Parece-me que tenho provas de que algo profundo dentro de mim, me faz adaptar, ou melhor, tentar adaptar o que penso – não só o que digo – mas o que penso e sobretudo o nível do que penso, e a complexidade do que penso, dependendo do sentimento que tenho se posso ser compreendida, ou não. Isto, é horrível. Vem de tão longe…longe, no tempo.

Humm, muito para dizer, aqui…

Como tenho a experiência de ter sido compreendida aí umas duas vezes na vida… por um nadinha de tempo só… um saborzinho, só…digamos que toda a minha vida, eu simplesmente corto o que penso – não pior: o que sou, o que sinto. Conclusão: não sei se alguém curou a sua neurose; eu, por mim, não; ou já a curei, mas ela voltou. Com muitas muitas muitas razões. Essas é que não me faltaram. Mas agora, estou eu própria a fazer comigo, esse mal tremendo que é a medicalização de toda a vida.

Não, isto não é neurose, isto é o processo da própria vida…, talvez. Será? Hummm, não sei.

Repare-se nisto que digo: (mais para dizer….)

– O que penso, não é o que sou. Mas o que sinto, é pelo menos, mais próximo do que sou. Mais próximo da consciência.

… Mais para reflectir…

A forma como o sentir é visto e falados, e até sentido, frequentemente no mundo de hoje, é diferente daquilo que para mim é sentir. Aliás basta haver pessoas que podem pensar que o sentir é algo consequente das substâncias químicas.

Tenho um exemplo crucial a esse respeito … mas fica para uma outra vez, pois seria divagar imenso do tema que estou a tratar e que é a revolução do nascimento livre, do nascimento que mereça esse nome absolutamente maravilhoso e lindo da nossa língua: Dar à Luz. Temos que nos tornar dignos – e dignas – de tal epifania na nossa língua, nesta expressão, e em milhares de outras palavras também.

Sim. Eu estou convencida – porque vejo! – que a nossa Língua, é uma epifania em si mesma. Aquela história do Verbo, lá na Bíblia – mas não só – não é só história de ”atrasado mental”, não. Por acaso, para mim, foi especial descobrir isso, porque nunca fui verbal; bom, não sei se nunca. Sei que logo desde muito pequena, me meteram tanto medo, que eu fiquei não sendo verbal logo desde então.

– CALA-TE!!! – Rugiam-me, apesar do meu terror, mal eu, mesmo assim, tentava abrir a boca…

Não. Ainda não curou.