” Só ao vitimar-nos o internacionalismo centralista e ávido de comparação e seguidismo em face do Alheio é que a Referência Sebástica deixou de ser estímulo do esforço para se transformar na nostalgia lunática que artificialmente permitia abstrair da decadência que entrava pelos olhos dentro.” Em Afinidades Efectivas.

Concordo tanto.
E não é este ”internacionalismo centralista e ávido de comparação e seguidismo em face do Alheio” consequência inevitável daquele despeito, desconfiança, menosprezo, de que falou o Paulo uma outra vez? E não é este menosprezo provocado pela falta de (re)conhecimento das forças, possibilidades, qualidades e destino próprio? Enfim, quero dizer, das reais, não dos sonhos irrealistas: desde as amêndoas e pinhões aos grandes poetas, e a Marinho. Desde os artesanatos, a pessoas de talento, à Natureza plena de riquezas cobiçadas, desejadas e necessitadas pelos outros povos?

Lembro-me de uma vez, estava eu na presença de um ”Professor-Doutor” que falando para um grande grupo de jovens sequiosos de conhecimento – e era suposto ele ter qualquer coisa de especial a dizer – declarou: ”o nosso País não tem riquezas Naturais; não podemos investir em nada a não ser em mandar jovens para o estrangeiro para se formarem melhor”.

Suponho que precisamos dos tais ”jovens formados no estrangeiro” que venham para cá e que digam: O nosso País é riquíssimo!? É pobre é em organização, e no reconhecimento da sua riqueza, em si mesmo, e especificamente em relação com os outros Países?

Não será que é como na educação da criança? Criada quase exclusivamente com ”mensagens negativas” – não se consegue desenvolver, está atolhida, atrofiada, e debate-se com os problemas inevitáveis de quem não recebe o apoio de que precisa para crescer e aprender; de quem ouve contínuas comparações com ”os outros, que fazem tudo bem – ela tudo mal” ; exemplos, ainda por cima, que nada têem a ver com o que é a natureza e peculiaridade dessa criança realizar?

Fernando Pessoa disse algures:

Enquanto continuarmos a dizer a frase ”Isto neste País!” não vamos mudar para melhor.

Até ele ficaria espantado, julgo eu, se voltasse cá, e ouvisse que é a frase mais dita em Portugal, diáriamente.

Tão espantado como eu fico por ouvir essa lenga-lenga repetida em todos os cantos, vezes sem conta, por tudo e por nada, e por ter lido que já Pessoa de tal se queixava!

Reparar que não me refiro justamente a quem procura soluções e mudanças.