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A ILHA DOS AMORES – I

Mês

Junho 2007

Com paixão contagiante – quem é Augusto F. Castilho?

Falando de fúria sagrada; de discurso inspirado; de falar que respira:

SERMÃO DA CARIDADE

Pregado na 5.ª dominga da Quaresma de 1839 na Sé de Lisboa pelo Cónego Arcipreste da mesma Sé, o Doutor de capelo em Cânones Augusto Frederico de Castilho

Deus, para tornar as virtudes caras, e acessíveis até aos mais faltos de discurso, não criou a caridade, senão que a tirou de suas próprias entranhas, e orvalhando-a sobre a terra, lhe deu por bênção que de todas as mais virtudes fosse ela semente e fruto, seiva interior e graciosa florescência; e ela aí nos ficou independente de qualquer reflexão, afecto inato, instinto (porque o não diremos?), instinto moral. Ainda mais, senhores: não só a tornou o mais profundo, mas também o mais extenso de todos os afectos, para que, sobre encher-nos o coração de virtude, ela no-lo pudesse ocupar; sobre constituir-nos felicidade, no-la pudesse tornar permanente. Oh! que maravilhosa não é esta caridade, que em todas as idades, e em todas as circunstâncias da vida e do mundo, sempre acha alimento, sempre lhe renascem objectos, e infinita como o Céu, donde procede, cobre, como ele, toda a Natureza criada, passa dos homens aos animais brutos, destes aos próprios entes insensíveis, adivinha infortúnios, inventa e persuade socorros, até para entes que os não sabem agradecer, que os não requerem, que os não precisam!

Tem a caridade, como as demais paixões, os seus excessos; momentos em que se não sabe conter, nem governar; suspiros, lágrimas, e desalentos; entusiasmos, ímpetos, e arrojos heróicos; mas, como tudo lhe nasce do amor e compaixão, tudo é terno, tudo é mavioso e consolador. Virtude de virtudes, virtude única onde não há excessos. Pela caridade principalmente nos podemos dizer imagens de Deus, e obras-primas da criação. Ler

Verdi, Requiem, e as fúrias sagradas…

Mas foram bem outras as coisas que me levaram a pesquisas, e por isso, a estas calmas considerções, interrompendo a fúria sagrada em que estava. E essas outras coisas foram também do foro do sagrado.

Por uma conversa de ontem que doeu, vi-me na necessidade de tentar saber mais sobre os Cátaros e a Inquisição… (Mas não há tempo para tudo!… )

Entretanto, num pequeno ”auge de fúria sagrada”, à qual aquela dor me levou, encontrei – até mesmo isto! – no youtube: das músicas mais belas. A ouvir nas melhores condições possíveis, por favor: se possível, de auscultadores…. e olhos (meio)-fechados…

Para mim, é uma surpresa enorme poder ver esta coisa, estes ”monstros sagrados” a cantar, depois de já me terem saturado a medula e as células – enfim, nas pouquíssimas alturas em que me pude dedicar a escutar música.

Obra musical que inclui a fúria Divina… fúria com tudo o que fizeram em nome de Deus, fúria com os farizeus dos dois milénios passados, fúria com a hipocresia que a todos nos aprisionou, e hoje, mais do que nunca. Fúria e cansaço com a nossa preferência pela escuridão na qual naufragamos… Mas não só.

Das minhas obras absolutamente favoritas, no que é a gravação favorita:

As grandes Leontyne Price e Fiorenza Cossotto, cantaram isto tão sublimamente!…. Com todo o coração presente. Cossotto está linda, para além da maravilha do canto.

Verdi – Requiem
09:22

From: tiagopapoose

 

(PS-Afinal é adequado colocar aqui esta música…mas vou postar mais deste meu favorito, talvez na Lira)

De volta ao sagrado.

Jorge (o) Amado, e Combate Wiki(ng)pédico

Há uns tempos fiz umas tentativas de colaboração na Wikipédia. Muito instrutivo!

Não fazia ideia de que uma coisa assim existisse, ou fosse possível… Sabia que a maioria das páginas (claro que não todas…pressuponho) estão tomadas por brasileiros um tanto agressivos que mudam a maioria do que um português escreva, e discutem insultando, e perguntando se a Wikipédia é só para Portugal? – o que dá imensa vontade de rir, basta consultar a wikipédia-pt.. Espero que já tenho melhorado. Mas o que presenciei é significativo: discussões incríveis, insultos ignorantes e descabidos; assim como portugueses a aceitar aquela enxurrada de humilhações, como se nada de melhor merecessem – depois dos horríveis crimes que cometeram – isto é, que os antepassados deles cometeram.

E enquanto choviam aquelas asneira de ”que é, você pensa que isto é outra vez tudo para voçê, não, que está falando com índio nú…que somos seus escravos” etc., uma pessoa vai pensando naqueles amores todos que sempre encheram nossa vida: as coisas de criança, ”O Meu Pé de Laranja Lima”, o Jorge Amado, Pessoa e Mário de Sá-Carneiro ditos pela Maria Betânia, o amor à natureza brasileira, à melodia do seu geito de falar… e … foge-se assustado… Mas são os resultados de tanta ignorância e desinformação (a qual, atenção, não é, na maior parte, responsabilidade deles).

Temos a agradecer-lhes aquilo que é provavelmente a pior Wikipédia Europeia, – de certo que é – de longe – a pior que conheço, entre as 7 línguas diferentes em que a posso comparar detalhadamente.

Se tem talento para tal, não se esqueça dessa hipótese: melhorar a Wikipédia portuguesa…. mesmo que um dia se faça outra…

Queixas e prática – A Língua bela e buscas cibernéticas

Procurei esclarecimento sobre dedução e indução na Internet. Em 100 páginas das quais li a introdução, 98 são brasileiras. Finalmente, depois da perda de horas, uma site é portuguesa: é a Crítica. Reservada a assinantes. É mesmo aquilo que qualquer pessoa, algures por esse mundo fora (e que não faça ainda uso de pagamentos através da Internet) pode tratar, à pressa, para poder saber mais sobre dedução e indução. Finalmente encontrei uma página…

Aquelas pessoas – são tantas, tantas – eruditas, que se queixam muito, e que sabem tão bem apontar a terrível desgraça em que está o nosso conhecimento da Língua, os erros, o atraso, a ignorância…. do nosso povo… Eles onde estão? Onde andam? Que fazem? Estão aqui muitos sequiosos de vosso conhecimento…

Sim, porque se dei este exemplo, é óbvio que isto se passa com o que se procure na internet: é uma praga que começa a fazer-me sentir repulsa só o pensamento de consultar o google; a perda de tempo, as centenas, milhares de sites brasileiras; a impossibilidade de discernir, sem perder dias e noites, entre aquilo que seja mesmo bom consultar do Brasil, e o que é pura perda de tempo, e mais uma mossa irreparável no meu português inseguro (que luta heróico e solitário contra as circunstâncias indesejadas); começa a provocar-me vertigens…

Noite de S. João, na Montanha, Mussorgsky


Imagens e Sinfonia de Modest Mussorgsky,
Noite de S. João, na Montanha
07:48


João, 9

40 – E aqueles dos fariseus, que estavam com ele, ouvindo isto, disseram-lhe: Também nós somos cegos?

41 – Disse-lhes Jesus: Se fósseis cegos, não teríeis pecado; mas como agora dizeis: Vemos; por isso o vosso pecado permanece.

Evangelho segundo S. João, aqui

(Se souber de melhores edições, agradeço que mo diga, por favor.)

João Evangelista – pintura magistral + Evangelho

Saint John on Pathmos

Irmãos Van Limburg 1375 – 1416 – Saint John on Pathmos

illuminated manuscript (29 × 21 cm) — 1413 – 1416
Musée Condé, Chantilly

Van Limburg brothers biography

This work is linked to John

Evangelho segundo S. João

13, 31-33.34-35.

Meus filhos, é por pouco tempo que ainda estou convosco. Dou-vos um mandamento novo: que vos ameis uns aos outros. Como Eu vos amei, amai-vos também uns aos outros.
Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos: se vos amardes uns aos outros.

14, 23-29

Disse-vos estas coisas, estando ainda convosco. Mas o Paráclito, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, vos ensinará todas as coisas e vos recordará tudo o que Eu vos disse.

16, 12-15

Tenho ainda muitas coisas para vos dizer, mas não as podeis compreender agora. Quando vier o Espírito da verdade, Ele vos guiará para a verdade plena; porque não falará de Si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido e vos anunciará o que está para vir. Ele Me glorificará, porque receberá do que é meu e vo-lo anunciará.

3, 19

And this is the condemnation, that light is come into the world, and men loved darkness rather than light, because their deeds were evil.

10, 16

And other sheep I have, which are not of this fold: them also I must bring, and they shall hear my voice; and there shall be one fold, and one shepherd.

 

Evangelho segundo S. João, aqui

(Se souber de melhores edições, agradeço que mo diga, por favor.)

 

 

A mulher segundo Pessoa

 Se eu fosse mulher – na mulher os fenómenos histéricos rompem em ataques e coisas parecidas – cada poema do Álvaro de Campos (o mais histérico de mim) seria um alarme para a vizinhança.   F. Pessoa

Da Solidão II

Em ninguém que me cerca eu encontro uma atitude para com a vida que bata certo com a minha íntima sensibilidade, com as minhas aspirações, com tudo quanto constitui o fundamental e o essencial do meu íntimo ser espiritual. – F.Pessoa

 

The Broken Column

…à minha sensibilidade cada vez mais profunda, e à minha consciência cada vez maior da terrível e religiosa missão que todo o homem de génio recebe de Deus com o seu génio, tudo quanto é futilidade literária, mera arte, vai gradualmente soando cada vez mais a oco e a repugnante.

F. Pessoa

Da solidão

«É por isso que as ideias que circulam são, a maior parte das vezes, extraordinariamente velhas. O que procura o que é novo fica sempre sozinho.» M. Serres dixit. E eu também.

em    Sob(re) a Pálpebra da Página

Ah pronto, já percebo….

Solstício VII – Noite de S. João na Rússia

Ivankupala.jpg

 

Night on the Eve of Ivan Kupala, Noite da celebração de S. João- Henryk Hector Siemiradzki.

Ivan Kupala é o nome de S. João na Rússia

 

 

Solstício VI – Stonehenge

 Nota: Este texto e conjunto de fotografias está por acabar e ”consertar”.  Deve ser influência das ruínas…   fim da nota.

Encontrei pessoas que desconheciam não só o significado das festas destas datas, como até as próprias festas. Uma dessas pessoas é licenciado em ciência das religiões, (!) para além de mestrado e doutorado em dois outros campos…

A rejeição, a obscuridade e a negação de toda a paideia, e da transmissão de algum conhecimento sobre as relações entre o mundo interior e o exterior, tem como consequência movimentos de ignorância como a Inquisição, ou o surgimento de ideias que depressa se disformam, e às vezes se transformam no pior, como se observa no filme ”What the bleep do we know?”.

Ler descrição das fases de construção segundo as últimas teorias arqueológicas, aqui

Stonehenge Restorations

Archaeoastronomy at Stonehenge

the great stone circles and horseshoe arrangements for which Stonehenge is famous are later additions to the monument (mostly Stonehenge III) and are not essential to the lunar and solar calculations.

Winston Churchill (center) hosts the Ancient Order of Druids
at Blenheim Palace on 15 August, 1908

Initiation of novices into the Ancient Order of Druids at Stonehenge, August, 1905

By 1949 only two of these sects survived, and by 1955 only one, the British Circle of the Universal Bond, which claimed to be not only the true descendants of Henry Hurle’s original Ancient Order of Druids but also of William Stukeley’s Order of Druids purportedly founded in 1717. In 1963, an internal dispute produced the breakaway Order of Bards, Ovates and Druids. The Bards celebrated their rites at Tower Hill. The Bond, however, continued to welcome the midsummer dawn at Stonehenge. Ler

A Druidess, holding mistletoe and a sickle, standing next to a dolmen
(painting by La Roche, late nineteenth century)

Solstício V – dia de S.João

fotografias amavelmente cedidadas por Dionísio Leitão

https://i0.wp.com/www.uc.pt/artes/6spp/imagens/lourinha_s.joao-deserto1.jpg

S. João Baptista no Deserto
por Mestre da Lourinhã, 1.ª metade do Séc. XVI
c. 1515, óleo sobre madeira
146 x 135 cm
Museu da Santa Casa da Misericóridia
Lourinhã, Portugal

N Astrup-St. Hansbål ved Jølstervatnet.jpg

Noite de São João na Noruega – ”St. Hansbål ved Jølstervatnet”

Nikolai Astrup, norueguês (1880–1928)


Solstício IV e Or-Acção de S.Francisco

Lisboa, do Miradouro da Graça

Lisboa, do Miradouro da Graça Fotografias Dionísio Leitão

 

«Cântico das Criaturas», de S. Francisco de Assis

Altíssimo, Omnipotente, Bom Senhor
Teus são o Louvor, a Glória,
a Honra e toda a Bênção.

Louvado sejas, meu Senhor,
com todas as Tuas criaturas,
especialmente o senhor irmão Sol,
que clareia o dia e que,
com a sua luz, nos ilumina.
Ele é belo e radiante,
com grande esplendor;
de Ti, Altíssimo, é a imagem.

Louvado sejas, meu Senhor,
pela irmã Lua e pelas estrelas,
que no céu formaste, claras.
preciosas e belas.

Louvado sejas, meu Senhor.
pelo irmão vento,
pelo ar e pelas nuvens,
pelo sereno
e por todo o tempo
em que dás sustento
às Tuas criaturas.

Louvado sejas, meu Senhor,
pela irmã água, útil e humilde,
preciosa e casta.

Louvado sejas, meu Senhor,
pelo irmão fogo,
com o qual iluminas a noite.
Ele é belo e alegre,
vigoroso e forte.

Louvado sejas, meu Senhor,
pela nossa irmã, a mãe terra,
que nos sustenta e governa,
produz frutos diversos,
flores e ervas.

Louvado sejas, meu Senhor,
pelos que perdoam pelo Teu amor
e suportam as enfermidades
e tribulações.

(Louvado sejas, meu Senhor,
pela nossa irmã, a morte corporal,
da qual homem algum pode escapar.)

Louvai todos e bendizei o meu Senhor!
Dai-Lhe graças e servi-O
com grande humildade!

Solstício III

https://i2.wp.com/www.uc.pt/artes/6spp/imagens/manuel_henriques-s.francisco_xavier-1.jpg

S. Francisco Xavier

Manuel Henriques, 1593 – 1653
c. 1640, óleo sobre tela
80 x 70 cm
Sé Nova
Coimbra, Portugal

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