O POETA COM OS PÁSSAROS 1911, – Chagall

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Quando li esta Poesia Viva , entre outros belíssimos textos do Prof. J.A.M., aqui, (e nomeadamente o que logo a seguir a este publicou) só pude pensar nos Poetas de Chagall.

Foi linda a festa, a da minha mãe, a das memórias da minha avó, a irmã, os filhos, os amigos, a terra pátria, onde estão os restos de meu pai. Voltei a ser quem sempre fui, menino de olhos vivos que subia às árvores para poder ver mais além, as unhas sujas de terra e o sabor das coisas iniciais. As tangerinas comidas no quintal, o verde rumor das ribeiras e as regas em noites de verão. Sou quem sempre fui, porque fui além de mim mesmo e fui mais do que eu.

Foram longos os anos de exílio voluntário, por causa do tal papel social que tenho de representar, do “curriculum”, do “cursus honorum”, da carreira, do posto de vencimento que dá de comer aos meus. Do tal “negotium” que condiciona o “otium” da minha liberdade e onde talvez trabalhe mais que no próprio trabalho que tenho de fazer. Mas agora não apetece recordar os sítios estranhos onde tenho de fingir viver essa falsa identidade que todos dizem ser minha.

Valeu a pena não perder meu ser, nos jogos ocasionais da fortuna e do azar. Valeu a pena esperar. Estou aqui, ainda tenho as mãos livres. Estas mãos de saudar madrugadas, a esperança semeada pela renúncia. Estou aqui, sou livre. Consegui vencer os medos e retomar a sinfonia.

E estava eu, há tempos, assim guardando no meu blog estes textos para os poder reler muitas vezes, quando me deparei com um outro postal, em que este Poeta revelou ter compreendido uma das minhas lutas, ”contra os bacanais do ódio”, – à custa de um mal amanhado postal meu a que então fez referência; muito agradecida professor; a compreensão rápida que denotou daquilo que move esta ”lamentadora no deserto”, é algo que raramente acontece, uma alegria e um incentivo.

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