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A ILHA DOS AMORES – I

Mês

Setembro 2007

Bispos podem ser do sexo feminino

Setembro 30, 2007

O tribunal supremo da Igreja Anglicana na Austrália, conhecido como Appellate, decidiu nesta sexta-feira permitir a sagração de mulheres como bispos.

Os membros da diocese de Sydney, conservadora, que se opõem frontalmente à ordenação de mulheres, alertaram que a decisão causará problemas durante décadas.

O tribunal discute a questão desde 2005.

 

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O meu amado Schiller!!

 

É sobretudo por ele que considero mais válido o meu esforço de aprender alemão. Eis a prova maior da sua grandeza. Original e sábio a ponto de julgar e compreender por si algo que ainda agora está além da compreensão da maioria dos intelectuais, artistas e académicos. Contra todas as aparências, e modas…

Eu não conhecia este poema, nem que ele defendera a mulher, mas é perfeitamente coerente com as suas teorias – e as suas teorias, eram as de quem procura a coerência e a prática das suas teoria.

Talvez mil vezes mais perto da espiritualidade do que o misógino Schopenhauer. Mas quem não era misógino? Quem teve a coragem de verdadeiramente defender a mulher como não inferior? Quem vê nisso coragem, em vez de, secretamente, algures um sinal de fraqueza, de ”efeminado” – neste mundo onde ainda hoje se fala de ” literatura de mulheres…” ” — oh, é coisa de mulheres…” ? – Como sinónimo de mole, sentimenl, emocional, consequentemente inferior, menos importante, bla, bla, bla.

A dignidade das mulheres

Honrai as mulheres! Elas entrançam e tecem
Rosas sublimes na vida terrena,
Entrançam do amor o venturoso laço
E, através do véu casto das Graças,
Alimentam, vigilantes, o fogo eterno
De sentimentos mais belos, com mão sagrada.

Nos limites eternos da Verdade, o homem
Vagueia sem cessar, na sua rebeldia,
Impelido por pensamentos inquietos,
Precipita-se no oceano da sua fantasia.
Com avidez agarra o longe,
Seu coração jamais conhece a calma,
Incessante, em estrelas distantes,
Busca a imagem do seu sonho.

Mas, com olhares de encanto e fascínio,
As mulheres chamam a si o fugitivo,
Trazendo-o a mais avisados caminhos.
Na mais modesta cabana materna
Foram deixadas, com modos mais brandos,
As filhas fiéis da Natureza piedosa.

Adverso é o esforço do homem,
Com força desmesurada,
Sem paragem nem descanso,
Atravessa o rebelde a sua vida.
Logo destrói tudo o que alcança;
Jamais termina o seu desejo de luta.
Jamais, como cabeça da Hidra,
Eternamente cai e se renova.

Mas, felizes, entre mais calmos rumores,
Irrompem as mulheres, num instante de flores,
Propiciando zelo e cuidadoso amor,
Mais livres, no seu concertado agir,
Mais propensas que o homem à sabedoria
E ao círculo infindável da poesia.

Severo, orgulhoso, autárcico,
O peito frio do homem não conhece
Efusivo coração que a outro se ajuste,
Nem o amor, deleite dos deuses,
Das almas desconhece a permuta,
Às lágrimas não se entrega nunca,
A própria luta pela vida tempera
Com mais rudeza ainda a sua força.

Mas, como que tocada ao de leve pelo Zéfiro,
Célere, a harpa eólica estremece,
Tal é a alma sensível da mulher.
Com angustiada ternura, perante o sofrimento,
O seu seio amoroso vibra, nos seus olhos
Brilham pérolas de orvalho sublime.

Nos reinos do poder masculino,
Vence, por direito, a força,
Pela espada se impõe o cita
E escravo se torna o persa,
Esgrimem-se entre si, em fúria,
Ambições selvagens, rudes,
E a voz rouca de Éris domina,
Quando a Cárite se põe em fuga.

Porém, com modos brandos e persuasivos,
As mulheres conduzem o ceptro dos costumes,
Acalmam a discórdia que, raivosa, se inflama,
Às forças hostis que se odeiam
Ensinam a maneira de ser harmoniosa,
E reúnem o que no eterno se derrama.

do original «Würde der Frauen» de Johann Christoph Friedrich von Schiller

obrigada ao Luminescências

Outro sonho lindo: a Europa

Pois encontrei tesouros sim senhora 🙂 …

Um tesouro para não ficar só sendo-o em sonhos.

A América está feita com a sobra da Europa.

Ortega y Gasset, A Rebelião das Massas

Alguns carpem o fim duma Europa impotente, presa nos seus próprios dilemas, paralisada na acção face aos desafios que o mundo lhe coloca e falam duma América activa, o braço forte do Ocidente, como se a Europa fosse uma Grécia decadente e a América uma Roma ascendente. Trata-se de uma falsa ideia. A união dos povos da Europa é coisa inaudita e poderosa. O desejo de adesão à União Europeia, por parte de Estados europeus e até extra-europeus é uma manifestação da força do projecto europeu. Para reforçar o seu papel no mundo, a Europa só tem de trilhar o seu próprio caminho, não contra os americanos, nem contra ninguém. Trata-se de um novo caminho. Um caminho nunca trilhado, repleto de esperança e de futuro. Pensar na União Europeia à luz de um modelo do tipo Estados Unidos da Europa, como se pensou no início, quando se criou a CEE, é um erro crasso. O modelo a seguir é novo, trata-se de uma união de povos distintos e de diferentes nações e não de estados distintos numa só nação.

 

No Trabalhos e Dias

Lindo sonho

SONHO MÍSTICO

Um dia hei-de sentar à mesma mesa, em enorme távola redonda, todos os meus amigos: da direita e da esquerda, de cima e de baixo, bonitos e feios, ricos e pobres, eruditos e simples, conversadores e calados, antigos e novos, velhos e jovens, portugueses e estrangeiros; mas todos, todos mesmo — aristocratas de espírito.

João Marchante 16.9.07

Santana Lopes

”O País está doido”.

Santana Lopes vs José Mourinho vs SIC Notícias (completo)
08:42

Santana Lopes versus José Mourinho versus SIC Notícias
01:58

Perder e Achar

Tudo o que se encontra, pode-se entregar acho que na Polícia, a um polícia ou segurança. Em Lisboa, um dos locais de achados e perdidos (não sei se há mais) fica nos Olivais.
Se todos quiserem entregar e só por excepção as pessoas ficarem com as coisas, então sabe-se que perder uma coisa não é equivalente a ficar sem ela, e onde a podemos encontrar.

Acho!… 🙂

Videos: Filosofia, Banalidade, e Ética

Filosofia – o que é isto?
05:13

 

 

Filosofia e Dogma
05:37

Gostei da sua iniciativa de falar de filosofia no youtube:

Mas dr. Paulo, tenho uma pergunta…sem apontar agora para a diferença entre o que seja religião e o que seja as limitações e defeitos das pessoas que definem e praticam essa religião.

Os mandamentos, baseados na religião anterior que já existia no Egipto… são negativos… ”eu não matei, eu não fiz ninguém sofrer… eu não escutei às portas…. eu não menti etc.etc.” Não matarás, não roubarás, não mentirás, etc.

No fundo, este ”não” será o equivalente de educar concentrando-se em formar o meio e o hambiente que permite o crescimento, o desenvolvimento, etc….

 

E como é que funciona um estudo de filosofia hoje em dia na Universidade? Eu estou a fazê-lo e não há essa atitude! Só há imposição! Mesmo que essas não sejam aquelas que são positivas para o meu desenvolvimento como aprendiz! Então, dr. Paulo, não é tempo de a filosofia criticar outras coisas, em vez de só a religião e mais a religião. Porque ninguém nos anda a impor a religião (enfim, de certo modo, no Ocidente): mas a escola é totalmente imposta. Então onde está a crítica dos filósofos, crítica activa, forte, em relação aos elementos mais formadores da nossa sociedade?

Claro que pode ser difícil os pais em grande número saberem educar os filhos. Mas porquê que não há filósofos suficientes a saberem pôr a sua ”liberdade” na prática, na Universidade (pelo menos)?

Cumprimentos amistosos

 

 

A ética em Sócrates e Platão
08:08

 

 

Aula Ética – aberta (1a parte)

alguns minutos, partes de um video Google de longa duração que não ouvi ainda.

 

 

 

Respostas aos amigos

Quero responder e agradecer aos vários amigo/as, visitantes, que muito me honram com o seu apoio, e que deixaram palavras de ternura e apreciação. Muito obrigada.

A maioria admirou-me: sentirem falta dos meus postalzecos (isto é, não contando que vão sendo longos…:))?? Faço falta??

….enterneceram-me: o Valquírio preocupou-se até com o meu silêncio (não eu não estava de férias:)… e ainda bem que gostou da mudança de roupas do blog: foram feitas para facilitar a leitura.

Uma Musa Mana, que graças a Deus tenho, manifestou as suas saudades… e o Prof Claudio Téllez deixou-me babada…. (mas eu gostaria de fazer por deter aquele sedutor aldabrão que cada vez mais tem o mundo na mão) ….

A todos só posso dizer que as vossas reacções e estar em comunicação faz para mim valer esta actividade …que ainda tenho que aprender (se é que vou chegar a aprendê-la antes de parar). Dantes os filósofos dialogavam na rua, e talvez não desprezassem ensinar e dialogar com ignorantes -como eu – interessados na sua sabedoria. Alguns deles pelo menos, não. Então, talvez os blogs possam servir um pouco de ÁGORA!…. (Como tal não se admirem de ter que reunir muita paciência para me aturar…)
Unindo Alentejo, Algarve, Lisboa, Estoril, Póvoa, Brasil (do outro lado da Poça!! :))), e muito mais.

Para quem não tem a sorte invejável de estar assim em diálogo na vida diária, as vossas reacções são o único barómetro que permite saber um pouco de como isto (o que se vai escrevendo) é para um outrem…. o que de outra forma permanece incógnita absoluta.

Talvez uns poucos de nós nos venhamos a conhecer melhor e a descobrir coisas tão profundas e buscas tão dignas, que quando um dia nos venhamos a encontrar de verdade, em vez de uma desilusão, pelo contrário, aconteça como quando um artista pega num lápis: a descoberta de que o que parecia sem beleza ou interesse, (muitas vezes até feio) é ilimitadamente belo.

Quiz – O Chapéu de Chuva – 3

(Chamar a estas perguntas um quiz, deve estar errado. Por acaso o leitor sabe como é que eu poderia chamar a este ”desafio”?)

O que está portanto em questão não é julgar o jovem (refiro-me aos dois postais anteriores, intitulados ”O Chapéu de Chuva”) . Pelo contrário, agradeço-lhe o poder reflectir, graças à sua abertura – e até inocência. Se ele não estivesse inocente, não exporia a acção publicamente, e insistindo simpaticamente em oferecer o chapéu, – em não o conservar para si, por lhe ser inútil! Mas se todos agirem como ele, isso não remonta finalmente a uma sociedade onde confiança no outro pouco significado tem? Ou sou eu que estou errada? É muito possível!

Gostaria de saber o que pensam.

Pergunta A): O que é que acham que fariam na mesma situação? (encontrando um objecto pessoal – por exemplo, um chapéus de chuva – esquecido no comboio, ou no auto-carro?)

  1. – Em teoria?
  2. – E na prática?

Gostaria que respondessem aqui, nas respostas. Expliquem também e desenvolvam à vontade.

Pergunta B): Isto uma questão ética, ou ”apenas” uma diferença cultural? Em que medida é que é uma e em que medida é que é outra?

Chapéu de Chuva – 2

No último postal, digo que o levar o chapéu de chuva encontrado ”é roubo”. Não sei se está certo dizer assim ou se é afirmação demasiado categórica. O que eu quero dizer é que para mim é roubo? Também não. Gostaria de chegar a algo mais do que o que é ”para mim”. Quero dizer que é melhor mantermos a lucidez de que se temos organizado uma secção de achados e perdidos onde se podem procurar os objectos perdidos, então guardar para nós as coisas de outros, é roubar. Não quero dizer que todos os que fazem isso, estejam a roubar intencionalmente, ou que sejam ladrões. Aquele rapaz não é ladrão. Parece-me até ser um bom rapaz. Para ele, o que está a fazer, obviamente, não é roubar: ele acredita que está a agir bem, e ”como outros fariam na mesma situação” – possivelmente ele não conhece outra coisa.

Ora bem: é por causa deste ”provavelmente ele nem conhece outra coisa”, que não é trivial falar disto, pois não? É trivial a diferença entre um dia-a-dia onde não se pode deixar, por momentos e seja onde for, um objecto, sem que ele logo desapareça, e o dia-a-dia onde deixamos o porta moedas na cabine telefónica e ao voltarmos, notamos que as duas pessoas que entretanto fizeram uso do telefone, deixaram o porta-moedas no mesmo sítio… (já me aconteceu em Portugal, assim como várias situações semelhantes)? Não. É a diferença entre viver com um mínimo de confiança, ou viver rodeado de pessoas em quem não se pode confiar.

Se não se falar disto porque é algo de trivial (ou chamar-lhe-ão moralista?), o resultado é essa sociedade onde massas inteiras de pessoas são como o jovem em questão: se os outros fazem assim, nós também fazemos, e achamos que é normal. Quando isto é normal, as situações relacionadas com este facto, são contínuas.
Esta questão do roubo tem tido um papel bastante grande no meu conhecimento e experiência da cultura que se auto-intitula e pensa a ”Ocidental”, e na vivência de… choques culturais.

Não posso garantir, pois não sei o que o tempo me permite, (e outras obrigações e responsabilidades estão em primeiro lugar) mas quem me continuar a ler, verá como este tema é de importância talvez impensável à primeira vista.

O chapéu de chuva -1

Foi ante-ontem, desta vez fui a horas. Depois do comboio, no autocarro para a Universidade, um colega do meu ano, foi simpático. À chegada, perguntou a mim e mais duas colegas:

— Querem este chapéu de chuva?

— Não, obrigada, já tenho um – Disse uma.

— Eu também, – disse a outra.

— E tu? – perguntou-me de novo. Olhei-o com ar interrogador. Andei meses sem chapéu de chuva, pois não trouxe o meu de Portugal, e tudo o que seja ter que comprar coisas é para mim de momento uma grande dificuldade: tenho medo, tenho que me preparar imenso tempo. Custa-me. É uma vitória quando finalmente o faço. Mas eu comprara o meu chapéu de chuva…um dia antes.

— Tens um? – Repetiu ele. Os meus olhos continuaram fixos no chapéu de chuva. Na verdade, neste País, uns quantos chapéus de chuva não são a mais. Aliás porque um não dura muito. O vento. Os roubos. E aquele era mais forte que o meu, fraquote.

— É que deixaram este no comboio. — esclareceu. Oh, pensei, atrapalhada…enquanto os pensamentos passavam no meu espírito.

— E é um bom chapéu de chuva, – disse uma.

— Pois é, – disse a outra. – E eu aguentava-me. Não haveria achados e perdidos?

— Já tens um? Se não tens podes ficar com este. Se tens eu vou dar ao Jan – acho que ele no outro dia não tinha. Eu já tenho um. De alguém que no outro dia deixou no autocarro, também. Não queres?

— Não, obrigada. – Consegui finalmente dizer. Um guarda-chuva roubado, pensei. E queria perguntar se não podia trazer a uns achados e perdidos… mas não perguntei. Porquê? Por ser ofensivo…
Passadas 3 horas de aula de metafísica, depois do comboio chegar a Haia, já na estação, aquilo continuava a rodar-me na cabeça. Vejo dois homens de uniforme, da Ferroviária:

— Boa tarde. Digam-me por favor: não existe uma secção de achados e perdidos?

— Sim. Claro. – E seguiu-se explicação de grande e esmiuçada rede de achados e perdidos. Podia-se entregar o chapéu de chuva em qualquer das estações ferroviárias, rodoviárias, sem exigência de perda de tempo.

Mas o que ele fez é o normal. Por isso é que eu não perguntei nada. Como é que se encaixa isto na minha mente? É roubo, mas não se pode dizer nada porque o que ”para mim” é roubo – e é roubo – para ele não é roubo. Como para mim é roubo, é ao mesmo tempo ofensivo perguntar. Para mim seria ofensivo, se alguém me perguntasse isso. Deve partir dele, não? Claro que sim.

— Oh! – disse a Juno, quando lhe contei. – Isso não é roubo. Eu faria o mesmo.

— Pois então, ficas a saber: não o faças nunca, porque é roubo. E sei de milhares de pessoas em Portugal que, mesmo pobríssimas, fariam tudo para ir entregar o chapéu de chuva. Disse eu.

— E se ninguém for buscar? – Perguntou.

— Se ninguém for buscar é porque todos roubam, e alguém tem que quebrar o círculo e quando mais pessoas levarem, mais vão buscar.

Uma Educação Global

The impact on educational analysis of mainstream international relations (IR) theories is yet to realize its full potential. The problem of education in relation to the construction of world order is considered in relation to core developments in IR theory since the Second World War. In particular, the global architecture of education is seen as a complex web of ideas, networks of influence, policy frameworks and practices, financial arrangements and organizational structures – a system of global power relations that exerts a heavy, even determining, influence on how education is constructed around the world. The past decade has seen the rise of fresh understandings of global governance, an emerging theme in international relations that bears considerable potential for new forms of analysis in education, especially for clarifying the significance of the global architecture of education. Fresh understandings of education as a contributor to world order, viewed in the light of shifting global power relations and patterns of global governance, see education remaining relatively undeveloped as a builder of world order, despite decades of normatively-inspired assertions to the contrary. (Philip W. Jones, Education and World Order”, Comparative Education, August 2007

Copiado do P.Guinote

Os erros, a imperfeição e a rapidez obrigatória

Ah, e volto a repetir, se o francês tem erros, ( no fim do postal anterior) ou seja o que for que tenha erros, ortográficos, de raciocínio, etc., digam-me, se puderem e por favor, em vez de patinarem de alegria nas conclusões e julgamentos (da vossa superioridade). Este blog é afinal para dizer aquilo que muito bem me apetece – dentro dos limites do que é moral, hehe. E dar erros, escrever mal, não é imoral: é uma forma de aprender a não os dar, e até a única forma.

Isto é um apelo genuíno e relaciona-se com um problema geral de snobismo cultural e intelectual. Com a ausência, na nossa mentalidade, da noção de Paideia. Corrija-se, ensine-se e partilhe-se com prazer o saber em vez de dizer mal, ou de ensinar sem reconhecer o ser de quem ensina. Querer aprender é uma característica de todo o ser humano. E não saber, errar, ignorar, não é uma responsabilidade de quem não sabe. É de todos nós, mas sobretudo de quem não ensina e tem o poder de ensinar; sobretudo de quem não sabe ensinar. Não saber ensinar é também não saber.

No fundo, ensinar tem muito a ver com dar, e os problemas cruciais de saber dar e saber ensinar, estão muito próximos. Simone Weil disse e muito bem que saber dar é algo raríssimo.

Vem a propósito mencionar isto, porque uma das coisas que preciso pôr em prática e tornar bem claro, é que ou me desfaço da minha exigência de perfeição, ou não posso manter o blogue. Tenho que ser mais rápida, ou não posso publicar nada. Só isso já demonstra a diferença com o que é ”escrever um livro”.

Reafirmo depois das considerações que fiz, os meus objectivos:

1 – Reflexão em Língua portuguesa.

2 – Comunicação. Não com um grande público, óbviamente, mas com alguns com quem esssa comunicação seja possível.

3 – Diário.

A minha mudez, a falsidade e as bocas

Ainda em continuação do postal anterior, interessante foi também a coincidência frapante da expressão do professor: ”contra os bacanais do ódio”:

Naqueles mesmos dias, eu recebi, através dos bastidores do meu blog, ligações para postais que só assim se podem qualificar, de pessoa(s) que seria(m) suposta(s) amiga(s-os); de tal forma, que, fiquei muda.

Prefiro muda, a revelar a identidade e traição da tal suposta ”amiga”! A duplicidade (palavras amiguinhas pela frente, obscenidade cínica por de trás como arma de tiro) será resultado de (não diagnosticada) esquizofrenia? Ou apenas, resultado de tanta confusão metida nos genes, de quem pensa que sabe pensar? A triste realidade é que está num ponto avançado da perversão e decadência, nomeadamente:

1 – estar-se convencido de que o que é pornografia e cinismo – ausência do ”sentir são” e da ”razão do coração”, ”vernunft”*, e consciência humana – é a liberdade do amor pela qual lutaram os corações de gente tudo menos obscena.

2 – Estar-se convencido de que quem defende as palavras que eu acima coloquei entre aspas, é puritano; ou quando isso falha, então, é pelo menos ”moralista”, outro dos gritinhos histéricos que por aí lamuria quem não passa dois dias sem substituir as vestimentas de espantalho de um velho tabú, por outro pior.

E se falo do assunto, arriscando a invasão ao blog de gentinha da pior laia, que procura na net alimentar-se das palavras dos assuntos que criticamos – é porque ele é bem relevante. Afinal de contas, a confusão é praticamente geral.

Disseram-me que possivelmente, a obscenidade expressa pela tal ”amiga” não era muito mal intencionada, mas apenas uma espécie de ”catarse que todos praticam hoje em dia na Net”. ?? Hehe, sou especialista em ”catarse”, e posso apenas afirmar que ofender expressamente outros e cisnimo, está no polo oposto de seja que catarse for. Ainda por cima, à socapa. Não é catarse nem purga nem limpeza nem libertação nenhuma. É apenas podridão na alma. No melhor dos casos, leite azedo mantido como relíquia e jóia, num tesouro, à cabeceira.

*Vernunft – penso que é assim que se escreve, à parte o faltar-lhe o treuma – é a primeira vez que uso tal palavra maravilhosa, hehe. Vão ouvir falar mais dela neste diário. Pour le moment, c’est vraiment ma parolle favourite.

Nota acrescentada dia 24: na última frase, onde está ‘tesouro’, deverá estar ‘cofre’. Obrigada.

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