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A ILHA DOS AMORES – I

Mês

Julho 2007

A Lua-Cheia sobre o Rio, e Van Gogh

Vincent van Gogh 1853-1890

Hoje tenho a felicidade de ver a Lua-cheia sobre o Tejo!… E as cigarras ao fundo…

E as noites como ele as pintou.

A 29 de Julho de 1890, o grande pintor partiu de mãos vazias, sem a comunicação, a comunhão que procurava, nem conforto. Deixou-nos o olhar que vê a Vida.

https://i0.wp.com/upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/6/69/VanGogh-starry_night_edit.jpg

The Starry Night, June 1889 Paris, Arles, St.-Rémy, Auvers-sur-Oise

“Can we see the whole of life or only know a hemisphere of it before death? I’ve no idea of the answer myself. But the sight of stars always sets me dreaming…”

“Why, I ask myself, shouldn’t the shining dots of the sky be as accessible as the black dots on the map of France? Just as we take the train to get to Tarascon or Rouen, we take death to reach a star.”

(The Museum of Modern Art, New York. Clique na imagem seguinte

Starry Night Over the Rhone.jpg

Starry Night Over the Rhone
Vincent van Gogh, 1888
Oil on canvas
72.5 × 92 cm
Musée d’Orsay, Paris


“It is not the language of painters but the language of nature which one should listen to…. The feeling for the things themselves, for reality, is more important than the feeling for pictures.”

“We spend our whole lives in unconscious exercise of the art of expressing our thoughts with the help of words.”

“To do good work one must eat well, be well housed, have one’s fling from time to time, smoke one’s pipe, and drink one’s coffee in peace.”

“I am not an adventurer by choice but by fate.”

Vincent Van Gogh

Anotações, alinhavando ”Da Aflição” – 1

A primeira coisa que as mulheres aprendem num curso especializado de defesa, é a não gritar ”Socorro!” ou ”Ajudem-me”, etc.. mas sim ”Fogo!”.

Pessoa escreveu qualquer coisa como: ”Quem tem família e uma casa, não passa por verdadeira aflição – pessoal” (Isto tem, óbviamente um contexto perfeitamente esclarecedor – tenho que procurar).

À reflexão de Pessoa, opoem-se a reacção humana (desumana) mais comum de, ao ser-se confrontado com alguém em aflição,  se pensar imediatamente, na própria.

Os 5 livritos da rebelde

Perguntou-me o Mário, do A Voz Portalegrense, (a quem ainda tenho a agradecer esta simpatia),, pelos ”meus 5 livros do momento”; ora cá vão:

I – ”The Infinite and the Final Cause of Creation”,

outlines of a philosophical argument, by Emanuel Swedenborg – translated from the latin.

Man, as we all know well, was created do enjoy the delights of the world, and to possess the earth for himself and his posterity. Wisdom and reason were given him, to venerate and worship the infinite Deity, that he might better make use of wordly delights, and havve a finer or more delicious sense of them, to lead him to associate them with heavenly: also carry the world to a new perfection, which it could not attain without a material being and human means; lastly to commence a life and existence which should thenceforth be eternal and immortal, that he might increase the number of the angels. And that man might accomplish these ends, a body was given to him, with a brain therein, and this brain endowed with senses, and the senses with a soul.

The most extraordinary man – if we admit such superlatives – was that mysterious subject of Charles XII, Emanuel Swedenborg’ – Jorge Luis Borges

II – The Nag Hammadi Library – The definitive new translation – James M. Robinson – General Editor

III – De Weg naar Wijsheid – raadgevingen uit de Epistulae Morales, uma selecção das Epístolas Morais de Séneca

As palavras semeiam-se como as sementes. Embora pequenas, florescem e frutificam, se apreendidas por um espírito fértil. As lições e as sementes assemelham-se: são pequenas, mas originam grandes coisas.

(Minha tradução livre)

IV – The Letters of Virginia Woolf – volume III

We…so missed you – but I intend to miss you, in order that you may go on writing letters. Suppose we live in London till we’re 80, never meet, but correspond: what an interesting situation, and we might meet once, very, very old….

Delicious english, but not my cup of tea, – portanto agora que aqui o disse, decidi pô-lo de parte. Bem, já não apetecia, mas sentia-me na obrigação de continuar…

Foi substituído por What is this Thing Called Science? pelo A.F. Chalmers (formado em Física e Prof. de Filosofia da Ciência)

V – Sky Phenomena – A guide to naked eye observation of the sky, by Norman Davidson

Devotion! Daughter of Astronomy,
An undevout Astronomer is mad. –

From Night Thoughts by Edward Young

Agora imagine-se só a quantidade de ”loucos” que temos a ensinar-nos os segredos do Universo…? 🙂

Ou esta:

When I heard the learn’d astronomer,
When the proofs, the figures, were ranged in columns,
before me,
When I was shown the charts and diagrams, to add,
divide, and measure them,
When I sitting heard the astronomer where he lectured
with much applause in the lecture room,
How soon unaccountable I became tired and sick,
Till rising and gliding out I wander’d off by myself,
In the mystical moist night-air, and from time to time,
Look’d up in perfect silence at the stars.

by Walt Whitman

 

Escola e exames ”multiple choice”

Sou contra o método de exame por ”multiple choice”. E então em filosofia!… poder-se-ia, através das situações problemáticas que surgem, como neste último Exame de Filosofia, fazer-se um estudo para a escolha de melhores métodos pedagógicos:

GRUPO I- QUESTÃO 1

«1. Em qual das seguintes opções é formulado um problema filosófico?

(A) Porque é que há pessoas que se suicidam?

(B) Será que há regras morais absolutas?

(C) Haverá seres extraterrestres inteligentes?

(D) Foi a filosofia de Kant influenciada pela sua educação religiosa?»

Resposta oficial (imposta pelos critérios de correcção emanados do Ministério da Educação): a hipótese B é a única certa…

A única resposta aceite como certa é a B.

Compreendendo o porquê desse critério, concebo argumentações contra essa certeza.

Encontrei aqui esta crítica que em baixo cito, e que me pareceu apontar acertadamente para problemas que se colocam perante esta pretensão de ”exactidão”, a respeito da sabedoria que Heidegger afirmou não ser ciência, a respeito da região do saber que frequentemente se auto-define como aquela que não tem respostas … :

Resposta correcta (ao arrepio destes critérios): As opções A ( indagação do suicídio) ,…

Então o suicídio, que Albert Camus classificou como o único problema realmente filosófico da vida, não contém um problema filosófico?

Pessoalmente gostaria de considerar a hipótese D; se nos pretendem impedir de reflectir, refugiados no precioso templo da filosofia, sobre a intimidade entre religião e filosofia… (e nos tempos modernos, isto acontece em muitas frentes), chega-se inclusivamente ao ponto do caso que conheci, em que, numa escola excelente a nível europeu, filósofos ensinaram à juventude que Sócrates não é, não foi, um filósofo. Mas obviamente que não será apenas este o filósofo expulso do templo!

O que é ainda mais triste é, com estes métodos (jogos de ”rigor”?), retirar aos jovens todo o entusiasmo para a reflexão… tal como os professores que não sabiam nada de melhor a fazer com os Lusíadas do que dissecar-lhe a gramática.

Callas e Ashkenazy- palavras e insegurança

A insegurança dos grandes. Quanto mais sensíveis à grandiosidade do mundo indizível e inteligível, mais mudo se fica? E desageitado…

Claro que não é sempre assim… mas não será assim muitas vezes? E além disso, uma fase necessária.

Interessante também o comentário no youtube ao video do Ashkenazy: o jovem em questão menciona que o entrevistador é um dos ”altos QIs do seu país”… (!) e não acha que o grande artista seja tímido ou modesto, mas sim que ele toma uma atitude de arrogância e despeito perante o entrevistador. O sério é que o comentador já nem consegue conceber a inocência ou genuinidade da insegurança, (a não ser que se assuma essa com claras palavras…); já não conssegue nem conceber as desageitadas palavras da timidez de alguém que se entrega à percepção directa e no momento, da presença grandiosa do que o pensamento pragmático e discursivo não exprime: a alma e o coração.

Maria Callas Interview. first interview with Bernard Gavoty , Paris 14 June 1964. Time: 10:26

Vladimir Ashkenazy interview and piano demonstration part 1
10:00

 


Maria Callas Interview.

Paris 1965 , Maria Callas interview with Bernard Gavoty. Time: 10:50

 

 

A victória sobre a tragédia


Scriabin Poème Tragique Op. 34

05:13

Energia nuclear no Japão

 

A palavra ”tsunami” que se usa também em inglês e noutros países do Norte da Europa, é japonesa; como nós sabemos, o Japão é uma das muitas zonas sísmicas, vulcânicas, onde os tremores de Terra, são tão frequentes que fazem parte do imaginário da população, como nos Açores…
Mas (…) não pensaram nisso, coitaditos:

 …Um dos maiores problemas detectados até ao momento nesta central nuclear foi uma fuga de água radioactiva, que foi parar ao Mar do Japão, e a queda e rotura de vários depósitos de resíduos tóxicos. 

Cerca de uma centena de barris com resíduos de baixo nível de radioactividade tombaram durante o sismo e foram encontrados sem a respectiva tampa, avançou a agência de notícias japonesa Kyodo.

…”Por seu lado, a Companhia de Energia Eléctrica de Tóquio admitiu que o abalo sísmico foi mais forte do que a central de Kashiwazaki foi projectada para suportar.”

 E nem eram portugueses…

48, Tomás

Jesus disse:

– Se nesta casa dois fizerem as pazes um com o outro, eles dirão à montanha ”afasta-te”, e ela afastar-se-á.

O Evangelho de Tomás: 48., (JMRobinson revised defenetive new translation:

(48) Jesus said, ”If two make peace with each other in this one house, they will say to the mountain, ‘Move away’, and it will move away.”

Filosofia e Religião

…não nasci filósofo. Pois vim à filosofia por íntima necessidade, e não sem alheia ajuda. Nasci homem religioso, em quem se não mantém a simplicidade e inocência da fé (…).”; “Se nós definirmos religião como o viver ligado ao absoluto, seja efectivamente seja intencionalmente, devo dizer que esta situação espiritual foi permanente em mim. Abandonei a prática do cristianismo, nunca o sentido central dele. Comecei a filosofar não porque me faltasse a fé, mas porque se me pôs a urgência de esclarecê-la.”[1].

Como de imediato se depreende destes dois testemunhos autobiográficos, o interesse marinhiano pela relação entre Filosofia e Religião não derivou de um qualquer capricho, antes radica no seu próprio percurso espiritual – e usamos este termo, “espiritual”, porque o próprio José Marinho qualifica a sua autobiografia como uma “autobiografia espiritual”

 Filosofia e religião em José Marinho – um artigo de Renato Epifânio, Ler

É uma bela introdução à obra de J.Marinho, e ao seu ”Significado e Valor da Metafísica”.

Energia nuclear

Aqueles que, perante os olhos adormecidos e cegos da humanidade, desculpam a continuação e construção das centrais nucleares, afirmando, contra a evidência tanto do raciocínio quanto dos acontecimentos, que, graças às técnicas avançadas da ciência, não haverá nem fugas nem acidentes…

Ler

O outro lado da ponte

Acordai
02:07

Fernando Lopes Graça– coro da academia de amadores de música

 

 


Final do 4º Andamento da Sinfonia Nº 4 de Joly Braga Santos

numa interpretação da Orquestra Sinfónica Nacional da Irlanda, sob a Direcção do Maestro Álvaro Cassuto. Inclui cinco Poemas da Mensagem de Fernando Pessoa Final (últimos 5 minutos) do 4º Andamento (Lento) da Sinfonia Nº 4 de Joly Braga Santos, numa interpretação da Orquestra Sinfónica Nacional da Irlanda, sob a Direcção do Maestro Álvaro Cassuto.

 

Time: 05:00

A impossibilidade de escrever agora sobre coisas que gostaria, leva-me a saltar por cima delas…

Da rapidez III

A verdade espalha-se milhares de vezes mais devagar do que a mentira.

Da rapidez II

Algures, salvo erro no ”O Idiota”, Dostoievsky fala de ”gerações e milhares de russos que viveram e morreram”, para que finalmente seja possível determinada pessoa, capaz de determinada obra, nascer e florir.

O aparentemente rapidíssimo e precoce desenvolvimento do génio… não será portanto apenas uma ilusão para quem não vê mais além?
Tudo na sociedade cada vez mais se orienta pelo princípio da rapidez….

(Por terminar)

Da rapidez

As árvores mais preciosas, são as mais lentas no crescimento.

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