É sobretudo por ele que considero mais válido o meu esforço de aprender alemão. Eis a prova maior da sua grandeza. Original e sábio a ponto de julgar e compreender por si algo que ainda agora está além da compreensão da maioria dos intelectuais, artistas e académicos. Contra todas as aparências, e modas…
Eu não conhecia este poema, nem que ele defendera a mulher, mas é perfeitamente coerente com as suas teorias – e as suas teorias, eram as de quem procura a coerência e a prática das suas teoria.
Talvez mil vezes mais perto da espiritualidade do que o misógino Schopenhauer. Mas quem não era misógino? Quem teve a coragem de verdadeiramente defender a mulher como não inferior? Quem vê nisso coragem, em vez de, secretamente, algures um sinal de fraqueza, de ”efeminado” – neste mundo onde ainda hoje se fala de ” literatura de mulheres…” ” — oh, é coisa de mulheres…” ? – Como sinónimo de mole, sentimenl, emocional, consequentemente inferior, menos importante, bla, bla, bla.
A dignidade das mulheres
Honrai as mulheres! Elas entrançam e tecem
Rosas sublimes na vida terrena,
Entrançam do amor o venturoso laço
E, através do véu casto das Graças,
Alimentam, vigilantes, o fogo eterno
De sentimentos mais belos, com mão sagrada.
Nos limites eternos da Verdade, o homem
Vagueia sem cessar, na sua rebeldia,
Impelido por pensamentos inquietos,
Precipita-se no oceano da sua fantasia.
Com avidez agarra o longe,
Seu coração jamais conhece a calma,
Incessante, em estrelas distantes,
Busca a imagem do seu sonho.
Mas, com olhares de encanto e fascínio,
As mulheres chamam a si o fugitivo,
Trazendo-o a mais avisados caminhos.
Na mais modesta cabana materna
Foram deixadas, com modos mais brandos,
As filhas fiéis da Natureza piedosa.
Adverso é o esforço do homem,
Com força desmesurada,
Sem paragem nem descanso,
Atravessa o rebelde a sua vida.
Logo destrói tudo o que alcança;
Jamais termina o seu desejo de luta.
Jamais, como cabeça da Hidra,
Eternamente cai e se renova.
Mas, felizes, entre mais calmos rumores,
Irrompem as mulheres, num instante de flores,
Propiciando zelo e cuidadoso amor,
Mais livres, no seu concertado agir,
Mais propensas que o homem à sabedoria
E ao círculo infindável da poesia.
Severo, orgulhoso, autárcico,
O peito frio do homem não conhece
Efusivo coração que a outro se ajuste,
Nem o amor, deleite dos deuses,
Das almas desconhece a permuta,
Às lágrimas não se entrega nunca,
A própria luta pela vida tempera
Com mais rudeza ainda a sua força.
Mas, como que tocada ao de leve pelo Zéfiro,
Célere, a harpa eólica estremece,
Tal é a alma sensível da mulher.
Com angustiada ternura, perante o sofrimento,
O seu seio amoroso vibra, nos seus olhos
Brilham pérolas de orvalho sublime.
Nos reinos do poder masculino,
Vence, por direito, a força,
Pela espada se impõe o cita
E escravo se torna o persa,
Esgrimem-se entre si, em fúria,
Ambições selvagens, rudes,
E a voz rouca de Éris domina,
Quando a Cárite se põe em fuga.
Porém, com modos brandos e persuasivos,
As mulheres conduzem o ceptro dos costumes,
Acalmam a discórdia que, raivosa, se inflama,
Às forças hostis que se odeiam
Ensinam a maneira de ser harmoniosa,
E reúnem o que no eterno se derrama.
do original «Würde der Frauen» de Johann Christoph Friedrich von Schiller
obrigada ao Luminescências

Lira de Terpsichore
Elementos de Filosofia Moral – James Rachels



Obrigada ao Réprobo - Paulo C.P.:
António 15:55 on 30/09/2007 Permalink
olá.
como lamento não saber alemão! em tempo não tive o rasgo, e agora não tenho tempo…
obrigado pela referência.
volto em breve,
ab,
antonio
MCA 11:06 on 01/10/2007 Permalink
Obrigada pela visita, por esta nova referência e pelo lonk. Voltarei.
Terpsichore E.M. 00:21 on 04/10/2007 Permalink
Olá António
Obrigada pelo comentário e pelo belo poema.
Sabe António, quando entrei no mundo dos blogs pela primeira vez, quando fiz as primeiras visitas, os seus blogs foram dos primeiros que gostei imenso, achando-os esteticamente muito belos. Dopois, fui conhecendo outras coisas…. e aprendendo e só agora me deparei com o seu blog de novo.
Quanto ao alemão… compreendo. No entanto pelo menos estão a começar a fazer-se belas traduções em Portugal… (as cartas do Schiller, por exemplo)…
Ab.
Olá Clara
Bem vinda! É uma honra e grande prazer a sua visita e muito obrigada pelo link na sua belíssima Biblioteca