Autistas – 1986
Técnica mista sobre papel mista –
170×98 cm

Isabel de Sá


Ouvi falar o doutor que de Portugal ser pobre dizia

e do meu dizer que antes ele é rico, saber, o doutor não queria.

Coitado de Portual que do Universo rei verdadeiro, quer ser

quando na verdade, nem sua cegueira consegue ver!

Mas se cuidasse o Deus, das palavras em mim para aos homens dizer

quem cuidaria do coração que em tanto meigo homem habita

Para um dia a Humanidade, Criança, de novo, Ser –

como Deus, do início dos tempos, dita?

Ah fosse eu rei! – pelo saber-fazer do que agora não sei –

homem! – para poder o que só eles podem –

medíocre! Ou outra coisa qualquer!

Desta Angústia, como outros, eu não sofreria!

Incomodar-me-ia apenas, ligeira, como o faz há sete mil anos a mulher

quando já a meio, a guerra, a perda, o horror, irreversível, se anuncia.

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