I – Um diário

Perguntas – Respostas – Explicações

Neste momento, à parte outras razões da vida pessoal, custa-me escrever aqui, também porque não tenho um computador decente, nem o software minimamente organizado de forma a fazer disso algo mais ”próximo de mim”, mais intuitivo e menos dificultado por razões estéticas.

Ontem encontrei uns livrinhos em branco muito lindos que me dão vontade de lá escrever, a tinta azul permanente, uma espécie de diário, muito pessoal e específico. Vou fazer isso? Ou vou escrever aqui – e até eventualmente deixar o blog só reservado para uma parte do público? Tudo coisas que não sei.

Dir-se-á que posso tentar as duas coisas – mas isso é que não sei – deve demorar um tempo que não tenho. Se escrevo no papel, não o vou copira para aqui.

Alguns criaram uma espécie de indentidade ”bloguista”, personagens que depois se podem encerrar de um dia para o outro, personalidades fictícias. Não é nada disso que quero, por muito valor que tal possa ter. Neste momento não tenho tempo para nada disso. Só o tal diário é estritamente necessário e imprescendível. Um diário mesmo a sério.

Faz-se isso em público? A dúvida continua a ser a mesma.

II – Quais as razões deste diário público?

Porque será melhor para mim escrever aqui um diário, em vez de no meu livrinho privado? Deve haver várias e não vou dizê-las todas.

Uma das razões será o diálogo. Diálogo com certos portugueses.

Trabalhar para que um diálogo seja possível mais tarde, (quando eu me formar), querer aprender de pensadores presentes na internet, quebrar o meu isolamento supremo, comunicar a minha verdadeira Odisseia, partilhar o meu longo caminho de aprendizagem – isso não será trivialidade. Se isso não for possível, pararei. Se for possível, parece-me válido. E não esqueçam: estou exilada, e tenho vivido exilada quase toda a vida, e podem ajudar-me a aprender e exercitar o português, de uma forma que só é possível no diálogo com outros portugueses.

Arriscado é. Porque não sou nenhuma personagem pública. Aqui é que está a complicação e paradoxo. No fundo, desejo manter privada a minha vida privada – e ao mesmo tempo, vou dizer coisas que revelam algo da minha vida privada… Talvez a particularidade da minha vida me obrigue a tal. Talvez seja esta a forma de a resolver parcialmente.

(Ui! Cuidado! Os portugueses não são pessoas que gostem de pessoas que resolvam coisas. Pois não? Ou gostam? Só gostam depois, não é, quando alguém se tornou famoso coisa e tal – aí é tudo graxinha. Mas quem está a passar pelas brasas – deixa-se assar vivo, que ”se não querias assar, deixavas-te estar como estavas, que estavas melhor”.)

A forma como quero usar este blog, é talvez um pouco diferente de como é usado por algumas outras pessoas. Na verdade, não o quero público mas sim como um contacto e troca de ideias com algumas pessoas e pensadores, amigos, professores, como se trocássemos mails entre nós. Dado a falta de tempo, é uma tentativa de este diálogo poder ser mais como um ”jantar” entre alguns amigos. Penso até na possibilidade de às vezes me poder dirigir privadamente a certas pessoas. Nada impede nomeadamente que não haja mails privados pelo meio.

III – A selecção do que escrevo, e a pressa

Escrevo com pressa. Tenho que me cingir e deixar muita coisa. Às vezes, tenho que deixar também coisas por responder. Mas isso não implica que eu não tenha escutado bem os comentários ou respostas de pessoas com quem mais quero dialogar: pelo contrário. Podem crer que todos os comentários escritos com o coração, ressoam no meu e cá se multiplicam.

Sou também assim na realidade: introvertida por natureza, há muita coisa, na maioria das vezes o que tem mais valor, que prefiro guardar no coração, ou falar ‘silenciosamente’, em vez de responder com alguma trivialdade. Prefiro agradecer ”em acto”.

Ainda há dias, creio que foi o Jansenista que afirmou que um blog nos obriga a abordar questões só superficialmente. Escrever trivialidades, nada me interessa.

É preciso um esforço contínuo para voltar a esse ”diário”, de introspecção e reflexão que justamente procuro.

No entanto, o diálogo é a razão deste blog.

IV – O esforço por Portugal e pela Língua

O meu desejo é dar a minha pequena contribuição, razão crucial e principal para manter este esforço ”público”.

Sou pessoa em aprendizagem. Correções e ensino, são bem vindos. Mas sem diálogo com portugeses, todo o Português que nos últimos tempos consegui recuperar, recuará de novo.

Quero manter-me ocupada com as questões portuguesas.

Apesar deste povo e País ter sido para mim como um carrasco. Repetidamente.

V – O que é o meu mundo e o que procuro?

O mundo exige:

– mostra-me quem és. – Mas o fundo do Oceano não se pode mostrar à Superfície. Não é possível virá-lo do avesso, e trazê-lo ao de cima: para conhecer o fundo do Oceano e seus misteriosos tesouros, é preciso mergulhar nele, aprender um outro ritmo, e respirar num outro elemento.

Espinoza diz no princípio da sua Ética que o leitor só quando chegar ao fim do livro, o pode compreender, não antes. Assim estou eu. Seja o meu caderno escrito a caneta de tinta permanente, seja o meu blog, este é o Oceano, o tal das tormentas de que falo no sub-título do blog.

Não me admira nada que os Portugueses tivessem recebido impulsos de fora para realizarem as suas travessias de Mar: o português é dado a viajar só na vertical. É atraído pela ausência de acção e movimento, porque é atraído pela paragem do Tempo. Porque é a Eternidade que lhe interessa. É nisto que o Português é mais Oriental que Ocidental.

A nova missão é esta: a Navegação Vertical, que é a Libertação. Elevarmo-nos implica primeiro mergulhar na profundidade.

VI

Razões estritamente privadas e cruciais fazem com que eu por enquanto não deva nem possa quebrar o anonimato. Essas razões são graves, de profundo sofrimento pessoal, de foro familiar – e quem goze com isso, ou pense desprezar por isso, está a ser idiota.

VII

Se os meus outros blogs estão de momento parados, isso deve-se portanto às razões acima indicadas: a falta de um computador, sotware e conhecimento com o qual seja agradável e mais rápido ”postar” o que eu gostaria – e sobretudo, a total falta de tempo.

VIII 

Porquê que ler 8 posts pequenos ou médios, não custa nada, e ler um grande parece um grande esforço?

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