Posted by: Terpsichore Diotima, Lusitana Combatente on: 29/01/2009

Isto dizia-me um dia uma conhecida:
“-Tomo conta da miúda um dia por semana. A mãe deixa-me a comida para ela, mais mil e uma recomendações; que ela não podia comer isto e aquilo e aquele outro… mas eu dou-lhe várias coisas dessas… sem a mãe saber.”
Sabendo eu de muitos mais casos… sei que é costume fazer-se isto…
No outro dia, quando li este postal, estava decidido que ia comentar. Não leve a mal que o faça publicamente, por favor, Vasco. Dirijo-me a todos os que possam ser tentados por uma tal solução… para uma situação que acontecerá mais e mais: a de ter pessoas à mesa que não comem certas coisas, ou estar com crianças cujos pais escolheram uma alimentação muito diferente.
Mentir a outras pessoas, a respeito do que está dentro da comida, não é boa ideia – e é o que os industriais de todo o mundo andam a fazer, com a permissão dos governos… É uma prática bárbara.
Acho que é fácil perceber porque é que é mau iludir pessoas a respeito de algo que é crucial para elas a ponto de orientarem por aí as suas vidas.

É melhor ser sempre sincero nestas situações, o que será muito apreciado, muito mais, aliás, do que qualquer iguaria. A mentira levantará uma onda de justificada indignação:
“ Disse, então, ao meu amigo: temos aqui um problema, o namorado da minha filha é muçulmano e a farinheira tem carne de porco. O Luís olhou para mim com aquele seu ar de quem resolve todos os problemas do mundo, e respondeu: não há problema nenhum. Explicamos ao «gajo» que o enchido – a farinheira – aqui, em Portugal – país que ele visitava pela primeira vez –, é confeccionado apenas com carne de galinha. E assim aconteceu.”
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Se digo isto aqui, publicamente, é porque sei que enganar como se se tratasse de alguma “mentira branca”, como se se tratasse de alguma coisa não relevante (porque a pessoa considera que aquilo que o outro come, não lhe faz mal nenhum), é uma tendência de muitos.
Garanto que qualquer pessoa com um regime alimentar diferente lhe agredecerá mil vezes a sinceridade, e ficará contente com qualquer alternativa por muito simples que seja.
Gostei. As referências egípcias não o estão aqui por acaso.
Curiosamente, até nem estou em desacordo consigo.
JMB
Desculpe, mas
- Farinheira não é feita com carne. É sim feita com gordura de porco e farinha, como dá a entender o nome.
- Farinheiros, no centro do país que é a mesma coisa que que alheira, já feita sim com carne.
Inicialmente, porque inventada pelos ‘cristãos novos’ feita sem carne de porco; hoje em dia abastardada e feita geralmente com pão, carne e gordura de porco, apesar de já as haver feitas de caça, mas sempre com gordura de porco.
beijinho
29/01/2009 às 14:23
Bem dito!!!
Estou completamente de acordo.
Há muitas religiões e até ciencias (como por exemplo a antropologia) que dizem:
YOU ARE WHAT YOU EAT
Nesse sentido, mentir às pessoas sobre aquilo que estão a comer, é igual a roubar-lhes o direito de SEREM aquilo que querem ser, e escolher a própria identidade.