaria mais frio do que todas as irmãs e a grande maioria dos seus conterrâneos daquele tempo. Sim, claro, ela inevitavelmente faria aqueles sacrifícios – ofertas – que fazem ser possível praticar a ascese – mas ser-se mártir, é sempre pelo menos, o passar horrores involuntariamente, e por imposição de outros que nos querem mal ou maltratam. Será possível provocar o martírio de frio, forçando alguém cujo corpo não esteja habituado e em condições de tal suportar. Mas Teresa não era abusada no seu Carmelo. Muito pelo contrário.

Além disto, esta frase de Teresa, é uma afirmação de carácter teológico: um testemunho de alegria e leveza, que conscientemente combate a negatividade e miséria que os fariseus do cristianismo, costumam focar e perversamente impor, impedindo a espiritualidade, e colocando seus corpos e sua carne, entre a luz e os seres humanos que por ela anseiam.

O santo Indiano Ramakrishna, mencionou esse problema dizendo a religiosos cristãos ”- no caminho espiritual, não fiquem obcecados por pecados, pecados e mais pecados”.

Dessa forma, não se pode avançar espiritualmente. Infelizmente, para os homens, quantas vezes se demonstrou, na desgraça da queda, uma grande caução ser necessária! Sim, tanto no homem como na mulher, embora de formas diferentes. Mas, quando o caminho certo foi o percorrido, e, no caso mais frequente da mulher, a partir do momento que conseguiu entregar-se nas mãos de Deus, sobretudo se há a ajuda e protecção de uma família espiritual, de um hambiente de vida certo, então é preciso avançar com essa confiança e audácia de que fala Teresa.

___________________________

PS – A reescrever, melhor… bem sei. Mas não queria deixar Teresa à espera.

“Obstat sexus” (“o sexo impede”)

Os tempos ainda não estavam maduros para se declarar Doutora da Igreja a uma mulher. De fato, o Papa Pio XI havia respondido negativamente a solicitação que os Carmelitas haviam apresentado para que Santa Teresa de Jesus, “Madre de los Espirituales”, fosse declarada Doutora. A proposta era rechaçada pelo fato de ser uma mulher. “Obstat sexus” (“o sexo impede”), disse o Papa;Com a declaração de Teresa de Jesus e Catarina de Sena como Doutoras da Igreja, em 1970, foi derrubado defini­tivamente o obstáculo que impedia nomear como Doutora, uma mulher. Perante este fato, novamente se apresentou a possibilidade de que Teresa de Lisieux, nossa irmã, pudesse ser declarada Doutora da Igreja. Em 1973, ano do Centenário de seu nascimento, D. Garrone suscitou novamente a questão: “Um dia Santa Teresa de Lisieux poderá ser Doutora da Igreja? Respondo que sim, sem hesitação, estimulado pelo que sucedeu com a grande Santa Teresa e com Santa Catarina de Sena”. Em ocasiões sucessivas os Carmelitas levantaram a questão. Em 1981, o Cardeal Roger Etchegaray, a pedido do Carmelo Teresiano e, após consulta ao Conselho Permanente do Episcopado francês, enviou uma carta oficial ao Papa João Paulo II solicitando que Teresa de Lisieux fosse declarada Doutora da Igreja. Em diversas ocasiões, a postulação geral da Ordem e o bispo de Lisieux, D. Pican escreveram cartas oficiais neste sentido. O Capítulo Geral do Carmelo Teresiano, em 1991, e o Carmelo da Antiga Obser­vância, em 1995, fizeram outro tanto. No mesmo sentido se pronunciaram mais de 30 conferencias episcopais e milhares de cristãos: sacerdotes, religiosos e leigos de 107 países.….Deus suscitou na Igreja a consciência da necessidade de uma nova evangelização para responder a este tempo especial de graça e renovar a fé, a esperança e o amor centrados em Jesus, único Salvador e centro da história. Ele nos revela o verdadeiro rosto de Deus e nos mostra a presença e ação do Espírito nas pessoas e no mundo.

“Não posso compreender porque as mulheres são tão facilmente, excomungadas na Itália; a cada instante diziam-nos: “Não entreis aqui… Não entreis ali, ficareis excomungadas!… ”Ah! pobres mulheres, como são desprezadas!… Entretanto, elas amam a Deus em maior número do que os homens e, durante a Paixão de Nosso Senhor, as mulheres tiveram mais coragem do que os apóstolos, pois enfrentaram os insultos dos soldados e ousaram enxugar a Face adorável de Jesus… ”

Sua condição de mulher, que expressa com o frescor e a sinceridade de uma pessoa livre, a conduz a uma reflexão evangélica: esta marginalização da mulher faz com que ela participe mais intimamente do desprezo de que Jesus foi objeto em sua paixão. As mulheres tiveram o valor de terem enxugado o rosto de Cristo.

“Sem dúvida, é por isso que ele permite que o desprezo seja sua quota sobre a terra, pois o escolheu para Si mesmo… No céu, ele saberá mostrar que seus pensamentos não são os dos homens, pois então as últimas serão as primeiras

No evangelho de Lucas, Jesus, repleto gozo no Espírito Santo, proclama a lógica divina, tão diferente da nossa: “Eu te louvo, Pai, Senhor do céu e da terra, por teres ocultado isto aos sábios e aos inteligentes, e por tê-lo revelado aos pequeninos.” (Lc 10,21).

Roma, 01 de outubro de 1997


Extractos de Fr. Camilo Maccise, OCD Fr. Joseph Chalmers, O. Carm.

Nunca tentei ser perfeita… Sou incapaz de sê-lo, sou demasiado pequena… Apenas quero ser santa… A santidade é gratuita, não pertence às nossas forças… Basta deixar que Deus actue…

Jesus não pede grandes acções, mas apenas abandono e gratidão.

A santidade… é uma disposição do coração que nos torna humildes e pequenos nos braços de Deus, conscientes da nossa fraqueza e confiantes até à audácia na sua bondade de Pai.

Teresa de Lisieux

A Poesia visita-nos uma vez na vida. O Amor visita-nos algumas vezes na vida. Mas a Santidade visita-nos todos os dias.

Sophia de Mello Breyner (cito de memória)

Santinha de Balasar

Balasar

É o berço de  
Alexandrina Maria da Costa
, falecida 13 de Outubro 1955, com fama de santidade e conhecida em todo o país por “Santinha de Balazar. Todos os dias 13 de cada mês, acorrem ao seu túmulo, agora na Igreja paroquial, inúmeros visitantes das mais diversas regiões do País.

…Director Espiritual: desde 16/08/1933, o Jesuíta P.e Mariano Pinho (homem piedoso e culto, fizera os seus estudos na Bélgica e Áustria; acabou por ser impedido de a visitar e, por fim, exilado para o Brasil); depois, além do apoio do médico Dr. Azevedo (que a acompanharia até à morte), surge, em 1938,  o P.e Humberto Maria Pasquale Pascoale (veio ter com ela por mera caridade, pois ouvira falar dela sem nenhuma consideração; ele interpela-a a ditar os seus êxtases, recolhendo assim uma documentação abundante e de altíssima qualidade; tornou-se o seu principal biógrafo e divulgador; homem divertido). O P.e Humberto Pasquale sucedeu oficialmente ao primeiro Director no dia 8 de Dezembro de 1944.

Falecimento: Balasar (13/10/1955, por volta das 20h30).

Os ”Contos de Fadas” para Adultos

rachel weisz snow white 01

Rachel Weisz portrays Snow White in this image created by photographer Annie Leibovitz.

+ del.icio.us
+ digg

(Esqueçamos por um momento, que isto …não é a Branca de Neve. Esqueçamos que esta é a Branca de Neve da Disney.)

Os que os contos de fadas contam é uma realidade humana (que às vezes, não é coisa que se apresente a criancinhas). Os contos da Disneyland não, mas sim muitos dos contos que não estejam deturpados.

Temos aqui portanto uma belíssima fotografia, que traz à realidade contos não reais (os da Disney) baseados em contos reais, os quais costumam ter ilustrações ”irreais”…

______________________________________________________________

Quem terá sido a alma abençoada que manteve a lucidez, ao editar e reeditar ”A Menina do Mar”, ”A Fada Oriana”, ”A Floresta”, ”O Príncipe da Dinamarca”, da Sophia de Mello, sem imagens figurativas, tipo Disney ou coisa do género? Nem foi só o não ter imagens, foi toda a concepção tipográfica daqueles livros, que foi perfeita: o formato diferente, mais pequeno; as letras grandes, e espessas; e esbatidas. A pessoa em questão merece um prémio extraordinário.

_____________________________________________________________

Mas falávamos de ilustrações para adultos… a ver se finalmente enxergam alguma coisa de Contos…!

Gravura de uma edição do século XIX da Branca de Neve

Gravura de uma edição da Branca de Neve, do sec. XIX

Create a free website or blog at WordPress.com.

EM CIMA ↑