O Sobreiro

https://i1.wp.com/www.uc.pt/artes/6spp/imagens/d.carlos_sobreiro1.jpg

Carlos de Bragança (Rei de Portugal), 1863-1908
1905, pastel sobre cartão
177 x 91 cm
Palácio Ducal – Fund. da Casa de Bragança

Vila Viçosa, Portugal

 

 

ÁRVORES DO ALENTEJO

 

Horas mortas… curvadas aos pés do Monte
A planície é um brasido… e, torturadas,
As árvores sangrentas, revoltadas,
Gritam a Deus a bênção duma fonte!
E quando, manhã alta, o sol postonte
A oiro a giesta, a arder, pelas estradas,
Esfíngicas, recortam desgrenhadas
Os trágicos perfis no horizonte!
Árvores! Corações, almas que choram,
Almas iguais à minha, almas que imploram
Em vão remédio para tanta mágoa!
Árvores! Não choreis! Olhai e vede:
– Também ando a gritar, morta de sede,
Pedindo a Deus a minha gota de água! !

Florbela Espanca (Sonetos)

(in Charneca em Flor)

 

A UMA ÁRVORE

Árvore
Quando eu morrer hás-de ficar.
Hás-de ver o passar doutras Estações.
Hás-de ouvir as canções
De uns outros ninhos, noutras Primaveras.
Junto de ti, meu filho há-de sonhar
Minhas antigas, fúlgidas quimeras.

Árvore
Quando eu morrer, hás-de falar
De mim, que te plantei.
E, em cada ramo novo que brotar,
Serás um gesto meu a perdurar:

– Por ti, não morrerei …

 

Francisco Bugalho (1998). Poesia. 2ª edição. Editora LG, Lisboa.

Advertisements