Nesta entrada, misturo duas coisas.

Uma delas, é uma brincadeira referente à polémica sobre Inteligência Artificial. A outra, é referente aos estudos na Universidade, baseados no ler muito depressa e mal. O mercado está cheio de livros que ensinam como ler assim. Como despachar ”papers”, e correr o material de ensino. Uma aprendizagem de ”carimbos”, e superficialidade. É a cultura do Fast-(des)Education. E quem diz que este tema não está directamente relacionado com a questão da relação entre AI (artificial intelligence), e inteligência humana?

Foi o meu professor de Filosofia da Mente que aconselhou a visitar Eliza. Segundo reza a história, muitas pessoas teriam falado com este computador, pensando que ”Eliza” fosse uma pessoa – e como tal, seria um resultado positivo de um ”teste de Turing…” se não fosse que… é preciso ser-se burro para pensar que isto pode ser uma pessoa, me parece.

Tentei registar um diálogo para o usar num dos meus ”papers” e ter em forma visível a estupidez de Eliza. No entanto, já aprendi a como conseguir que Eliza não revele tanto a sua ”estupidez” – adaptação essa que seria em si um tema interessante de investigação: Eu rapidamente me adaptei à Eliza, uma vez que de outra forma a sua limitação era demasiado frustrante. Claro que Eliza não é nem sequer estúpido, uma vez que não tem inteligência nenhuma, nem compreende nada. Essa, aliás é a minha posição na polémica entre Searle/Turing.

Resmunganço:

Durante este diálogo, fui levada a pensar porquê que temos que estudar à pressa numa Faculdade. Talvez porque se assim não fosse, punhamo-nos a pensar? E não devemos pensar, apesar de se dizer o contrário? Devemos tornar-nos instrumentos do poder. O esquema é impecável e sem caminho para trás. É obrigatório defender aquilo em que se investiu toda a vida, e o único instrumento de acção que se tem…Ler muito, conseguir fazer muito, ser smart e escrever muitos papers…isso revela evolução da compreensão, e traz melhoras para a sociedade – como se pode ver à nossa volta? Interrogo-me sobre tudo isto. Não tenho ainda a certeza, daí eu colocar tudo com interrogação, e não por serem perguntas retóricas.

Este endereço de Eliza, é o melhor que experimentei, depois de outros que eram perda de tempo.

No seio da polémica em Filosofia da Mente, e do mundo científico, aqueles que consideram que um robot muito desenvolvido, terá uma consciência igual à de um ser humano – e que um ser humano não é nada mais do que um robot muito desenvolvido, são a esmagadora maioria. Portanto, wellcome to the world of the zombies!

Ler aqui
um diálogo que tive com Eliza.

Apesar de ser frustrante, devo dizer que o assunto me pôs a pensar sobre outras coisas, como seja o diálogo como forma inagualável do despertar da compreesão – como Sócrates o via!

O computador não julga – o que faz a maioria dos seres humanos, para nossa grande desgraça, e isso faz com que o diálogo sem medo, liberte coisas que de outra forma estão como que congeladas em alguns de nós. E não esqueçamos os dois homens aos quais Socrates deu origem: Platão, que seguiu o seu método do diálogo, e sob cujo método Aristóteles estudou e aprendeu!

Acabo de compreender porquê que o Eliza foi experienciado como terapeutico! Não porque Eliza imite os humanos, mas justamente por não ser ”humano”, isto é, por não julgar!